O actual Irão tem boa parte do seu território com características de deserto com grandes cidades por ele espalhadas com poucas vegetação entre elas, uma espécie de arquipélago de cidades sobre um deserto.
Nessas cidades destacam-se Teerão, a capital desde 1795, com 9,8 milhões da habitantes em 730km2 e 16 milhões na área metropolitana e a cidade de Isfahan com 2,2 milhões em 550km2 e 4 milhões na sua área metropolitana, foi desde há muitos anos uma cidade importante tendo sido a capital em vários períodos dos quais se destaca o reinado do xá Abas que reinou de 1587 a 1629.
Em comparação Lisboa tem 540 mil habitantes numa área de 100km2 e uma área metropolitana com cerca de 2 milhões.
No centro de Isfahan situa-se a praça Naqsh-e-Jahan e fiz neste post uma comparação das dimensões do Terrreiro do Paço em Lisboa, da Praça da Concórdia em Paris, dos pátios interiores da Cidade Proibida em Pequim, da Praça de Tian-An-Men (天安门) em Pequim e desta praça de Isfahan que mostro a seguir
O eixo maior da praça tem uma orientação quase exactamente Norte-Sul, como se constata na “bússola” no topo direito da imagem tirada do GoogleEarth
Clicando na imagem ela aparece maior, sendo possivel ler uma indicação (um “pin”) de um monumento no lado Oeste da praça, o Palácio Aali Qapu que mostro aqui ao lado, que a wikipédia informa ter sido inscrito pela UNESCO juntamente com a praça como Património Mundial que foi danificado num bombardeamento próximo, conforme relatado nesta notícia do jornal New York Times.
Em frente deste palácio está o lago da praça (em tom turquesa) e no lado Leste está a mesquita Lotfollah, também fazendo parte do Património Mundial, reservada para a corte, com um acesso subterrâneo a partir do palácio.
No lado Sul está a Mesquita do Xá (Xá Abbas) que introduzo com um texto em que refiro o controlo pelos portugueses do Estreito de Ormuz durante mais de um século:
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Uma forma fácil de arranjar imagens menos comuns é fotografar lugares pouco frequentados pelos vizinhos, embora assim se corra sempre o risco de transformar um blogue de imagens com texto num blogue de viagens. Mas a mesquita mandada construir pelo Xá Abbas em Isfahan vale bem esse risco.
Esse Xá, que construiu a cidade de Isfahan como sua capital, colocava muita pressão nos seus colaboradores, motivo pelo qual se disfarçava por vezes de mercador para indagar junto da população qual a opinião sobre a sua governação.
Foi ainda esse Xá que, com o auxílio dos ingleses, obrigou os Portugueses a abandonar em 1622 o forte construído por Afonso de Albuquerque em Ormuz entre 1507 e 1515 que, juntamente com o forte de Mascate referido aqui, controlava a entrada do Golfo Pérsico.
Mas aqui em Isfahan, na praça de Naqsh-e Jahan, promoveu a construção de uma mesquita maravilhosa, desenhada pelo arquitecto Ali Akbar Esfahani. Aqui ao lado mostro o portal da entrada da mesquita na praça,
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Fiquei tão deslumbrado com a mesquita que ainda fiz um segundo e um terceiro post sobre ela.
No artigo do New York Times acima referido informam que alguns mosaicos desta mesquita foram danificados devido a bombardeamento por Israel de um edifício governamental próximo.
Mostro três exemplos da cerâmica dessa mesquita, há mais nos posts referidos acima
O facto das duas mesquitas da praça não estarem alinhadas com os limites da praça deve-se à necessidade de as orações deverem ser feitas na Quibla (direcção de Meca) como referi neste post , o Mihrab nas mesquitas deve indicar a direcção de Meca e não a de Jerusalem como era hábito no eixo das igrejas mais antigas como era o caso na igreja de Santa Sofia em Constantinopla actualmente Istambul.
Houve ainda mais dois itens do Património Mundial da UNESCO afectados que irei referir num post posterior.
Acabo este post com um vídeo de Cristobal Vila com uma animação sintética inspirada pela arquitectura de Isfahan
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