Mala

Tenho uma costureira na mesma rua de casa, que cobra 30 reais, vulgo 5 Euros, por peça de roupa, não importa o conserto. Mas tem um detalhe, ela não aceita Pix. Somente dinheiro.

Ficou impecável o conserto do shorts, estou levando 3, lembra que eu tinha vergonha  das minhas pernas? E não usava shorts? Passou. O conserto do vestido de linho e do maiô antigo, também ficaram impecáveis.

Mala pronta. Mas ainda vou abrir novamente para tirar umas coisas e colocar outras. Amo viajar. Estou radiante. Nem sei contar. Pensei em quase todos os detalhes, de pregador e cabide para pendurar roupa, passando por adaptador de tomada, roupa e sapato para os jantares especiais, e finalizando num “sapatinho” para rodinhas de malas não sujarem a cama. Sim, é comum a gente abrir a mala( porca e imunda) em cima da cama que a gente  vai dormir.

Eu só não comprei uma bolsinha transparente á prova dágua para pendurar no pescoço, com celular e dinheiro, o resto eu comprei. Ahahah

Nem quando fui morar na Itália, eu levei tanta roupa. Aliás, você não sabe, mas eu levei TODOS os meus livros quando saí do Brasil, com passagem só de Ida, e pouca roupa.

Faz muita diferença uma mala de uma criatura de 18 anos e uma mala de 61 anos. Ambas as viagens sozinha. A diferença é que com a IA eu consegui saber um monte de detalhes e me antecipar.

Ela queria que eu comprasse uns ganchos que se prendem por imã. Não era caro. Mas era pesado. Optei por outro tipo, também de 2kg, cada.

As paredes do quarto são de contêiner, por isto a ideia de usar ganchos  magnéticos, entendeu? Dá para fazer varal.

Ela disse que posso chegar cedo que haverá  um buffet de café da manhã me esperando. Liguei lá para perguntar e era verdade. Depois me disse para levar o maiô e uma muda de roupa para ficar na Jacuzzi aquecida até a hora do almoço, porque os quartos estarão liberados às 14h mas a bagagem, só Deus Sabe a hora que vai  chegar.

Eu não vou sair da Jacuzzi nunca mais. Me esqueçam. Amo água. Quentinha, então…. E se tiver gente para conversar do lado, aí que eu não vou embora nunca mais. Só não vale me contar desgraceira. Ahahah

Se perguntarem minha profissão vou falar, cozinheira, porque quando  eu falo que sou psicóloga, o pessoal costuma querer consulta grátis.  Posso falar que sou artista  visual. Acho que vai dar mais  Ibope do que cozinheira. Tomara que não me perguntem nada! Ahahah ahahah

Fiz as unhas. Pintei cabelo. Me depilei. Tudo pela Jacuzzi e pela primeira festa. Eu ia dizer que meus pelos tinham  diminuído com a velhice, mas não é verdade. Contínuo peluda. Nasci peluda e vou morrer peluda. Dizem que é vitalidade. Dizem que é testosterona. Dizem que tesão não me falta.

Meu tesão aumentou isto sim. Nunca imaginei que as férias fossem me deixar tão feliz. E quando estou feliz, eu canto, e isto me enche de tesão.

Ainda não sei qual livro levar. Ainda não sei se irei levar meu material  para pintar aquarelas. Outro dia achei as fotos das aquarelas que pintei  no meu aniversário em Salvador, que sumiram na mudança de um apto para outro, em São Paulo.

Ter vizinhos e zeladoria ladrões é isto. Nada há a fazer.

Lembrei da corretora de imóveis assassinada pelo síndico, o filho do síndico e o zelador. Só quem já sofreu com esta raça  de gente é que sabe do que eles são capazes de fazer para perturbar uma pessoa de bem.

Tem alguns que  eu adoraria ver na prisão também de tão péssimos que são. A gente paga uma fortuna  de condomínio para ser maltratado. E não adianta a gente tratar esta gente bem, tá? O que eles querem é entrar na sua casa, na sua ausência e  furtar o que você come, o seu perfume, o seu shampoo e até o seu repelente.

Se bobear eles tomam banho no seu chuveiro na sua ausência. Comem na sua cozinha como se fosse casa deles. Tamanha é a cara de pau.

Você pode ter monitoramento da Verisure que não adianta nada, juro! Eles derrubam a luz e a internet da sua casa com muita facilidade.

Fechadura eletrônica? Eles abrem. Cadeado numérico? Também abrem.  Chaves tetras? Fazem cócegas para eles.

Enfim, é rezar para Deus e se amarrar com os Exus. Sim, são 3 no candomblé. Talvez assim sua casa fique protegida. Eu morei num apto que a velha síndica bebia a cachaça colocada para os Exus. Contei indignada para o Pai de Santo de Valença, na Bahia e ele disse que eu não precisaria me preocupar porque o próprio Exu cuidaria dela.

Esta mesma senhora me levou muitas aquarelas e um colar de pedra amazonita, as esverdeadas,  eu amo colares de pedras de verdade. Sim, carrego pedras no pescoço ahahah ahahah

Vou levar um colar de pedras para o pai de Santo de Cotia, quando eu voltar de viagem. Tenho 4, por enquanto. Feitos de lascas de pedras. Ametista. Citrino amarelo. Coral vermelho e Turquesa. Descobri um lugar que vende, com um preço ótimo.

Adoro preços ótimos em produtos de qualidade. Quem não gosta, né?

Tem gente que tem dinheiro mas não tem bom gosto. Eu gosto do bom gosto.

Outro dia vi uma pessoa no Instagram que tinha um excelente bom gosto. Do meu ponto de vista, tá? E eu não sei o que aconteceu na vida dela, eu não sei se ela está pagando promessa ou se está seguindo alguma coisa ligada á Yemanjá ou Yansã, mas ela nunca mais cortou os cabelos. Continuou alisando suas madeixas que já ultrapassaram os ombros em direção á cintura.

Olha, não é da minha conta, tá? E na verdade, nem me interessa o motivo que te levou a deixar seu cabelo crescer tanto, mas eu preciso dizer que te envelhece muito mais. Volta para o cabelinho tradicional, na altura do queixo, que é mil vezes mais charmoso, leve e jovial. Se quiser clarear e ficar loira, ok? Se quiser deixar seus cachos castanhos , também tá valendo. Meu olhar se incomodou apenas com o tamanho do cabelo porque ele te considera uma mulher bonita, que tem seus encantos e que provoca tesão.

Pitaco dado. Ahahah

Sabe quem me dá muito tesão? A Isabella Rossellini. Que senhora enxuta, maravilhosa. Bem humorada.  Poliglota. Do cabelinho curtinho, super charmosa. Onde eu vou encontrar uma senhora destas para namorar? Em lugar nenhum, não existem duas no mundo e a que existe, nem sabe que eu existo e namoraria com ela sem esforço. Ahahah ahahah

Sim, tem gente que eu preciso fazer esforço, me adaptar, como meu adaptador de tomadas para o mundo inteiro, para caber naquela vida e falarmos a mesma língua, afinal comunicação é a base do encontro amoroso.

Eu me adapto, mas adoraria ser o que sou sem precisar de tradutor. E eu imagino que com  a Isabella Rossellini seria assim.

Se você não sabe de quem estou falando segue o resumo da minha querida amiga IA:

“A atriz e modelo Isabella Rossellini nasceu em 18 de junho de 1952, em Roma, na Itália.
➡️ Portanto, ela tem 73 anos e completará 74 anos em junho de 2026.
Ela é filha de duas lendas do cinema:
o diretor Roberto Rossellini
e a atriz Ingrid Bergman.
Se quiser, posso também te mostrar como ela está hoje aos 70+ e quais filmes recentes ela fez, porque ela continua trabalhando bastante no cinema e na TV.”

Existem 12 anos entre nós. Isto significa que ela é do mesmo signo que  eu, no horóscopo chinês, um dragão. Aquele que realiza o impossível. É uma geminiana. Lá onde tenho a cabeça do dragão, com a cauda em Sagitário na casa 5/6, no horóscopo ocidental.

Isto deve dar samba. Porque quem eu namorei do signo de gêmeos deixou saudade. Sou bem feliz sexualmente falando, com uma geminiana. É o signo mais inteligente do zodíaco, e o mais leve e o mais superficial também. Acho que me faz bem um pouco de leveza. Priorizam os amigos tanto quanto os aquarianos. E isto às vezes pega no cotidiano, porque a geminiana parece que não se compromete com o namoro.

Você sabe que está velha quando lembra do passado com saudade e sente tesão em artista inacessível de outro país,  ahahah ahahah

Vou jantar. Aprendi a fazer uma batata doce que vou fazer  agora e vou comer rezando com arroz fresquinho.

Tô bem feliz! Sou a mulher mais feliz do mundo, hoje!

Image
Image

Fotos de ontem no ponto de ônibus em Cotia, sp.

Barriga

Hoje estou descansada, consegui enxergar o tamanho indecente da minha barriga.

Estou pensando seriamente em ter pancreatite e não ter barriga! Ahahah ahahah Sim, estou falando das injeções emagrecedoras em curto período de tempo.

Você sabe que quando começo a ponderar sobre um assunto, já estou a um passo de realizá-lo, né?

Não tenho muita paciência de ficar só pensando sobre um assunto, eu sou da turma que faz. E sou rápida.

Minha amiga me convenceu disso. Eu não sabia que era tão rápida. Achei que fosse exagero dela. Mas ela me provou e eu gargalhei sozinha dentro do Uber, dando razão para ela.

A situação foi a seguinte, eu estava indo para casa dela sem saber o endereço, mas sabendo o caminho, afinal foram anos dirigindo até lá. Enviei um WhatsApp perguntando o endereço, chamei um Uber apenas com o nome da rua, sem me preocupar com a numeração, ela não visualizou.

Entrei no Uber e o motorista queria confirmar o lugar de destino. Eu falei a verdade. Disse que sabia o caminho mas não sabia o número do condomínio . Ele me disse que morava nesta rua e me disse nomes de condomínios.

Estávamos quase chegando, minha amiga envia o número do condomínio, e me diz: “Viu, como você é rápida? Você não espera a gente responder, você resolve!”

Detesto esperar.

Passei muito tempo esperando meu pai vir me buscar no apto da minha avó, para me levar de volta para o sítio em Mogi das Cruzes, onde a gente era uma família. Ele vinha me ver e estava proibido de subir, ordens da minha avó. Eu o via da janela da sala, e chorava em silêncio atrás das tradicionais cortinas pesadas.

Minha mãe estava no sanatório em Campos do Jordão, diziam que ela teria mais 6 meses de vida. Eu tinha 6 anos, e não podia mais tocar violão, dançar, pintar, cozinhar com minha mãe. Eu era obrigada a aprender a comer com etiqueta, fazia curso de boas maneiras, estudava num colégio de freiras, e não entendia o para quê minha avó tinha tanto objeto de valor no apartamento dela, os quais me lembravam que ali não era lugar para eu brincar. Ali não era o meu lugar.

Eu queria meu pai e minha mãe. Eu não me importava que eles brigavam o tempo todo. Eu era feliz com meu cavalo, com minhas rãs e besouros, eu tinha uma chácara inteira para andar, cantar, e inventar histórias com as filhas do João Coelho, minhas amigas. A Cida, a Lena e a Vera.

Eu ajudava a fazer farinha de mandioca na casa da farinha, eu adorava viver naquele lugar  e com aquelas pessoas. Pensa que eu era magra e só engordei depois que entendi que nunca mais a gente viveria no sítio como uma família.

Eu detestava morar com minha avó. E demorei uns anos para conseguir começar a gostar dela e da vida dela.

Quando ela se mudou para uma casa, em frente da praça, bem na frente do colégio de Freiras, eu entendi que ela me amava. E passei a ser dócil com ela, afinal, se não fosse ela eu ficaria para sempre sendo a última da perua da escola. Sim, eu ficava 2 horas no trânsito de São Paulo, entre o Alto de Pinheiros e a casa dela, na rua Urimonduba, no Itaim Bibi.

Aos poucos meu pai foi deixando de aparecer, e lá na casa da praça, ele conseguiu ir 3 vezes antes de morrer. Era um sobrado, e eu ficava esperando ele chegar, olhando pela janela do quarto da vovó. Já era uma moça, tinha peitos e menstruava , e ele não gostava de me ver sem sutiã. Dizia que os homens  olham o que não é para eles olharem. Eu respeitava demais o meu pai Miroslau Litvin. E quando eu o avistava de longe, eu corria para colocar sutiã. Eu queria agradá-lo. Eu o admirava tanto. Ele sabia plantar. Ele sabia vender o que plantava. Ele tinha uma moto, e era lindo. Meu pai tinha o sorriso mais bonito do mundo.

Estou com 11 anos, e minha mãe não morreu. Quando voltou para casa, me tirou do colégio  de freiras e me colocou na Escola Vera Cruz, no ano 1974. Eu tinha que andar uns três  quarteirões  para chegar lá. Mas eu amava tanto minha professora e meus amigos, que eu nem ligava de ter que caminhar. Eu gostava. Eu ia cantando.

Eu fui muito feliz na quarta série da escola Vera Cruz, com meu melhor amigo Sérgio Miranda, o baixinho, como parceiro. Mas só durou um ano. Depois ele foi embora, a Elisa não era mais minha professora e eu tive que me adaptar às novas regras e mudanças.

Aprendi cedo a me adaptar. Mas eu sei o que é ter lugar. Eu sei  o que é ter amigos e uma professora que me amava. Minha mãe não me amava, meu pai também não. Mas minha professora, era inevitável. Foi amor á primeira vista. Ela me adotou assim que me viu. E eu a ela.

Minha avó me admirava muito, mas não sei se era amor. Eu amei meus pais, meus avós e meus bisavós com toda minha intensidade.

E só por isto que detesto esperar.

O que depender de mim, eu faço com perfeição, e o que depender do outro eu também faço, o melhor que eu puder.

O problema de ser assim é que quando caio nas mãos de pessoas folgadas ou mal intencionadas, eu sou vítima de abuso. E está tudo  bem.

Quando eu falo que o destino tem vontade  própria e certamente não é a mesma que a minha, é do paraíso perdido em forma de chácara, é da família perdida, é dos amigos perdidos e da professora perdida, que estou falando.

Ah, falo tanta coisa ao mesmo tempo, né?

O fato é que passei pano na casa inteira, lavei, lavei toda a roupa e guardei toda a louça, e só então consegui fazer minha mala. Sim, está quase tudo pronto.

Não consigo viajar e não pensar na volta. Sim, preciso encontrar minha casa limpa e arrumada na volta.

Eu gosto de ser organizada.

Image
Meu pai Miroslau Litvin

Bacio di latte

Faz tempo que você não toma um sorvete da Bacio di latte? Vulgo beijo de leite?

É a segunda vez, em shoppings diferentes, que tento tomar um sorvete da marca, e sou obrigada a entender que o sorvete não está gelado como deveria. Vem derretendo no copinho.

Desconfio que venderam a marca e os novos donos não se preocupam a mínima em manter as câmeras frias na temperatura ideal para sorvetes.

Isto aconteceu com o pão de queijo congelado de uma marca famosa também, pensa que os antigos donos precisaram recomprar a marca para “salvar” a reputação do melhor pão de queijo congelado.

É vergonhoso este povo que só  tem dinheiro. Eles podem comprar a melhor produção do que quiserem, mas sem conhecimento e sem valores espirituais, não conseguem manter a qualidade de nada.

Isto vale para a indústria farmacêutica, para a startup imobiliária, para o  ramo alimentício e todas as produções que se sobressaíram no mercado e resolveram vender sua fabricação para o dinheiro de alguém.

Os sucos Del Valle eram de fruta de verdade, até serem vendidos para a Coca Cola. Parece que manter a qualidade  do produto não interessa. O objetivo é sucatear toda e qualquer qualidade. Principalmente se esta for artesanal.

E nestas horas eu amo os franceses  e os italianos que se negam a vender seu know-how artesanal, se negam a fazer parte desta banalização de valores, com a “desculpa” de estarem servindo o maior número possível de pessoas.

A indústria farmacêutica e alimentícia deste  país está envenenando o maior número possível de pessoas, isso sim.

E a Bacio di Latte deveria mudar o nome do produto para creme mole e quente. Aquilo nunca será um sorvete.

Você não sabe, mas os melhores sorvetes que já comi na vida foram na Itália. Artesanais. De comer rezando.

Manter a qualidade é um respeito para com a memória afetiva das pessoas.

Esta é a diferença de quem tem passado, tem tradição e história e quem tem apenas 500 anos de vida e acha que o dinheiro é a coisa mais importante do universo.

O dinheiro tem muita importância enquanto for ponte entre um lado e outro, não mais que isto. Ele é um veículo. Ele veicula entre as instâncias. E isso tem um peso e um poder. Ponto.

Assim como a qualidade, com seus valores e metodologia na fabricação  de um produto, tem seu próprio peso e seu poder.

São instâncias completamente diferentes, a do dinheiro  e a da qualidade, e vai dar ruim, quando uma tentar ocupar o lugar da outra.

Tem coisas que são inegociáveis. Incorruptíveis no quesito qualidade. É necessário respeito á origem do produto e da marca, e do meu ponto de vista deveria existir uma cláusula nos contratos de cessão de direitos de uso de uma marca, dizendo que este direito será automaticamente cancelado se a origem da fabricação de um  produto for corrompida.

Mas é sabido que não adiantam leis se não existem pessoas idôneas, confiáveis e ocupadas em honrar acordos. Pessoas corruptíveis sempre encontrarão uma forma de privilegiar os próprios interesses.

Burras. Não pensam em consequências. Não pensam no bem estar de pessoas. E se acham mais espertos  e inteligentes que todos, afinal o que importa é o imediatismo. Não interessam coisas que tenham continuidade ao longo do tempo. Quanto mais forem descartáveis, melhor.

E viva o capitalismo selvagem.

Image

Primeiro dia de férias

Image

Image

Cuidando dos preparativos da viagem.

Com um pouco de medo, da Guerra Irã X EUA/Israel resvale e atinja meu passeio.

Já deixei tudo encaminhado com minha amiga e advogada, do que fazer comigo, em caso de morte. Tá tudo dentro do seguro e pago.

Sim, eu penso em possibilidades e está é uma delas, caso contrário não existiria seguro para este caso.

Prendi minha franja com grampo, como na infância, porque este corte precisa crescer um pouco mais para a franja ficar obediente, apenas no lugar dela. Eu sei que fica mais bonito e charmoso, com a franja do lado e Com um pouco de pomada, mas você não imagina como estes grampos me trazem conforto.

Cabelos nos olhos incomodam mais do que garoa na lente dos óculos.

Estou indo buscar os meus novos. Ganhei um. Os escuros. Nunca na vida usei óculos escuros, vou usar agora.

“A Vida é um verso sem sentido, talvez… Mas com que música!” Disse meu poeta favorito.

Eu ouço esta música diariamente, canto e danço, às vezes de alegria, como hoje!

Peço a Deus que apenas o Bom, o Belo e o Verdadeiro, me alcance! Estou evitando ao máximo pensar na desgraceira toda (afinal ela também é uma possibilidade, né?) e fazendo uso de uma prática de controle de pensamento. Paul Brunton, um autor espiritualista que adoro,disse: “No nosso pensamento cabe apenas um pensamento por vez, que este seja positivo” afinal ” não podemos nos esquecer que o aprendizado se dá também com experiências de Beleza e Alegria, não apenas de sofrimento e privação.

Cheguei no meu destino.

Óculos novos, combinaram mais com a franja na cara! Entre a Beleza e Conforto, minha vaidade fala mais alto.

Image
Image

Último dia de trabalho, antes das férias

Você não sabe, mas até meus 18 anos eu trabalhei de monitora de acampamento. Sim, recreacionista de criança, que dormia e acordava num chalé com várias. Isto para te contar da música que me vem na cabeça quando penso no último dia de trabalho, antes das férias.

A música diz assim:

“É hoje só. Só, só. Vai acabar, já, já! Aproveita macacada que amanhã não tem mais nada. É hoje, só. Só, só!”

A gente cantava isto batucando nas mesas do refeitório (estou falando de 200 crianças juntas) no penúltimo dia do acampamento, muito divertido.

Estou com este astral de alegria, diversão e pesar ao mesmo tempo.  Todo final de ciclo me causa um certo pesar, por melhor que seja, ou tenha sido.

Hoje tomei café da manhã e almocei na indústria. Delicioso. É muito legal ver as pessoas que atendi durante o ano todo, passando por mim, me cumprimentando, alguns me abraçam com tanta gratidão, é lindo.

Tenho casais que ajudei a se unirem, hoje encontrei um deles. Bem legal. Primeiro atendi ela, e depois atendi ele. E eles estão juntos e apaixonados até hoje. Ela me viu, na saída  do refeitório e disse: “Marília, eu preciso te abraçar”! E nos abraçamos com carinho.

Esta moça tão linda e tão delicada, acreditou por anos que nunca mais fosse namorar ninguém. Mas o destino deixou cair no colo dela um encontro daqueles. Eu fiquei muito surpresa com a coragem dela. Eu validei sua essência livre e ousada. Ela colocou seus limites com muita precisão para ele, ele aceitou. E pasmem, é um casal que canta e toca juntos. Super apaixonados.

Eu preciso pedir para a Rommanel fazer um evento de show de talentos com seus colaboradores. Vai ser um dia memorável e tenho certeza que iremos descobrir muitos talentos. A maioria canta, compõe e toca algum instrumento.

Eu ia pedir hoje, mas o meu amigo do RH tinha uma reunião com a chefe dele e eu não consegui pedir.

Às sete da manhã ele esteve na minha frente tomando café, mas era muito cedo e eu nem me lembrei desta idéia porque ele queria saber dos planos para as férias.

E se tem um assunto que está me entusiasmando é contar dos preparativos para as férias. Cabelo novo, óculos novos, calcinhas e meias novos, maiô e biquíni novos, só falta uma mochila nova, que eu sei onde quero comprar. Cara.

Perguntei para a IA se eu deveria comprar lá, no meu destino. Afinal os caras são famosos por fabricarem as bolsas e sapatos mais bonitos do mundo. Mas ela me disse que era mais seguro e mais em conta comprar aqui, por conta dos “assaltantes de rua”.

Tô levando 1/3 do dinheiro que eu gostaria de levar, mas foi o máximo que consegui guardar. Eu que manere nos gastos. Quem me conhece sabe que isto é  um grande desafio.

Eu me apaixono por algumas coisas e não consigo não comprar. Por exemplo o biquíni de hoje. Pensa que o liso, comum, custava x, super bom preço para ser uma loja chic do shopping da Granja, mas eu me encantei com um florido, de um tecido diferente que custava 2x+ um pouco. Comprei.

É claro que fiz um plano de ação com a IA e ela amou minha idéia para liberar meu cartão de crédito. Mas eu não consigo me privar de uma beleza para seguir um plano financeiro. É demais para mim. Ahahah ahahah

Coisas lindas geralmente custam caro.

Vou levar as roupas que uso normalmente  no dia a dia, e se eu gostar de alguma coisa durante a viagem, muito fora da caixinha, aí eu vejo se vale a pena comprar.

Eu gosto muito de cachecóis, echarpes, roupas esvoaçantes e não sei se está na moda. Pelo que vi a mini saia está na moda, nunca usei e nunca usarei minissaia. Minhas pernas não são bonitas.

Sonhos não envelhecem e são passíveis de serem realizados, eu sou prova viva disso. Ainda bem que estou viva. Mortos não viajam, não gastam dinheiro, não comem coisas diferentes, não bebem, não namoram, enfim, mortos não têm sonhos para realizar.

“Eu não atendo mortos”. Escrevi isso para uma paciente, para fazer com que ela reagisse e saísse da crise respiratória em que se encontrava.

Acho que ela ficou brava comigo, mas saiu do estado quase defunto em que se encontrava. Não tive coragem de perguntar. Ahahah ahahah e pensando bem, pouco importa. Ela levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima, está trabalhando novamente e é isto a única coisa que importa.

O carinho que mora entre nós sustenta qualquer possível desencontro.

Todos os pacientes que coloquei o nome da roda de orações da CURA Divina, recebem por 6 meses, 6 orações diárias. Todos, sem exceção reagiram positivamente. Até a mãezinha de um deles com Câncer, voltou, ressuscitou, e está ótima, cozinhando e fazendo planos para o churrasco do aniversário dela.

Segui as orientações da minha amiga preletora Terezinha Braga e fiz uma oração de 1 ano de proteção espiritual e de viagem.

Ontem tomei o banho de ervas do Pai de Santo. Maravilhoso. Da cabeça aos pés. Sem efeitos colaterais.

Protegida por todos os lados eu estou. Agora é só correr para o abraço, sem medo de ser feliz.

Estou muito orgulhosa de mim, da minha trajetória, da minha  experiência e da minha idade.

Mas disse para uma linda que o destino me deu, que se eu tivesse 20 anos a menos, eu entraria na fila para namorar com ela e enumerei suas evidentes qualidades. Ela gargalhou alto.

Fiquei surpresa quando soube que ela lê este blog, nem imaginaria. E muito feliz com os elogios rasgados que recebi dela. Ela admira minha coragem de ser o que sou.

Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, e penso que a gente só pode ser o que é mesmo. Não dá para ser nada além disso.

Image

Terreiro

No Brasil existe um sincretismo religioso, da umbanda com o candomblé e com o catolicismo sendo que muitas vezes eu vejo ensinamentos da Seichonoiê presentes também, neste sincretismo.

Tem lugares que adotam preferencialmente os ensinamentos do candomblé e se chamam de “roça” e tem lugares que se chamam de “terreiro” porque adotam preferencialmente os ensinamentos da umbanda.

Não sei se você já parou para pensar nestes nomes, mas ambos remetem á fazenda, á agricultura, no caso do Brasil, á escravidão e exploração do trabalho humano.

Pensa que nossos antepassados escravizados nunca tiveram Paz. E eu imagino que o único lugar que eles poderiam se descansar das torturas diárias, eram nos encontros com os orixás e suas origens espirituais, fazendo suas comidas, fazendo seus preceitos, fazendo seus cânticos e danças, sempre muito próximos da natureza.

Talvez as práticas espirituais nos ajudem a tolerar a opressão diária da vida dentro da ternura, de maneira que a gente aguente esperar a hora da morte chegar. Esta é a única hora que não dá para adiantar. Tem que esperar chegar, mesmo. E antes que algum pragmático materialista gargalhe em deboche com a frase de uma branca europeia dizendo “nossos antepassados”, saiba, ô infeliz que eu sou branca nesta encarnação apenas, ainda que sua ignorância não acredite em reencarnação, ela existe.

A última vez que estive numa “roça”,  eu tinha carro, e atravessei a cidade para chegar num espaço muito bonito num bairro chamado Penha, em São Paulo, que eu nem sabia que existia.

Achei bem bonito tudo, várias construções no mesmo espaço, e o lugar de rezar naquele dia era de terra, preta, a gente tirava os sapatos e pisava na terra.

Você não sabe como eu obedeço a todos os preceitos, não penso, eu faço. É para tirar os sapatos, e ficar com os pés  na terra? Já estou descalça e sentada nos bancos com os dois pés pretos. Eu passo pela experiência com integridade. Nunca pela metade.

Enfim, o encontro se desenrola e a mãe de Santo me chama num canto, fora da terra para conversar, nem me ouve e me dá um esculacho dizendo que tudo o que estava acontecendo é porque eu minha família tínhamos abandonado os orixás e que a gente  não praticava os rituais que deveriam ser praticados, e que eu era responsável por este resgate destas práticas que minha família abandonou.

É claro que eu ouvi até o final, e é claro também que tentei argumentar dizendo que ela estava enganada porque eu não tinha conhecimento algum das práticas do candomblé e desconfiava que minha família também não. Minha família a vida toda, melhor dizendo, desde que nasci, sempre foi kardecista e praticante dos ensinamentos do Chico Xavier.

A gente não sabe o que a família  da gente fazia com a espiritualidade antes da gente  nascer, não dá para colocar a mão no fogo por ninguém.

Eu sei de mim, e da quantidade de lugares de todas as religiões que já entrei nesta vida, e rezei como se fosse praticante assídua. Ahahah

É claro que eu não acreditei naquele golpe daquela mãe de santo querendo me aliciar através da culpa, de um crime que eu não cometi, para frequentar a “roça dela” e me explorar financeiramente. Afinal minha cara de milionária faz com que ninguém acredite que eu viva modestamente. Nem ligo mais.

Posso ter cara de milionária mas não perco a capacidade analítica nem em transe espiritual. Ahahah e é isto que mata a maioria dos charlatões porque eles não me dominam.

Conto tudo isso para dizer que ontem fui num “terreiro” numa chácara em Cotia, tinha acabado a luz, por conta dos temporais e a reunião foi á luz de velas. Um lugar muito simples, sem espetáculos, sem exibições, sem egos para serem louvados. Cheio de crianças brincando enquanto a reunião transcorria, e isto para mim é  referência de salubridade.

O pai de Santo veio me receber na entrada, e eu fiquei surpresa com a fala e o gestual dele: “Sua benção, minha mãe” e me abraçou. Eu respondi: “Sua benção, meu pai.” Sem saber se estava fazendo o certo ou o errado. Afinal achei bem estranho alguém que nunca me viu na vida me pedir a benção e me tratar com tanto respeito e reverência. Guardei. Ressabiada achando que iam me pedir dinheiro.

É claro que isto me remeteu ao PaiJal, em Valença na Bahia, lembra o que ele me disse? “Marília, você precisa fazer o Santo, você é uma médium consciente e é Mãe de Santo, sem perceber”. Eu respondi que estava muito  velha para fazer o Santo e que Deus iria arrumar um jeito para eu servir a humanidade, sem precisar me raspar. Até hoje nos falamos por telefone e ele me trata com um profundo amor, reverência e gratidão. Não, não dou dinheiro para ele. Paguei a consulta presencial e ele nunca mais aceitou meu dinheiro.

Ontem, ninguém me pediu dinheiro também. Eu tirei os sapatos e sentei no lugar reservado para mim, junto a umas 25 pessoas, e 6 crianças. Ouvimos em silêncio, á luz de velas, com os pés  no cimento frio, e de olhos fechados, os ensinamentos do pai da casa, que mais pareciam os ensinamentos do mestre Masaharu Taniguchi da Seichonoiê. Achei curioso. Mas o mais incrível foi a aproximação do meu Orixá, cada um tem o seu.

Eu sabia que sou filha de Nanã, mas nunca tinha sentido sua Presença. Calma. Não incorporei ninguém. Ela me envolveu na sua radiante luz violeta e me deu um passe Espiritual que nunca recebi igual.

Do meu lado direito, estavam os espíritos longelíneos, os 3 egípcios, que me curaram em 1987, e do meu lado esquerdo, tinha um movimento  com guizos no meu ouvido, que não sei referenciar. Nunca ouvi isto antes. Dois movimentos de ondas escuras gigantes saíram de trás das minhas costas e vieram para o centro da roda, e voltei a ouvir o Pai de Santo que dizia para ficarmos em pé para recebermos a limpeza com as folhas de mangueira e folhas de abacate. Primeiro passaram pelo círculo  interno da roda. E depois pelo círculo externo da roda, assim limparam a frente a as costas de cada um de nós.  Folhas queimaram na fogueira. Eu mudei de lugar, e fui ficar perto da fumaça, não me pergunte  o porquê, como te disse, eu obedeço minhas intuições.

Mas não fiquei cheirando á fumaça de folha queimada. Tinha atabaque tocando, tinha criança brincando e dançando, tinha uma entidade incorporada no Pai de Santo, que me abraçou. Um Exú que me tratava como amigo de infância.

No final, ganhei uma garrafada de um banho de folhas, que obviamente não me lembro o nome, e se você me acompanha a mais de 5 anos , deve se lembrar que eu detesto  fazer estes banhos de plantas, apesar de saber que os resultados são realmente surpreendentes. Lava a alma da gente.

Voltei para casa, tomei banho, fiz um lanchinho e dormi. Dormi tanto. Sonhei tanto. Que a paz que senti ao sair de lá, se instaurou de um jeito na minha casa e no meu corpo, que ao tomar café da manhã às 11:30h. Sim, levantei depois de dormir 12 horas sem me mexer. Enfim, comi metade da pamonha que reservei ontem para mim, com café e estou super satisfeita.

Não é necessário grandes espetáculos e grandes demonstrações de luxo para se cuidar das pessoas, mas é necessário saber conduzir os trabalhos de maneira que o Orixá  de cada um cuide de seu filho, sabendo que somente Ele, sabe o que seu filho precisa e de que maneira isto será ministrado.

Eu nunca imaginei que fosse me reencontrar  com os 3 egípcios longelíneos, depois de 40 anos, mesmo sabendo que minha mãe Rachel dizia que eles estavam comigo o tempo todo. Eu nunca imaginei que fosse sentir a Presença de Nanã um dia na minha frente. E lá estava ela, linda. Numa extensão circular de 3 metros do meu corpo físico, em luz violeta.

A única luz violeta que tinha visto até então foi da Presença do Gilberto Safra, em manifestação á distância, dentro da minha própria casa, enquanto  fomos amigos por 30 anos. Dizem que ele é a reencarnação de Saint Germain. Eu não tenho como avaliar isto. Eu nunca o tratei como reencarnação de ninguém. Para mim, ele era meu amigo íntimo, meu interlocutor querido, que me protegia á distância em luz violeta.

Mas rompi com ele também! Ahahah ahahah se ele me protege, eu não vejo mais, cortei esta intimidade.

Sim, ver a alma de alguém. Ver a Presença de alguém e saber qual é a Luz, vulgo vibração, dela, é a coisa mais íntima que existe.

Image
Image

Hoje é dia 7 de março, meu último sábado antes das férias e está é a minha cara. Ahahah

Última sexta-feira antes das férias

O dia virou noite, e antes que o temporal caísse nas minhas costas eu consegui chegar no cabeleireiro, de ônibus!

Minha amiga e advogada me deixou no ponto de ônibus, depois de um almoço delicioso. Eu estava com saudade das nossas conversas e histórias, pensa que a gente se conheceu em 2009, histórias não nos faltam. Eu fiz as pazes com ela recentemente, graças á IA, que conseguiu me explicar o que minha vã filosofia não conseguia.

Gostei. Gosto de refazer as relações rompidas, você sabe. Têm relações que a IA me “proibiu” de refazer, mas tem outras que ela consegue me alcançar e me contemplar com tanta coerência que eu só posso agradecer.

Dona Laura vai fazer 101 anos no primeiro dia do mês que vem, pensa isto!

Ela amou a pamonha que levei de presente. A cuidadora dela também amou muito.

Fui obrigada a ter uma conversa séria com ela, porque ela está ofendendo e humilhando a cuidadora diariamente e a moça estava visivelmente abalada. Fato que me fez abraçá-la com muito carinho e dizer, você não está sozinha, estamos juntas. A moça encheu os olhos de lágrimas.

Dona Laura é danada. Lúcida e cheia de vitalidade me dizia que não queria ninguém para cuidar dela, que queria a liberdade dela para ficar sozinha em casa, para cozinhar e tomar banho sozinha, sem ninguém para ajudar porque ela não precisava de ninguém.

Você já entendeu o plano dela, né? Ofender e humilhar a cuidadora até ela pedir as contas e ir embora. Ninguém aguenta a senhorinha. Ela além de ser inteligente é estrategista. Ariana. Número 22 na numerologia.

Falei muito sério com ela, como ela nunca me viu falar, “a senhora tem 100 anos, e não dá mais para ficar sozinha, a senhora não pode maltratar quem está aqui te tratando bem” ela rebatia: “Eu estou sendo maltratada, você não sabe Marília.” Eu dizia: ” Sei sim, eu estou vendo como você está cheirosa, estou vendo como seu cabelo está bonito e bem lavado e bem penteado, como a cicatrização da sua perna está perfeita e olha como  a casa está impecável de limpa e tudo no seu devido lugar.”

Ela se calou e eu continuei, não dá mais para você maltratar quem está cuidando de você. E ela: ” Mas você não entende que ela recebe dinheiro para isto?” Eu: Ah, e a senhora queria que ela trabalhasse de graça? É o mínimo que a senhora precisa fazer é pagá-la mesmo, sabendo que as ofensas e humilhações não estão no pacote. Se fosse eu que estivesse trabalhando aqui, cuidando da senhora, e ganhando dinheiro para isto, você iria me humilhar também?

” Não, Marília, você é minha amiga” Mas e se eu recebesse dinheiro para cuidar de você? Eu seria sua empregada. Você iria me judiar? Ela se calou.

Falamos da necessidade dela agradecer por ter quem cuide dela, por ela ter filhos vivos que cuidam dela, por ela estar sendo cuidada dentro de casa e não no asilo. Falei o quanto era deselegante a forma que ela tratava a moça e que a deselegância não combinava com ela. Ela parou para considerar. Respirar.

Ela disse que não tinha nada para agradecer, que já devia ter morrido e que iria ficar aqui para semente. Eu disse que ela iria viver mais 100 anos e que enquanto não aprendesse a agradecer, não iria morrer.

Isto a fez pensar e me pedir para parar, eu parei imediatamente. Fui até ela e a beijei, olhando bem nos olhos dela eu disse que a amava e ela disse que me amava também. Falei bem baixinho para ninguém ouvir: “Vamos combinar, que a partir de hoje você vai tratar a Rose como se fosse a Marília?” Ela: ” Não vou combinar nada isto”. Desisti.

Ela estava de saída, com a cuidadora e de Uber para irem ao hospital ver a cicatrização da perna. Andava com muita dificuldade de bengala, e não aceitava que ninguém a ajudasse a caminhar, e muito menos pegar seus documentos no seu guarda roupa. Às vezes eu desconfio que esta necessidade de se contrapor a todo e qualquer cuidado diário, a mantém cada vez mais viva e em estado de alerta.

Um cérebro em estado de alerta não pode descansar, repousar, dormir ou morrer, o que é quase a mesma coisa. Você pode imaginar o inferno que ela vive dentro dela?

A relação entre dinheiro e humilhação é muito diferente da relação,  dinheiro como gratidão, dinheiro como retribuição, ou mesmo compensação.

Enfim, podemos pensar em mil possibilidades. Sabendo que, dinheiro  nenhum no mundo, compra a dignidade humana e que pessoas feridas na sua dignidade não  querem dinheiro porque precisam ouvir : “Desculpe-me, isto não se repetirá”,  da boca do ofensor.

A gente imagina que os idosos não precisam ser educados porque são sábios. E eu digo que a educação é sempre bem vinda, seja em que idade for. Boas maneiras e elegância não têm idade.

Educar é a coisa mais difícil de se fazer, mas ela tem uma coisa que eu gosto demais, ela não  mente nem para me agradar e muito menos para me fazer calar.

Pensa que ela poderia ter combinado uma coisa que nunca iria ser cumprida, mas ela não combinou e ainda disse que não iria combinar. Maravilhosa!

Esta senhorinha me ganha o coração inteiro por falar exatamente o que sente, doa a quem doer. Só  que desta vez, eu não deixei o meu encanto pela verdade, me hipnotizar.

Sabe o que ela me disse, quando eu estava bem pertinho  e falando de amor com ela? Que ela nunca se esqueceria dos nossos passeios e que na minha casa tinha uma cadeira especialmente para ela.

Sim, eu tinha uma cadeira com rodinhas na casa onde morei e a levava para almoçar comigo, e esta facilitava demais os movimentos dela pelo território e disse que havia comprado a cadeira especialmente para ela poder se locomover.

Você entendeu que ela está falando de espaço? De lugar? De pertencimento? De se sentir importante no coração de alguém?

Na vida, para a gente ter autoridade e ser respeitada, seja com as crianças, adolescentes,  adultos ou com os idosos, é necessário oferecer o que eles buscam, ou seja,  espaço no coração da gente, ou tempo de qualidade com presença viva. Caso contrário, as conversas não criam raízes e nunca serão transformadoras. Nem serão consideradas importantes.

Não é uma tarefa leve cuidar de um idoso, mas eu confesso que fiquei muito feliz por encontrá-la tão bem tratada, tão viva e tão atrevida, e em casa. Eu sofreria demais se a encontrasse no asilo. Eu não suportaria. Certamente eu deprimiria. Agradeço demais os filhos, netos e a cuidadora da minha amiga centenária por não a deixarem num asilo para idosos. Obrigada pessoal, do fundo do meu coração!

Image
24 de novembro de 2020 fomos comer pão de queijo na padaria que dona  Laura mais  ama em Osasco

Antes das férias

Hoje foi minha última quinta feira de atendimentos clínicos na indústria da Seara Jaguaré.

Fomos celebrar. Foi delicioso. Imagine você que existe uma feira noturna, em Osasco, bem pertinho da casa da minha amiga advogada e eu nunca soube disto. Se bobear nem ela sabe. Vou contar amanhã, sim iremos celebrar a minha última sexta feira antes das férias.

Já agendei um café, para a última segunda feira e na última terça feira antes das férias, vou receber no consultório duas pessoas que já atendi o ano passado e que querem me ver, o que não deixa de ser uma celebração também.

Imagine você que hoje bebi cerveja e comi um churrasco delicioso no espetinho. Nos trataram com tanto carinho e atenção, que fiquei encantada.

Na saída da feira já não tinham mais barracas de frutas, verduras e peixes, mas o moço da pamonha estava lá, e eu consegui comprar 3 pamonhas, uma para minha amiga centenária, mãe  da advogada que vou ver amanhã, outra para a cuidadora dela e outra para mim. Sim, eu amo feira e amo pamonha salgada.

Fazia tanto tempo que eu não  conversava sem me preocupar em ser assertiva, ética e acolhedora. E eu não me lembro quando foi a última vez que tomei cerveja , acho que faz uns 10 anos. Em 2016 eu estava no Guarujá. Nem sei se bebia nesta ocasião. Sei que pedalava muito. Ahahah ahahah

Você acredita que o Google achou a primeira foto que fiz do Tito com seu irmãozinho no Guarujá? Eram  minhas visitas preferidas. Exatamente há 10 anos atrás. O Pedro Paulo tinha 5 anos, hoje está com 15. E o Tito tinha 24. Nos conhecemos ele tinha 21. Na Escola S. P. de teatro do Brás, para uma vaga no curso de dramaturgia. Foi um edital público, como se fosse um concurso, ele passou, eu não.

A professora não gostou de mim, apesar de gostar  do meu texto. Ela disse que eu era uma aventureira  e que não tinha nada publicado na internet e nem tinha redes sociais. Ahahah ahahah burra!

O problema de se prestar editais de arte no Brasil é o preconceito com a idade, com o desconhecido e com o novo. Eu tenho os três. A última vez que tentei uma vaga foi na SP escola de Dança, na estação da Luz, em 2023, tinha um edital para arte de performance, lá fui eu com uma performance muito linda, delicada e fácil.

Eu arrumei um filtro de plástico transparente nas lojas Mel. Carreguei o filtro com torneira, um saco de gelo em cubos de 20 litros, copos de plástico que distribuí para o público presente e a banca examinadora, enquanto cantava uma música do Gilberto Gil que diz assim:

” Traga-me um copo d’agua, Tenho sede. E esta sede pode me matar. Minha garganta pede um pouco d’água e os meus olhos pedem seu olhar. Meu coração só pede o seu amor, se não me deres posso até morrer”

Enquanto colocava o gelo dentro do filtro também repetia a música acima, quando deitei embaixo do filtro, com a torneira aberta, esperando a água descongelar e pingar na minha boca, eu permaneci cantando.

Ninguém entendeu nada! Ahahah ahahah

Mas é uma performance autoral, que precisa de pelo menos 5 horas até o gelo derreter e cair na minha boca pela torneira do filtro.

Foi minha última idéia. Não passei. Acho que eles queriam que eu dançasse alguma coisa porque todos os outros candidatos dançavam. Lógico! Era uma escola de dança, né? Só eu mesma para acreditar que era um curso de formação profissional em arte de performance.

Enfim. Virou história. Ahahah

Acho que você já entendeu que eu acredito numa idéia e vou com ela até o final, pouco me importo se alguém vai entender ou se estou sendo ridícula ou inadequada. Se eu achar bonito, eu vou e apresento na cara dura mesmo. E a culpa é da Marina Abramović ahahah, ela que disse  que minhas ideias eram ótimas e que eu deveria fazer tudo o que me desse vontade de fazer, principalmente cantar.

Minhas apresentações  crescem, tomam corpo quando canto. E cantar é a coisa que mais faço na vida. Naturalmente. Não me custa nada, além de saber a letra, que na maioria das vezes, eu troco ou invento uma nova ahahah ahahah

Tenho dois pacientes músicos, compositores e cantores na Rommmanel, um deles está usando o aplicativo de composição profissional de música, que encontrei. E é isto, talvez eu esteja velha para me apresentar como artista de performance, mas meus pacientes são jovens e eu sei que são talentosos. Uso o meu fracasso para ajudá-los a ter sucesso. E certamente terão.

A Marina disse mesmo que eu estava velha, isso há 11 anos atrás,  e que eu poderia vender minhas idéias. Dou de graça minhas idéias, querida!

Minha alegria está em ver minhas idéias fazerem sucesso na transformação das vidas dos meus pacientes. Eu quase chorei hoje quando uma pessoa alcoólatra me contou que perdeu a vontade de beber, e não tinha bebido a semana toda. Disse que passou a tomar um chá Detox e fazer academia.

Lembra que foram 4 encontros? Então, no segundo ela não veio, abriu mão do horário dela para uma pessoa da equipe que estava mais precisada que ela (segundo ela) e quando eu a recebi na semana seguinte, eu disse: “Você está proibida de abrir mão do seu lugar e do seu tempo para quem quer que seja, a dor do outro pode esperar pela vez dele, este horário  é seu.”

E foi assim, que a transformação começou.

É claro que deixei agendada a primeira quinta-feira após as férias para ela, no mesmo horário. Se tem uma coisa que cura pessoas  que foram desalojadas e rejeitadas é a constância e a permanência. Saber que na volta das férias o Psicoterapeuta vai ser encontrado acalma e alivia muito sofrimento.

É claro que eu não permiti que ela se policiasse e pedi que ela se tornasse sua melhor amiga, e conseguisse aprender a diferenciar quando era para beber por necessidade, vontade de celebrar e quando era para beber  para amortecer algum sentimento.

Você sabe que eu não acredito em privações, né? Apoio meus pacientes a diminuírem o álcool e não a se privarem dele. E isto vale para as drogas e as comidas também. Tudo o que amortece sentimentos deve ser respeitado.

Afinal, como diz o poeta, a gente não sabe qual é o defeito que sustenta o prédio inteiro. Não se deve jamais eliminá-lo.

10 anos voaram. Só sei isso. Esta noite também voou de tão agradável e alegre que foi. É tão bom ser eu. Foi tão bom receber você. Obrigada pelo convite.

Image
Image