2026-03-15

Isfahan bombardeada

 

O actual Irão tem boa parte do seu território com características de deserto com grandes cidades por ele espalhadas com poucas vegetação entre elas, uma espécie de arquipélago de cidades sobre um deserto.
 

Nessas cidades destacam-se Teerão, a capital desde 1795, com 9,8 milhões da habitantes em 730km2 e 16 milhões na área metropolitana e a cidade de Isfahan com 2,2 milhões em 550km2 e 4 milhões na sua área metropolitana,  foi desde há muitos anos uma cidade importante tendo sido a capital em vários períodos dos quais se destaca o reinado do xá Abas que reinou de 1587 a 1629.
 

Em comparação Lisboa tem 540 mil habitantes numa área de 100km2 e uma área metropolitana com cerca de 2 milhões.
 

No centro de Isfahan situa-se a praça Naqsh-e-Jahan e fiz neste post uma comparação das dimensões do Terrreiro do Paço em Lisboa, da Praça da Concórdia em Paris, dos pátios interiores da Cidade Proibida em Pequim, da Praça de Tian-An-Men (天安门) em Pequim e desta praça de Isfahan que mostro a seguir

 

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O eixo maior da praça tem uma orientação quase exactamente Norte-Sul, como se constata na “bússola” no topo direito da imagem tirada do GoogleEarth 

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Clicando na imagem ela aparece maior, sendo possivel ler uma indicação (um “pin”) de um monumento no lado Oeste da praça, o Palácio Aali Qapu que mostro aqui ao lado, que a wikipédia informa ter sido inscrito pela UNESCO juntamente com a praça como Património Mundial que foi danificado num bombardeamento próximo, conforme relatado nesta notícia do jornal New York Times.
 

Em frente deste palácio está o lago da praça (em tom turquesa) e no lado Leste está a mesquita Lotfollah, também fazendo parte do Património Mundial, reservada para a corte, com um acesso subterrâneo a partir do palácio.
 

No lado Sul está a Mesquita do Xá (Xá Abbas) que introduzo com um texto em que refiro o controlo pelos portugueses do Estreito de Ormuz durante mais de um século:
«
Uma forma fácil de arranjar imagens menos comuns é fotografar lugares pouco frequentados pelos vizinhos, embora assim se corra sempre o risco de transformar um blogue de imagens com texto num blogue de viagens. Mas a mesquita mandada construir pelo Xá Abbas em Isfahan vale bem esse risco.

Esse Xá, que construiu a cidade de Isfahan como sua capital, colocava muita pressão nos seus colaboradores, motivo pelo qual se disfarçava por vezes de mercador para indagar junto da população qual a opinião sobre a sua governação.

Foi ainda esse Xá que, com o auxílio dos ingleses, obrigou os Portugueses a abandonar em 1622 o forte construído por Afonso de Albuquerque em Ormuz entre 1507 e 1515 que, juntamente com o forte de Mascate referido aqui, controlava a entrada  do Golfo Pérsico.

Mas aqui em Isfahan, na praça de Naqsh-e Jahan, promoveu a construção de uma mesquita maravilhosa, desenhada pelo arquitecto Ali Akbar Esfahani. Aqui ao lado mostro o portal da entrada da mesquita na praça,

»
 

Fiquei tão deslumbrado com a mesquita que ainda fiz um segundo e um terceiro post sobre ela.
 

No artigo do New York Times acima referido informam que alguns mosaicos desta mesquita foram danificados devido a bombardeamento por Israel de um edifício governamental próximo.

Mostro três exemplos da cerâmica dessa mesquita, há mais nos posts referidos acima
 
 

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O facto das duas mesquitas da praça não estarem alinhadas com os limites da praça deve-se à necessidade de as orações deverem ser feitas na Quibla (direcção de Meca) como referi neste post , o Mihrab nas mesquitas deve indicar a direcção de Meca e não a de Jerusalem como era hábito no eixo das igrejas mais antigas como era o caso na igreja de Santa Sofia em Constantinopla actualmente Istambul.
 

Houve ainda mais dois itens do Património Mundial da UNESCO afectados que irei referir num post posterior.

Acabo este post com um vídeo de Cristobal Vila com uma animação sintética inspirada pela arquitectura de Isfahan

 

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2026-03-10

Vénus vestida

 

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Achei graça a uma referência do New York Times a esta iniciativa da dinamarquesa Louise Moerup que, no caminho para a escola em Copenhaga com o seu filho se interrogavam, a propósito desta estátua da deusa Vénus despida, porque seria que a maior parte das estátuas existentes na cidade era sobre homens ou então  mulheres nuas evocando figuras mitológicas, não existindo estátuas de mulheres reais. 

 

Para chamar a atenção vestiu então a estátua com um vestido de malha de lã e um pequeno gorro de malha na cabeça do bébé, a que se seguiu uma discussão que presumo amena sobre este tema.

 

Embora os modelos das estátuas desses mitos femininos fossem provavelmente reais o argumento merece alguma reflexão. Nem sempre foi assim, em Florença as estátuas duma certa época são mais de homens nus do que de mulheres nesse estado, designadamente as de Miguel Ângelo. Na Europa talvez a mudança tenha ocorrido no século XIX.

A propósito lembrei-me desta estátua no Parque das Nações em Lisboa

 

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que já mostrei no oitavo post deste blogue em 20/Mar/2008 (há 18 anos), nessa altura em contraluz ao por-do-sol ,em que comentei:

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Catarina de Bragança (1638-1705), rainha consorte de Inglaterra e da Escócia por casamento com o rei Carlos II, em estátua feita por Audrey Flack, instalada no Parque das Nações em 1998. O plano para instalar uma versão grande desta estátua em Queens, Nova Iorque, foi abandonado mas ficou esta em Lisboa, linda em muitas alturas do dia e também em contra-luz ao por-do-sol.  

 »

 

2026-03-04

O Palácio de Golestão em Teerão

 

Além dos cerca de 800 mortos iranianos incluindo as mais de 100 meninas de uma escola no Sul do Irão e dos múltiplos edifícios residenciais destruídos, o Palacio de Golestão em Teerão, sítio classificado pela UNESCO com cerca de 400 anos, também foi atingido pelas bombas dos militares de Israel e dos EUA, que fazem aqui o papel de bárbaros, conforme referido neste artigo do "The Art Newspaper".

Tive infelizmente razão para visitar o Irão em 2010, antes que os americanos e israelitas partissem aquilo tudo. Do palácio seleccionei algumas das fotos que então tirei:

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2026-03-01

Irão sob ataque

 

Como disse neste post  "Fui ao Irão em Maio/2010, com receio de mais outra intervenção americana que partisse o país todo, à semelhança do que acontecera no Iraque, incluindo as ruínas do império persa do tempo de Dario e Xerxes e a deslumbrante arquitectura quer laica quer religiosa que tive a oportunidade de mostrar neste blogue em vários posts."

Gostei muito da arquitectura, fiz vários posts sobre o que vi nessa viagem e publiquei em Mar/2017 "Índice dos posts sobre o Irão" desde Mai/2010 até Jan/2016.

No post "Pena de Morte" refiro que além de ser em 2009 o país com maior número de execuções por milhão de habitantes do mundo, a lei previa ainda a lapidação de mulheres e penas de mutilação, como o corte de mão a ladrões. As mulheres têm também limitações fortes no vestuário, obrigação de cobrir o cabelo e discriminações várias mas julgo terem acesso fácil às Universidades.

É dos raríssimos países em que é permitido por lei transaccionar órgãos, uma das leis preconizadas no programa de TV de há mais de trinta anos "Transplante de orgãos – Parte II em 1994-11-22" pelo economista Pedro Arroja que vi agora na wikipédia ter colaborado na elaboração em 2021 do programa económico do partido Chega.

Depois do post com índice de artigos sobre o Irão escrevi um grande sobre Mahsa Amini, uma vítima mortal da polícia de costumes iraniana por ter uma quantidade de cabelo à mostra maior do que o permitido.

A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que correu o risco de ser lapidada, foi perdoada por bom comportamento e libertada da prisão em Mar/2014.

A morte do Supremo Líder Ali Khamenei no início do ataque de Israel e EUA ao Irão na manhã de 28Fev2026 revela que os atacantes têm boas informações sobre a localização de dirigentes importantes do Irão e que os meios de detecção de ataques iminentes à cidade de Teerão onde estava Khamenei são de qualidade insuficiente. 

 

Ficha Eléctrica

 

Na semana que passou o aspirador de cá de casa começou a ter uma falha intermitente. De vez em quando deixava abruptamente de funcionar, mudando a tomada a que a ficha estava ligada às vezes voltava a funcionar, outras vezes bastava ficar algum tempo inactivo.

Esperei que o defeito passasse a definitivo, na EDP e na REN estes defeitos intermitentes quando submetidos à equipa de manutenção voltavam por vezes com a observação "cqe" que queria dizer "correcto quando ensaiado".

Ontem cansei-me de esperar pela passagem do defeito a definitivo e fiz alguns testes tentando identificar a origem do problema. Depois de algumas conjecturas que se revelaram falsas tive a sorte de no último teste (porque foi decisivo!) aparecerem umas pequenas faíscas na secção do cabo de alimentação muito próximo da ficha que liga à tomada, revelando mau contacto numa parte do cabo de alimentação que me parecia muitíssimo bem protegida.

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Hoje fui comprar uma ficha macho, pensei ir ao LeroyMerlin mas a tendência que as lojas têm para ficarem cada vez maiores é acompanhada pelo desaparecimento de concorrentes mais pequenos e o aumento da distância até às lojas grandes. As lojas dos chineses que antigamente só vendiam artigos de baixa gama estão a melhorar a qualidade e decidi comprar a ficha no bazar chinês mais próximo. O problema ficou resolvido.

No meio dos testes que fiz, a certa altura fui verificar se o aparelho ainda estrava na garantia. Por sinal ainda estava, existindo períodos diferentes para diversos acessórios/componentes mas  o cabo de alimentação não tinha qualquer período de garantia.

Não sei se influenciado pelo início de vagas de destruição no Médio Oriente, se por curiosidade por uma ficha com tão bom aspecto ter falhado, resolvi cortar a ficha a meio para ver o seu conteúdo desvendadando assim a intimidade física de elemento que funciona sempre como caixa negra.

A primeira foto foi tirada já depois da primeira separação mas achei que devia juntar as duas metades com um pouco de fita-cola para revelar aspecto inicial da ficha.

A seguir mostro a ficha com as duas metades iniciais separadas e ao lado a protecção adicional, dentro da qual apareciam as faíscas referidas acima

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 Finalmente mostro uma destas metades cortada ao meio outra vez

  

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Fiquei com a impressão que os pernos metálicos foram enfiados muito justos a uma peça com a consistência da baquelite que garante que fiquem à distância normalizada, que cada fio descarnado é enfiado na parte oca do perno, parte essa que é esmagada à volta da parte descarnada do condutor.

Depois este comjunto de peças é colocado dentro de um molde para cujo interior é injectado um plástico de consistência parecida à borracha. 

 


 


 

 

2026-02-24

O Arquivo da Revista The New Yorker

 

 Na newsletter da revista The New Yorker, que recebo frequentemente por email, vinha uma referência ao trabalho de digitalização do conjunto completo de todas as revistas publicadas "apenas" em papel desde o seu primeiro número em Fev/1925:

 

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Este esforço dos editores desta revista em digitalizar todo o conteúdo publicado "apenas" em papel primeiro apenas como uma "fotografia do texto" eventualmente em formato pdf (Portable Document Format) mas depois usando um OCR (Optical Character Recognition) para que o texto seja facilmente procurado pelos programas que andam a pesquisar textos na internet.

A imagem acima foi objecto de "corte e costura" para ser mostrada legível neste blog mas está acessível aqui.

Esta actividade mostra consideração pela totalidade dos textos e imagens publicadas pela New Yorker, em Portugal o acesso a textos de jornais e de revistas publicadas antes da existência da internet não têm sido objecto deste cuidado. Pode ser que seja por os editores terem menos recursos.

O arquivo na sua totalidade depende de subscrição mas o acesso a um texto específico é fácil. Por exemplo para aceder a um texto da Hannah Arendt que publicou diveros artigos nesta revista googlei (the new yorker hannah arendt) tendo chegado aqui.

Seleccionei o primeiro resultado tendo chegado aqui (contributors/hannah-arendt).

Das várias hipóteses seleccionei "Thinking-I" chegando aqui.

Trata-se do pimeiro de três artigos intitulados Thinking I, II, III 

O "Thinking I" publicado em Novembro/1977 (é portanto póstumo, a autora falecera em 1975) começa com umas citações seguido por este início:

«...

 TO talk about Thinking seems to me so presumptuous that I feel I should start less with an apology than with a justification. No justification, of course, is needed for the topic itself. What disturbs me is that I try my hand at it, for I have neither claim nor ambition to be a “philosopher,” or be numbered among what Kant called, not without irony, “Denker von Gewerbe” (“professional thinkers”). The question is, then, should I not have let this problem remain in the hands of the experts, and the answer will have to show what prompted me to venture from the relatively safe fields of political science and political theory into these awesome matters, instead of leaving well enough alone.

Factually, my preoccupation with mental activities has two rather different origins. The immediate impulse came from my attending the trial of Adolf Eichmann, in Jerusalem. In my report on it, I spoke of “the banality of exil.” Behind that phrase I held no thesis or doctrine, although I was dimly aware that it went counter to our tradition of thought—literary, theological, or philosophical—about the phenomenon of evil. Evil, we have learned, is something demonic.

...» 

Notei que o texto não é perfeito em vez de "banality of evil" tem "banality of exil", felizmente uma gralha de detecção fácil mas a sua presença indica que um programa OCR foi usado e poderia ser melhor.

Este artigo, primeiro de três como acima referi, tem cerca de 22000 palavras pelo que não o vou transcrever na totalidade limitando-me a outra parte do texto em que afirma que a palavra "moral" deriva de uma palavra grega com o sentido de "hábito" e a "ética" é uma palavra de origem latina derivada de "costumes":

«...

It was this absence of thinking— which is so ordinary an experience in our everyday life, where we have hardly the time, let alone the inclination, to stop and think—that awakened my interest. Is evildoing—the sins of omission as well as the sins of commission— possible in default not just of “base motives” (as the law calls them) but of any motives whatever, of any particular prompting of interest or volition? Is wickedness, however we may define it—this being “determined to prove a villain”—not a necessary condition for evildoing? Might the problem of good and evil, our faculty for telling right from wrong, be connected with our faculty of thought? To be sure, not in the sense that thinking would ever be able to produce the good deed as its result, as though “virtue could be taught” and learned; only habits and customs can be taught, and we know only too well the alarming speed with which they are unlearned and forgotten when new circumstances demand a change in manners and behavior patterns. (The fact that we usually treat matters of good and evil in courses in “morals” or “ethics” may indicate how little we know about them, for the word “morals” comes from mores and the word “ethics” from ethos, the Latin and the Greek words for customs and habit, the Latin being associated with rules of behavior, whereas the Greek has to do with habitat, like our “habit.”) The absence of thought I was confronted with sprang neither from forgetfulness of former, presumably good manners and ways nor from stupidity in the sense of inability to comprehend—not even in the sense of “moral insanity,” for the absence was just as noticeable in instances that had nothing to do with so-called ethical decisions or matters of conscience.
...
» 

Boa leitura.


2026-02-07

Seguro ou Ventura


Nos dois debates dos candidatos António José Seguro e André Ventura apreciei as intervenções do primeiro  e mais uma vez detestei as intervenções do segundo.
Fiquei grato ao primeiro por aceitar apenas um debate entre os dois na preparação da segunda volta da eleição presidencial, mostrando capacidade de tomar decisões acertadas.

Vou votar em Seguro.

2026-02-01

Armazenamento de Água no Algarve

 

No meio da calamidade que atingiu o centro de Portugal nos últimos dias, com ventos ciclónicos com rajadas próximas dos 200km/h, acompanhados de precipitações muito elevadas e prolongadas no tempo causando inundações e estragos que demorarão meses a recuperar, desta vez o Algarve não registou fenómenos meteorológicos tão extremos mas tão só uma precipitação elevada e ventos fortes.

Lembro-me de no princípio do ano de 2025 se ter falado na possibilidade de se ter que racionar a água no Algarve dada a situação das albufeiras algarvias e de haver contestação pelos agricultores sobre a prioridade ao abastecimento do consumo nas habitações. Entretanto a discussão dissipou-se na presença de alguma precipitação no 2º trimestre e duma situação menos gravosa nas albudeiras algarvias.

Há pouco vi no linkedin, num post de  José Pimenta Machado, Presidente da APA (Agência Portuguesa do Ambiente) este gráfico:

  

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Imageacompanhado por este texto: 

Embora as alterações climáticas sejam inegáveis, como se constata no interesse dos EUA em anexar a Groenlândia devido precisamente à redução da actual cobertura de gelo que facilitará minerações no futuro e ao aumento do trânsito marítimo no Ártico, ao mesmo tempo que nega essas alterações, o Sul de Portugal ainda não se transformou num deserto como se constata mais uma vez.                    

Em Setembro de 2019 escrevi um artigo sobre o abastecimento de água no Algarve ao longo das décadas em que passei lá as férias de Verão, descrevendo as enormes melhorias que tive oportunidade de observar.

Em Dezembro do mesmo ano fiz umas contas mostrando que na Europa Portugal é dos países que recebe mais àgua da chuva por habitante, embora de forma irregular, como se constata mais uma vez.

A albufeira da Bravura conseguiu finalmente aumentar significativamente o seu armazenamento.

Será de esperar que com tanta precipitação os níveis freáticos da região também aumentem bastante.

2026-01-30

Imersão em Van Gogh

 

Em mais um email com a Newsletter do magazine BeauxArts gostei muito desta imagem dum ambiente imersivo em que as pessoas da foto estão imersas num quadro de Van Gogh, como confirmei num anúncio duma exposição em Atenas

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Poderia ter sido tirada também numa pedreira em Baux-de-Provence que referi num artigo deste blogue em Junho/2025.


2026-01-26

A Energia Eólica no Mundo

 

O "World Economic Forum" de 2026 que ocorreu em Davos há poucos dias convidou o presidente Trump para participar onde, entre outras actividades fez um discurso de uma hora e meia.

Durante esse discurso falou durante algum tempo sobre os aerogeradores que estão instalados em muitos paises mas como fez afirmações por vezes ridículas, outras vezes falsas e ainda outras ridiculamente falsas, apresento a situação mundial da energia eólica antes das afirmações de Trump que deixei para o fim deste post. Os leitores apressados poderão saltar as duas tabelas numa primeira leitura, indo directramente para os disparates trumpianos.

Fiz um ponto da situação na Wikipédia  "Wind Power by Country" de onde retirei as duas imagens seguintes e depois as  tabelas.

A primeira imagem mostra rectângulos cuja área á proporcinal à quantidade de energia eléctrica produzida durante o ano de 2021 em cada país. Estes estão agrupados por "continente", Ásia, Europa, América do Norte, do Sul, Austrália e África.

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seguida da evolução desta forma de energia desde a sua viabilidade económica para produção de electricidade em larga escala que existe desde o ano 2000

  

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Mostro a seguir a produção em TWh ( 1 TWh são mil milhões de kWh, Portugal consome anualmente cerca de 50TWh de energia eléctrica)  por país, que estão ordenados por ordem decrescente, sendo os valores relativos ao ano de 2024 excepto quando sinalizado outro ano

 

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A China, grande produtor de aerogeradores, é também o que tem maior potência eólica instalada, produzindo cerca do dobro da energia gerada desta forma nos EUA. Portugal fica na 21º posição dada a sua pequena dimensão em relação à maioria dos paises que o precedem na tabela.

A seguir mostro a mesma tabela mas ordenada pela percentagem de energia de origem eólica em relação à totalidade da energia consumida nesse país nesse ano em que Portugal aparece em 4º lugar dada a elevada percentagem de energia eólica no nosso consumo de electricidade

  

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Quando a State Grid Corporation of China comprou 25% das acções da REN, Portugal era o 2º país com maior penetração de energia eólica do mundo, sendo o primeiro a Dinamarca. Parte do interesse na aquisição duma posição importante no operador da rede eléctrica portuguesa pela China residia na integração bem sucedida da energia eólica no sistema português.

O discurso de Trump em Davos está disponível no YouTube nesta gravação "Watch Trump's full speech at World Economic Forum in Davos" do programa "Face the Nation" da CBS News de cerca de uma hora e meia.

Existe uma transcrição completa deste discurso feita pelo Forum de Davos aqui.
 

Seleccionei dessa transcrição esta pequena parte do discurso sobre os geradores eólicos que no Youtube acima referido começa no minuto 17 no segundo 52 (17:52):

«...There are windmills all over Europe. There are windmills all over the place, and they are losers. One thing I've noticed is that the more windmills a country has, the more money that country loses, and the worst that country is doing.

China makes almost all of the windmills, and yet, I haven't been able to find any wind farms in China. Did you ever think of that? That's a good way of looking at it. They're smart. China's very smart. They make them. They sell them for a fortune. They sell them to the stupid people that buy them, but they don't use them themselves.

They put up a couple of big wind farms. But they don't use them. They just put them up to show people what they could look like. They don't spend. They don't do anything. They use a thing called coal, mostly. China goes with the coal. They go with oil and gas. They're starting to look at nuclear a little bit, and they're doing just fine. They make a fortune selling the windmills, though, and I think really, that's one that they wouldn't be surprised if it stopped. They were shocked that it continues to go. They were very friendly with me. They're shocked that people continue to buy those damn things. They killed the birds. They ruined your landscapes. Other than that, I think they're fabulous, by the way, stupid people buy them.

...»

Basicamente Trump diz que a China vende geradores eólicos que não prestam a europeus estúpidos mas que não os instala na China, tendo apenas um ou dois sítios com uns tantos modelos de geradores que não funcionam, tão só para enganar os compradores.

Fez-me pensar que estava a comparar a China com um vendedor de "banha de cobra" que eu parava para ouvir há uns 60 anos na Alameda D.Afonso Henriques no caminho do anexo do Areeiro para a casa dos meus pais em Arroios. Nunca lhe comprei nada mas a retórica dele era envolvente.

E fiquei a pensar porque terão convidado Trump para este Forum, onde eu julgava que se diziam coisas importantes, como por exemplo o discurso de Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá. Há uma grande heterogeneidade na qualidade das intervenções, julgo que o  Forum deveria ser mais exigente na qualidade dos participantes. 

Já ouvi dizer que é mais importante prestar atenção ao que Trump faz do que ao que ele diz. Mas nesse caso porquê convidá-lo para fazer um discurso?

 

 

2026-01-17

Greenland Defense Front

 

Entretanto na Groenlândia surgiu uma Frente de Defesa da Groenlândia juntando seres humanos a diversas espécies não humanas locais e mesmo um Monstro Groenlandês, prontos a defender o território de quem quer trazer poluição para aquela terra ainda razoavelmente limpa.

Este vídeo mostra alguns exercícios militares

 

 

 

 e vi-o neste post do Paul Krugman.

 P.S. no post anterior coloquei uma adenda classificando as minhas propostas de obviamente inúteis

 

2026-01-14

A Magna Carta e o fim da NATO



Transcrevo o resumo da IA do Google
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A Magna Carta (ou "Grande Carta"), selada pelo Rei João da Inglaterra em 1215, foi um documento crucial que limitou o poder real, estabelecendo que o rei estava sujeito à lei, e é considerada um marco fundamental para o constitucionalismo e os direitos humanos, protegendo direitos como o devido processo legal, julgamento justo e propriedade, influenciando o desenvolvimento da democracia moderna. Forçada pelos barões ingleses para conter os abusos do rei, esta carta estabeleceu princípios como a liberdade da Igreja, a proteção contra impostos excessivos e a proteção contra prisões arbitrárias, com cláusulas como a 39 e 40 que afirmam que nenhum homem livre será preso ou prejudicado sem julgamento justo, e que a justiça não será vendida, negada ou atrasada, ainda hoje vigentes.  
»

 Em 2015 os barões de Inglaterra fizeram o rei João selar este documento em que o seu rei reconheceu que estava sujeito à lei, como representado no artigo da Wikipédia na ilustração seguinte

  

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Attribution:
By James William Edmund Doyle / Edmund Evans - Doyle, James William Edmund (1864) "John" in A Chronicle of England: B.C. 55 – A.D. 1485, London: Longman, Green, Longman, Roberts & Green, pp. p. 226 Retrieved on 12 November 2010., Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=12046373


Uma vez que o presidente dos EUA tem ignorado todos os tratados internacionais livremente aceites pelas diversas instituições desse Estado que o antecederam, parece-me que a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) só poderá permanecer se o actual presidente dos EUA reconhecer formalmente as suas obrigações como aliado dessa organização.

Continuar a considerar que a NATO existe sem esse compromisso seria renegar a conquista feita há séculos pelos barões ingleses contra as arbitrariedades do seu rei, e por tantos outros povos de estados membros da OTAN com a passagem das monarquias absolutas a constitucionais, ou mesmo a repúblicas em que todos estão sujeitos à lei.

Poderia ser com uma cerimónia na sede da OTAN em Bruxelas em que o presidente Trump mostrasse para a TV a sua assinatura de aceitação das normas da Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou então noutro sítio a combinar mas sempre com cobertuta televisiva.


Adenda: claro que estas minhas sugestões são inúteis, como dizia alguém, palavras são coisas que se esquecem, papéis são coisas que se rasgam, vídeos são coisas que se alteram e fabricam com facilidade. Qualquer tratado assinado pelo ainda presidente Trump não tem qualquer valor.

2026-01-13

Liu Jiakun - Prémio Pritzker de 2025

 

Acontece-me com frequência guardar algumas imagens que considero notáveis mas que por variados motivos têm a sua publicação adiada. Este hábito, que tem a pequena vantagem de melhorar a selecção do que aparece neste blogue, tem sido acentuado pela actuação do POTUS (President Of The US) e seus capangas.

Mas, parafraseando Jorge Sampaio, há vida para além do POTUS, e vou aqui abordar outro tema, enquanto recomendo os artigos de Economia Política do Paul Krugman sobre as irracionalidades político-económicas destes "novos" tempos (que na realidade são bastante antigos) no seu blogue "Paul Krugman no Substack".

O arquitecto chinês Liu Jiakun que ganhou o prémio Pritzker da Arquitectura de 2025 nasceu em 1956 em Chengdu, uma cidade com 21 milhões de habitantes em 2020, capital da provincia Sichuan, actualmente a quarta mais populosa cidade da China.

Entre os seus 10 e 20 anos de idade viveu na "Revolução Cultural Chinesa (1966-1976)", fenómeno político criado por Mao-Tsé-Tung para recuperar o poder que em parte perdera e que ao mesmo tempo criou uma geração com uma muito elevada percentagem de analfabetos e ondas de ódio e de inveja contra dirigentes e técnicos especializados, perante as quais as redes sociais da internet figurariam quase como brincadeiras de crianças.

Uma pessoa que passou os anos em que deveria ter dedicado boa parte do tempo ao estudo na Revolução Cultural Chinesa e que consegue obter o prémio Pritzer de Arquitectura tem que ser uma pessoa ainda mais excepcional. 

Gostei desta imagem que consta duma espécie de condomínio com a dimensão dum quarteirão grande (West Village, Chengdu), projectado pelo atelier de Liu Jiakun, em que os diversos apartamentos se distribuem em U por 5 pisos (dos quais um térreo)

 

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com rampas suaves no lado aberto do U permitindo o trânsito cómodo de bicicletas entre os vários pisos e caminhadas ou corridas sem necessidade de sair do quarteirão. No centro tem áreas de jogos e algumas culturas de vegetais que parecem também existir nas coberturas.

À noite tem este aspecto

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No site https://www.pritzkerprize.com/laureates/liu-jiakun acima referido existem numerosas fotografias de projectos deste arquitecto.

Do sítio archdaily.com referindo Lia Jiakun retirei as imagens a seguir:

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esta do "Songyang Culture Neighborhood" em que conjecturei que as figuras humanas que ficaram na fotografia foram postas lá de propósito para fornecer uma escala humana à obra arquitectónica e ao mesmo tempo dar umas pinceladas de côr como o vestido vermelho e a camisola amarela duma criança, finalizando com um casal a procurar a privacidade dum terraço.

As minha suspeitas sobre a encenação de fotografias com cenas aparentemente naturais foram muito tardias e referi-as neste e neste post.

Gostei ainda desta ponte

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no "Suzhou Museum of Imperial Kiln Brick" (Museu de Fornos Cerâmicos Imperiais em Suzhou).

Por coincidência iniciei agora a leitura da "sequela " do livro "Cisnes Selvagens" de Jung Chang uma chinesa também nascida em Chengdu, em 1952, apenas 4 anos mais velha que o arquitecto Liu Jiakun.
 

2025-12-29

A Queda de Ícaro

 

A BBC seleccionou fotografias notáveis feitas em 2025 e associaram outras imagens a cada uma delas.

Gostei desta intitulada "A Queda de Ícaro", 

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uma foto tirada pelo astrofotógrafo  Andrew McCarthy a um amigo paraquedista  que fez uma queda livre para proporcionar uma foto dum "Trânsito Solar", mais frequentemente usado para designar a passagem dum planeta interior (Mercúrio ou Vénus) entre o Sol e a Terra ficando o planeta como um círculo escuro contra a imagem do Sol, mas designando também o trânsito de qualquer objecto interposto entre o Sol e a Terra, como por exemplo a Estação Espacial Internacional ou o vaivém Atlantis e neste caso um paraquedista em queda livre.

O texto da BBC refere que é muito difícil obter uma fotografia dum evento deste tipo. Pensei um bocado sobre este assunto, noutros tempos teria impresso a foto e medido o diâmetro aparente do Sol e a altura do paraquedista para obter a razão entre os dois. Agora coloquei a imagem no Powerpoint e coloquei dois segmentos de recta cujo tamanho anotei sobre a figura

 

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Sabendo que o diâmetro aparente do SOL é cerca de 32 minutos de grau e que a razão entre este e a altura aparente do paraquedista é 1/16.5 concluímos que o ângulo do homem é 1,94 minutos de grau. 

Considerando a presumida altura real de 2m do paraquedista o ângulo de 1,94 minutos implica que a foto seja tirada à distância de 3549m. A esta distância a imagem do Sol seria como um círculo de 33m, quer dizer, se colocássemos verticalmente um círculo com 33m de diâmetro a 3,5km da máquina fotográfica esse círculo teria o mesmo tamanho que o Sol. A distância de 3,5km parece razoável para as teleobjectivas disponíveis no mercado.

Depois de verificar no AI do Google que: "A velocidade mínima para pequenos aviões varia muito, mas modelos como o Cessna 152 voam a cerca de 79-88 km/h" fiquei a pensar que um paraquedista teria enorme dificuldade em saltar de uma avioneta a 90km/h para "acertar" num "poço virtual vertical" com um diâmetro de 33m.

Antes de declarar como inverosímil que a fotografia fosse tirada de uma queda a partir de uma avioneta lembrei-me que o paraquedista se poderia ter lançado de um helicóptero. O voo para o lançamento seria mais caro do que usando uma avioneta mas acessível para quem se dedica a voos em queda livre.

O astrofotógrafo poderia assim calcular a hora do dia e a localização precisa, latitude, longitude e altitude em que o helicóptero deveria estar no momento do salto. Neste caso poderia até ter uma confirmação visual em Terra da posição do helicóptero. 

Ficava então "apenas" com a captação de um movimento acelerado em direcção à Terra que dizem atingir o seu máximo de 200km/h ao fim de 12 segundos, a que corresponde o valor de 56m/s. A esta velocidade os 33m de diâmetro do Sol acima referidos seriam percorridos em cerca de 0,5 segundos. Seria prudente tentar a foto imediatamente a seguir ao salto do helicóptero em que a velocidade de queda não é tão elevada. Por curiosidade aprendi que com o paraquedas aberto a chegada ao solo se faz a ~20km/h ou 6m/s.

Temos finalmente que esta foto poderia ser tirada numa altura relativamente próxima do nascer do Sol mas segundo a AI do Google: "...a altura mínima para abrir um paraquedas varia, mas em saltos de paraquedismo recreativo (tandem), é comum abrir-se a cerca de 1500 metros...". Provavelmente para uma queda livre sem ser em tandem os valores poderão menores do que os 1500m, mas será necessário dar algum espaço ao paraquedista para abrir o paraquedas depois do instante da foto.

Depois de todas estas considerações parecer-me-ia muito mais simples tirar uma foto do Sol, o que seria fácil para o astrofotógrafo, aproveitar uma dos milhares de fotos de paraquedistas em queda livre transformando uma delas numa silhueta preta e justapô-la à foto do Sol com um programa simples de manipulação de imagens

Mas percebo que para astrofotógrafos e paraquedistas se tratou dum desafio para quebrar a monotonia de algumas tarefas profissionais, tal como esta minha pequena investigação bastante inútil sobre este fenómeno curioso, mesmo a mim que já não tenho tarefas profissionais.

Espero não me ter enganado nas contas, o que costuma acontecer com bastante frequência.

 

Voltando agora à imagem que a BBC associou a esta foto trata-se dum esboço de Peter Paul Rubens (1577-1640, quase coincidindo com a dinastia dos Filipes em Portugal) sobre o Mito de Ícaro, em que um filho não segue os avisos do seu pai com consequências funestas, o pai deve estar a dizer "eu bem te avisei".

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No artigo da Wikipédia sobre o mito de Ícaro aparece uma pintura de Jacob Peter Gowy que colaborou com Rubens fazendo, entre outras, uma pintura a partir do esboço de Rubens acima referido.

 

Achei graça a esta variante do mito de Ícaro, da pintora australiana Cynthia Breusche que referi em "Salvando Ícaro":

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2025-12-24

Feliz Natal e Bom Ano Novo de 2026

 

Um pouco em cima da hora venho desejar um Feliz Natal e um Bom Ano Novo de 2026 

Desta vez seleccionei um vitral com a Sagrada Família dum sítio da internet.

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Quando andava no 4º ano do liceu, equivalente ao agora 8º ano sugeriram que fizéssemos um vitral evocativo da época natalícia. Se tivesse visto este julgo que seria uma boa inspiração para fazer algo mais simples.

Na ausência de qualquer pista acabei por fazer a pintura em guache que mostro a seguir, onde já se nota a minha atracção pela geometria.

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2025-12-20

Origami Hexagonal

 

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Desde a infância que tenho feito dobragens de papel, as três formas que recordo melhor são as que mostro na foto ao lado.

O objecto que está mais à esquerda, uma caixa paralelipipédica, era muito usada antigamente nas pastelarias para empacotar produtos a consumir fora da loja.

Umas vezes as pastelarias compravam estes objectos já feitos, outras vezes eram feitos na própria loja usando folhas de papel de tamanhos normalizados em períodos de menor actividade.

Eram guardados dobrados, abertos com facilidade à medida que eram necessários. Foram substituídos por caixas de cartolina que também se abrem quando são precisas e são feitas em fábrica usando cola na sua confecção.

Em tempos usei uma folha excel com uma fórmula simples para calcular dimensões da folha de papel a usar para obter uma caixa com dimensões desejadas.

No lado direito em cima vê-se um barquinho que aguentava uns poucos minutos na água e que durante o processo de confecção passava por uma forma semehante aos bivaques que em tempos se usaram na tropa como chapéus.

Na direita em baixo estava um dispositivo onde se escreviam coisas e era usado num jogo infantil que não vou descrever, começando pela pergunta "Quantos queres?".

Omiti o clássico avião de papel que, por motivos que desconheço, nunca me ensinaram a fazer na infância e talvez por isso só agora me lembrei dele.

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Por volta de 2000 ofereceram-me um livro sobre como fazer vários origamis e ainda comprei um segundo livro sobre o mesmo tema.

Aprendi então, entre outros, a fazer os origamis da figura ao lado, a dobragem do origami no topo chama-se em inglês "Herringbone" por semelhança com diversos padrões que em tempos fizeram lembrar a disposição da espinha do arenque.

Em baixo, do lado esquerdo está uma cadeia tetraédrica de cuja construção fiz um filminho disponível neste post.

As duas aves são uma construção que aprendera ainda nos tempos de estudante e que recordei passados dezenas de anos, passando a fazê-las em vários tamanhos, designadamente com o papel do saco de açúcar de café, como mostrei neste post sobre "O sentido da vida".

Em Agosto deste ano vi no New York Times um artigo sobre um novo tipo de origamis usando figuras elementares que se repetem quando sofrem uma rotação.

Além da sua beleza, poderão ser úteis em satélites em que os painéis fotovoltaicos deverão ocupar um volume mínimo na viagem da Terra até ao momento em que se devem expandir para passar a fornecer energia.

O vídeo está disponível neste link do N.Y.Times.

Gostei de ver a transformação da forma inicial na forma final do vídeo referido que passo a mostrar


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Apeteceu-me fazer uma pequena folha Excel para imprimir em papel as linhas do Origami. Para não sobrecarregar o gráfico optei por traçar apenas as linhas dos "vales" (dobragens côncavas) deixando implícitas as dos montes (convexas). O ficheiro Excel tem este aspecto

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Clicando na imagem vê-se melhor o conteúdo. O ficheiro está disponível aqui. Se aceder o ficheiro ele é aberto pela aplicação "Sheets", que não produz o gráfico, mas se for descarregado poderá ser aberto pelo Microsoft Excel, onde o gráfico aparece correctamente.

Fiz uma variação do gráfico com fundo preto para mostrar melhor neste blogue:

 

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Os vales consistem em 4 séries do gráfico, cada uma com 6 segmentos de recta coloridos. Os limites interior e exterior são feitos por dois hexágonos com rectas brancas usando 2 séries do gráfico.

Dobrar este origami revelou-se bastante difícil, passei por uma fase em que quase desisti mas finalmente consegui:

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Depois indicaram-me que este tema estava a ser tratado por Larry Howell, académico da universidade Bringham Young University que tem um sítio na internet: https://www.larryhowell.org/

Vi uma referência a um artigo bastante completo sobre este tema intitulado "Bloom patterns: radially expansive, developable and flat-foldable origami" de Zhongyuan Wang, Robert J. Lang, Larry L. Howell Corresponding Author,  publicado pela Royal Society, descarregável em ficheiro pdf.

Dele copiei estas sugestivas imagens:

 

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e esta, mais explicativa na decomposição de elementos: 

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