O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 20 de março de 2026

ETERNO SONHADOR

 

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Às vezes, penso que em mim secou a fonte e dela nenhuma outra palavra brotará. 

Como a planta que, através dos anos, produziu todos os seus botões; e a quem agora só resta assistir ao lento apodrecer dos seus galhos, e à desintegração de suas raízes.

Entretanto, como às marolas cariciosas se sucedem as violentas vagas, também no oceano da vida se alternam as alegrias e as tristezas; e, enquanto no mar existirem as ondas, o som que delas se origina far-se-á ouvir no silêncio da praia.

Assim, aquele que nasce para cantar jamais emudecerá, enquanto a vida lhe trouxer os sentimentos que inspiram novas canções. E as palavras brincarão em sua mente, quase como se tivessem vida própria e formassem novas sentenças, enquanto as emoções existirem em seu coração.

Porque cada um tem o seu destino; e, se a alguns é dada a glória fugaz das vitórias mundanas, a outros cabe amadurecer mansamente, descobrindo em seu íntimo as palavras que servirão para esclarecer as dúvidas dos seus irmãos.

Eis que sou um destes últimos. E não o sou porque assim o tenha pedido; ou porque para isto me tenha escolhido o coração do Universo. Apenas, sou assim; e, como à roseira não se pode pedir que produza outra coisa, senão as flores que perfumam e enfeitam o mundo, também não posso esperar que o silêncio se instale em minha alma, enquanto a vida canta as suas canções ao meu redor.

É verdade que já sonhei muitos sonhos. E, assim como cantei a alegria do seu nascimento, tive que cantar a dor da sua partida. Mas, afinal, não são a felicidade e o sofrimento as portas por onde a inspiração alcança os nossos corações? E, para aquele que tem o dom do sentimento, a partida de um sonho não abre apenas o espaço para que outro se possa alojar?

É também verdade que, muitas vezes, amaldiçoei o meu jeito de ser; e desejei tornar-me como aqueles que não atribuem tanta importância a sonhos e sentimentos. Mas, se neste mundo apenas rochas existissem, onde encontraria o vento as palmeiras de que precisa, para assoviar as suas lindas canções?

E, de resto, por que seria o mais forte aquele que ignora os sentimentos? Não é entre o fogo e a água que o ferro se transforma em aço, e assim sobrevive aos séculos? E não é através da felicidade e do sofrimento, que o nosso verdadeiro Eu amadurece e atinge a sua plenitude?

Quantos ditadores e exércitos, que por armas e destruição escreveram os seus nomes, pereceram ao longo dos anos, enquanto até hoje sobrevivem as palavras dos Mestres, gravadas pelo Amor na alma dos homens? Os sentimentos se eternizam no Universo, enquanto as vitórias mundanas se perdem na simples mudança de gerações.

Não é fraco, o homem que não oculta as suas lágrimas; é um forte, que não se envergonha do que está em seu coração. Como não são fortes aqueles que rejeitam os sentimentos e, ao jardim florido das emoções, preferem o deserto árido da solidão.

Enfim... cada um é como é. Eis uma verdade que aprendi, ao longo dos anos. E é o egoísmo que nos leva a tentar mudar as pessoas que amamos, quando deveríamos desfrutar do amor que nos inspiram.

Somos os frutos da nossa insegurança. E é nela que nos perdemos, quando buscamos a falsa segurança de uma vida sem emoções, esquecidos de que é a amargura do pranto que nos ensina a doçura do sorriso.

Eu sempre viverei por um olhar, por um sorriso, por um momento de amor. Na esperança dos sonhos que o novo dia me trouxer, suplantarei a tristeza daqueles que na véspera me houverem deixado.

É assim que eu sou.

* * *

Às vezes, acho que em mim a fonte secou.

Mas basta percorrer os meus caminhos, para beber das suas águas...

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sexta-feira, 13 de março de 2026

GOTAS DO UNIVERSO

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Alimentais o sonho de vos completardes em outra alma.

E este é um sonho de realização impossível; porque já sois completos e complexos, em vós mesmos. O máximo que podereis conseguir é encaixar-vos um no outro, para seguirdes juntos.

E isto não é pouco. Ao contrário: tamanha é a vossa complexidade, que vos é muito difícil ceder o suficiente para que possais entender outro ser humano e aceitá-lo do jeito que é.

Solidão: esta é a palavra-chave, para definir o que sentis durante todas as vossas vidas. Não porque vos sintais incompletos, mas porque o instinto gregário vos compele a buscar companhia.

E assim acontece, porque sem a convivência não se faria o aprendizado. Necessitais interagir, para exercitar a compreensão, a tolerância, o perdão, o amor e todos os vossos sentimentos.

Porque aprender é conhecer os sentimentos; não apenas os melhores, mas todos que existem em vós. De que outra forma saberíeis quais os que deveis cultivar, ou erradicar de vossa alma?

Aprendei, entretanto, que sois completos sozinhos. Como cada gota é completa em si mesma; e, todavia, é juntas que formam a imensidão do oceano, que não entendem e se perde de sua vista.

É assim que sois, perante o Universo: em cada um de vós, está presente a Sua essência; e, com ela, podeis operar milagres. Mas não sois capazes de percebê-lo; e vos perdeis em vós mesmos.

Não vos deveríeis enxergar como o centro do Universo; mas como uma das incontáveis luzes que o formam. Entretanto, o orgulho cega o homem e o faz julgar-se melhor que seus irmãos.

Sabereis que sois capazes de tudo realizar, se trocardes a ilusão de ser tudo, pela realidade de ser parte. Porque sois as gotas do Universo e em cada gota está presente a essência do oceano.

Entregai-vos a esta consciência e nada haverá que não vos seja possível fazer. Afinal, basta a luz de uma pequena chama para dissipar o medo mais forte que vos possa acometer na escuridão.

Ao assumir as vossas limitações, é que vos tornais capazes de superá-las; ao admitir a vossa pequenez, perante o Universo, é que reconhecereis a importância de cada um para o todo.

Recordai, sempre, que, por mais companhias que possais ter, é sempre sozinhos que estareis nos momentos mais importantes: ainda que sejais gêmeos, nascereis sós; e sós vos ireis daqui.

Não alimenteis, portanto, a ilusão de encontrar alguém que vos complete: cada um de vós já é completo. Buscai, sim, aquele que, ao vos estender a mão, vos traga maior segurança no caminhar.

Porque cada um não anda, senão seu próprio caminho.

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sexta-feira, 6 de março de 2026

UM CAMINHO PARA A PAZ

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Ao franzir o semblante, diante do espelho, ninguém espera ver nele refletido um sorriso.

Entretanto, é assim que fazemos aos nossos irmãos: neles descarregamos as nossas mágoas e as nossas inquietações, mas esperamos que sempre nos ofereçam um sorriso amável e um gesto de carinho.

Esperar que isto aconteça, é como acreditar que um espinho se transforme em rosa; ou que de uma ofensa possa brotar um elogio.

Das nossas ações, dependem as reações daqueles que nos cercam. Como da intensidade do vento dependem as belas canções das palmeiras; ou os vendavais, que a tudo destroem.

Todos precisamos de companhia.

Porque o homem não é como a montanha, que se eleva por si própria; somos, antes, como as gotas que, unidas, formam este infinito oceano a que chamamos Universo. Todavia, nós mesmos construímos os invisíveis muros que nos separam.

Da compreensão, surge a integração. E da orientação surgirá a confiança. Da humilhação e da ofensa, entretanto, surgem a mágoa e o ressentimento, que mais cedo ou mais tarde nos envolverão em suas ondas turvas.

Assim, devemos vigiar os nossos sentimentos; porque é deles que brotam as nossas palavras e as nossas ações. E podemos ter a certeza de que, algum dia, a palavra ofensiva que a alguém dirigimos, por esse alguém nos será devolvida; como o prejuízo que a outrem causarmos, por ele nos será cobrado.

A gentileza é como a flor, a espalhar o seu doce perfume por quantos dela se acercam. E a agressividade é como a onda impetuosa, que ao encontrar o dique se dobra sobre si mesma e retorna ao mar revolto de onde partiu.

Nada nos custa sermos gentis, e ao nosso redor espalhar a compreensão e os mais nobres sentimentos. Quando assim agirmos, veremos florescer à nossa volta um belo jardim, cujas plantas nos oferecerão os seus aromas e o sabor dos seus frutos.

Porém, aquele que ofende aos seus irmãos semeia as pedras que machucarão os seus próprios pés. E cria para si mesmo um deserto árido e impiedoso, onde não poderá refrescar-se à sombra da amizade; nem desfrutará do poço cristalino da companhia, que dessedenta a nossa alma.

Enganam-se, portanto, aqueles que julgam dominar através do temor que infundem. Porque assim fomentam a raiva e a revolta, que nas dobras das suas vestes sombrias escondem os aguçados punhais da vingança.

Como se enganam aqueles que a todos se julgam superiores, e aos seus irmãos oferecem o desdém! Ninguém é verdadeiramente grande, enquanto a vaidade permanece em sua alma. E estes jamais encontrarão um braço amigo, que os ampare na queda do pedestal onde se tentam colocar.

Existem, também, os que se refugiam na indiferença e a espalham ao seu redor. Assim fazendo, acreditam evitar o sofrimento; não percebem que, ao evitá-lo, também se afastam da felicidade. Pois é apenas através dos sentimentos, que um e outra têm acesso ao nosso coração.

Há aqueles que sobre todos derramam a sua irritação, a contrariedade pelos percalços da vida; e, ao fazê-lo, afastam a possibilidade de receber um abraço meigo, ou uma palavra de carinho, que poderiam trazer a paz à sua alma. Porque são poucos, entre nós, os que à violência respondem com a brandura.

E há os que tentam impor os seus conceitos. Esquecem que a Verdade não necessita ser imposta, porque é a voz do Universo que fala pela Razão, e as suas palavras sempre encontram guarida em nosso Eu maior.

Assim, aquele que tenta convencer aos seus irmãos busca convencer a si mesmo. E as suas dúvidas não encontram respostas, antes se perdem no silêncio da desconfiança. Pois cada homem tem as suas próprias verdades, e ninguém existe que as sacrifique para aceitar as verdades alheias.

Como a terra faz brotar a semente, que no seu seio é plantada, é o coração do homem. E são as nossas palavras, os nossos gestos e as nossas atitudes, as sementes que plantamos nos corações dos nossos irmãos.

Assim, é de nós mesmos que dependemos, para encontrar entre eles a sombra amiga da árvore, onde possamos repousar das fadigas da vida; ou os cruéis espinhos do cacto, que virão aumentar os nossos sofrimentos.

Juntos, caminhamos; e juntos chegaremos ao fim da Jornada.

Por que espalhar lágrimas entre os nossos irmãos, se deles necessitamos para enxugar as nossas próprias lágrimas? E por que semear de dores os seus caminhos, se são os mesmos caminhos que devemos percorrer?

Busquemos semear, sempre, o carinho, a tolerância e a paz, ao nosso redor.

Para que possamos encontrá-los, em nossos próprios caminhos!

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Publicado no meu antigo blog "Opiniaum", em 30.01.2007

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

ALTERNÂNCIAS

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Sim: as despedidas são tristes.

Lembrai-vos, porém, de que a vida é feita de alternâncias. Assim, a tristeza da separação apenas antecede a alegria do reencontro; como o amargor da solidão melhor vos faz sentir a doçura da companhia.

O tempo é a gangorra em que viveis. Às vezes, ele vos leva às alturas: sentis o vento em vossos cabelos e caminhais entre as estrelas; de outras vezes vos leva rente ao chão, próximo à lama e aos vermes.

Por isto, não vos deixeis arrebatar por vossas vitórias: as glórias são passageiras. Tampouco, deveis permitir que derrotas vos abatam; umas e outras encontrareis e ambas vos ensinam sobre a vida.

Viver é experimentar. É passar por alegrias e tristezas, e de cada uma extrair o aprendizado que necessitais, para ascender ao Conhecimento; outra não é a finalidade de qualquer das vossas jornadas.

Vida é alternância; isto é algo que precisais aprender, para que vos seja dado entender cada uma de suas fases. Olhai ao redor: ao sol sucede-se a lua; um dia, a flor está no galho; em outro, caída ao chão.

E, num terceiro dia, novamente a planta está florida; como se nada houvesse acontecido antes. O sol e a chuva se revezam, para fazer brotar as sementes; e, quando se encontram produzem o belo arco-íris.

Um dia é o amor; no outro, a saudade. Uma hora o sorriso, em outra as lágrimas; um e outras têm as suas causas e o seu próprio brilho. O que seria de vós, dizei-me, acaso não aprendêsseis a sorrir e a chorar?

Em um instante, nasceis; no outro ireis morrer. É impossível que isto não vos diga algo sobre a vida; que continueis a acreditar-vos eternos, a lutar por posses que deixareis aqui, no dia em que vos fordes.

Crede-me: a vida é a véspera da morte; e talvez esta não seja mais do que o preâmbulo de uma nova vida. A morte é apenas mais uma porta que atravessareis; uma nova parte do ciclo da vida.

Alternâncias, lembrai-vos? Amor e ódio, simpatias e antipatias, afeto e aversão, orgulho e humildade. A todo instante as alternâncias surgem em vosso caminho, a lembrar-vos que nada é eterno, embora pareça.

Aprendei esta lição, e um grande passo tereis dado. Recordai que o esterco ajuda as flores a serem mais belas e mais perfumadas; e ao esterco elas voltarão, no dia em que o seu tempo se esgotar.

Vede: a chuva cai sobre a terra e volta à nuvem de onde saiu; é quase como a lenda da fênix, que renasce das próprias cinzas. Mas, no tempo em que esteve ausente, fertilizou o solo; contribuiu para a vida.

Este é o grande segredo: nada é eterno; e, entretanto, cada instante o é para vós, enquanto se passa. O amanhã não existe no hoje, porém toma o seu lugar assim que ele se vai; um apenas se torna o outro.

 Alternâncias. Tudo que existe são paradas da vida.

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Para Regi, meu irmão; seu aniversário teria sido em 20/02. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

DIAS

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Há dias de todos os tipos.

Dias de luz e dias de sombra. Em alguns, a tepidez do sol e a frescura da brisa vos acariciarão; em outros a chuva vos levará a procurar abrigo, enquanto lança as suas gotas sobre a terra.

Lembrai-vos, porém, que por mais escuro que esteja o dia, o sol continua lá; estará, apenas, escondido entre as nuvens. Uma hora estas se desfarão, e a luz voltará a iluminar o caminho.

Recordai, também, que não é ilimitado o número de vossos dias; a cada um que passa, mais se aproxima o fim da vossa jornada. E o mesmo acontece a todos os vossos entes queridos.

Não deveis desperdiçar os dias. E é desperdiçado cada dia em que permitis às sombras determinar os vossos caminhos; em que vos quedais sós, quando poderíeis estar de mãos dadas.

Aproveitai, sim, cada um de vossos dias. Quando o escuro da tristeza vos procurar, quando as sombras buscarem a vossa alma, abrigai-vos à luz do amor que existe em vosso coração.

Buscai a companhia daqueles a quem amais; entregai-vos aos sentimentos que com eles dividis. E vereis que o seu carinho afastará as nuvens sombrias; trará de volta a luz bendita do sol.

Porque assim é o amor: ele nos traz a sensação de companhia; nos faz perceber que, se cada um precisa andar o seu próprio caminho, nada impede que o façamos de mãos dadas.

Chamais de “cara-metade” a quem amais; entretanto, cada um de vós é pleno em si mesmo. Não é uma questão de vos completardes, pois já sois inteiros; mas, sim, de vos encaixardes.

Vede: cada ser humano está só, no instante em que chega e no instante em que se vai. Ainda que sejam gêmeos, ou que pereçam juntos, é sozinho que cada um realizará a sua Viagem.

E isto deveria ensinar-vos algo sobre a Vida: que, embora seja uma dádiva concedida a todos, ela é responsabilidade de cada um; ninguém pode mudar um caminho, senão quem o trilha.

Podemos, porém, ajudar àqueles que caminham ao nosso lado; e, ao fazê-lo, muitas vezes tornamos melhor o nosso próprio caminho. Estender a mão é encontrar, também, um apoio.

Desperdiçais o vosso tempo, de cada vez que vos deixais levar pelas sombras que se projetam sobre o dia; melhor fareis, se buscardes o sol e a brisa entre vossos amores e vossos amigos.

Cada sol que se põe, é um a menos que vereis nascer; cada carinho que não fazeis, cada palavra de amor que não dizeis, é uma vitória das sombras sobre a luz que aquece as vossas almas.

Cuidai, portanto, do que fazeis dos vossos dias.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O AMOR DE CADA UM

 

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O que pensais do amor?

Pergunto, porque quase todos entre vós já disseram a alguém, ou de alguém ouviram: “Eu te amo”. Embora possam ter sido sinceras as vossas palavras, lembrai-vos de que as pessoas não são iguais.

E, se assim é, o amor tem significado diferente para cada um de vós; cada um o sente do seu próprio jeito e tem a sua própria maneira de amar. Não espereis que alguém vos ame da forma como o amais.

O amor não pode ser imposto, pois é um sentimento. Mas é, também, uma força da natureza, como o fogo, a água e o vento; por isto, não o podeis controlar. Podeis, apenas, aprender como lidar com ele.

Não existe aquele que ama mais; nem, tampouco, o que ama menos. Não há diferentes graus, no amor; apenas amais, ou não. O resto é mera consequência da maneira como é e como pensa cada amante.

Tudo depende da posição que ocupa o amor em vossa escala de valores; de como cada um o vê e da importância que tem para ele. Porque cada pessoa o sente da sua maneira e age em função disso.

Há aqueles que o têm como o mais importante; o único caminho para a felicidade. E por isso se entregam a ele, vivendo em função do ser amado, que buscam fazer feliz, para serem também felizes.

Esses, que o sentem mais intensamente, são os mais abençoados por ele; porque experimentam momentos mais doces. Escrevem as mais belas histórias; sentem-se realizados em um beijo ou um sorriso.

Por outro lado, são também os mais castigados. Porque se magoam mais facilmente em uma briga, uma zanga, na desatenção de um momento. Perdem a alegria de viver, muitas vezes só por imaginar.

A imaginação é sua benção e sua maldição. Caminham sobre nuvens brancas, em um céu azul e brilhante, quando tudo está bem no amor; mas podem ser arrojados ao chão, quando as nuvens escurecem.

E existem aqueles que enxergam o amor como um complemento. Que não o têm como seu principal objetivo, mas apenas como a fonte de bons momentos; não como razão de viver, mas como um bônus da vida.

Estes, são os que não sofrem por amor; mas, também, os que ele não consegue tornar felizes. Não conhecerão plenamente o encanto de um beijo, ou um abraço; a dor de uma partida, ou a magia de um retorno.

Não me pergunteis quais deles estarão certos, ou errados; nem qual tipo será o mais sensato. Porque não é certo ou errado, sensato ou insensato, o homem que é da maneira que nasceu para ser. Apenas é.

Nem vos preocupeis em relação ao amor; até porque nada mudareis, nele ou em quem sois. Tende, sim, consciência dos efeitos que ele produz em vós; e de que a vossa única escolha é aceitá-lo, ou não.

Dizei-me, pois: o que pensais do amor?

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O AMANHÃ

 

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- Quantos anos tens?

Eu não saberia responder, se me fizésseis esta pergunta. Poderia, talvez, dizer-vos a minha idade; porém, não tenho mais esses anos: já se foram e hoje só fazem parte do passado.

Em verdade, os anos que ainda temos são os que estão no futuro; e não nos é dado saber quantos serão. Entretanto, uma coisa é certa: o número diminui, a cada ano que passa.

Talvez – quem sabe? – nem chegue a um ano. Esta é uma incógnita da qual nunca lembramos, quando nos desejamos “Feliz Ano Novo!”; mas devemos ter presente em cada dia.

Pois, quando admitimos que haverá a partida, aproveitamos melhor a estada. Não ligaremos tanto aos detalhes que nos aborrecem; atentaremos mais àqueles que nos são agradáveis.

Detalhes sempre existirão; de um tipo e do outro. E não são eles que nos fazem infelizes ou felizes, mas as nossas reações a eles. A casa não depende do tijolo, mas de como é assentado.

Recordai, portanto, que percalços são comuns, em qualquer viagem; e a Vida é a mais maravilhosa das viagens. Relevai, pois, os incômodos; aproveitai a beleza das paisagens que vedes.

Assim como fazeis, em qualquer das vossas viagens, para que delas possais desfrutar. Lembrai-vos de que à Casa retornareis; e guardai boas experiências de cada jornada que fazeis.

Este é o ponto; não importa a quantidade de anos que passamos na Terra; mas o quanto vivemos, durante eles. O principal não é o tamanho da árvore, mas o sabor dos frutos que brotam.

São eles, que adoçam a vossa boca; ou nela depositam um travo amargo, de colheita malsucedida. E bem sabeis que a colheita não depende senão do que semeais e de como cuidais.

Não vos preocupeis com a idade que tendes; ou os anos que vos restam. Nos que já passaram, nada podeis mudar; nos que virão, devem estar vossas esperanças e vosso cuidado.

Podeis acreditar que, sejam quantos forem, serão suficientes; e, se não forem, outras viagens virão. O trigo não está pronto, senão quando amadurece; por isso, as searas e colheitas se sucedem.

Não importam as vossas certezas e dúvidas: as coisas são como são e não vos assiste o poder de mudá-las; só quando chegardes ao futuro, descobrireis como ele será e o que acontecerá.

Cuidai só de viver bem o vosso presente. Vivei cada dia como se fosse o último; mas nada façais que vos possa envergonhar, se não o for. Assim, sempre podereis acreditar no amanhã.

E tereis todos os vossos anos.

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