Em abril do ano passado eu estava indo pra SP dar uma aula. Pra variar, cheguei cedo demais no aeroporto e pra variar o vôo estava atrasado. Não estava a fim de ler nada do que tinha na minha mochila e resolvi passear na livraria. Dei de cara com essa capa vermelha convidativa: 524 receitas, 365 dias. Nem pensei duas vezes, comprei na hora.
Devorei o livro todo nas pontes aéreas daquela semana.
Lógico que o fato de ser um livro que envolvia culinária me fascinou. Ainda mais envolvendo a Julia Child, que era uma personagem e tanto! E aquelas receitas divinas, uhmmmm….
Mas não era só isso. Era o fato de eu me sentir tão perdida quanto, de achar que passei dos 30 sem ter conquistado nada (o que, eu sei, é um exagero de minha parte, mas o exagero faz parte de mim), e, principalmente, de achar que eu não tinha objetivos de vida. Na verdade tenho muitos, mas quero/gosto de muitas coisas, e começo vários projetos e atividades ao mesmo tempo, o que faz com que terminá-los ou dar continuidade a eles seja muito difícil. Algum psiquiatra deve explicar. Mas por enquanto ainda tenho medo de ouvir as razões para que o meu cérebro seja tão confuso. O fato é que eu já havia tentado fazer algo semelhante (projeto doido + deadline) e não havia conseguido cumprir, talvez porque não tenha ficado suficientemente obcecada por ele. Mas saber que há alguém tão confusa quanto eu e que consegue ir até o fim em algo é reconfortante e enche de esperança. rs
A história é fascinante e divertidíssima, e vocês podem ler aqui o que eu escrevi na época.
No sábado fui ver o filme, baseado neste livro e no que conta a vida da Julia Child em Paris (Minha vida na França, que eu ainda preciso comprar). Eu preciso mesmo dizer que eu ADOREI? Achei perfeita a forma como uniram a vida de ambas. As cenas em que a Julie cozinha são tão divertidas quanto no livro, a vida da Julia é fascinante, assim como conhecer a história do livro de receitas que se tornou o mais famoso dos EUA e dos mais famosos do mundo. A trilha sonora é perfeita, Maryl Streep é perfeita, Amy Adams é uma fofa. Desossar um pato parece a coisa mais simples do mundo.
Acho uma pena que a Julia nunca tenha aceitado conhecer a Julie. Mas dizem que ela era mesmo um pouco turrona.
O box com os dois volumes de Mastering the Art of French Cooking está custando só 49 dólares na Amazon. Ah, se eu não estivesse tão descapitalizada…
Saí do cinema com uma vontade LOUCA de cozinhar. Ao invés disso, fomos jantar no Le Blé Noir. Era francês, tava valendo.
Falta muito pra sair o DVD? Quero ver mais!


Já repararam como são felizes os casais formados por mulheres e homens típicos? É assim que nem papai-e-mamãe: não tem erro! Pode parecer sem graça, cafona, mas funciona que é uma beleza.
Existem milhares de leituras para “Alice no País das Maravilhas”, conjcturas sobre Lewis Carroll e sua predileção por meninas muito novas, apologia a drogas e por aí vai num mar de interpretações psicoanalíticas. Com certeza ela é o personagem fictício que mais me facina desde muito novinha, quando comecei a me interessar por “estórias de princesas”. Confesso que sempre achei Branca de Neve chata e a Bela Adormecida burra, porque chega num ponto que teimosia vira burrice.
Ok, ok, quem tem vocação para Hermano Vianna e Roberto Da Matta não precisa explicar a antropologia e a história da folia. Tô sabendo que o carnaval é a festa de inversão, em que homens viram mulher, mendigos podem ser reis e o ricaço da Vieira Souto veste as sandálias havaianas da humildade. Mas… pera lá: Branca de Neve?
Princesa é uma ova? Hein? Como assim? Era uma vez quatro amigas – Bárbara Pereira, Daniela Name, Flávia Rocha e Raphaela Ximenes – que um dia se reuniram para falar da própria vida e um pouquinho da vida alheia. Na mesa do restaurante Santa Fé, na Glória, a boa carta de vinho da casa funcionou como poção da fada madrinha e foi revelando príncipes que eram sapos, bruxas meméias e um sem-número de madrastas e vilões que a vida vai botando no caminho de qualquer mulher.