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manhê, finalmente descobri o que eu quero fazer da vida. acho.

September 7, 2011

E o negócio se chama Impact Investing, que, dizem, é um híbrido-tendência, mistura de filantropia com hedge fund. Wikipedia explica.

E tem também essa matéria da Forbes que joga uma luz sobre o assunto — e, olha que notícia boa, “impact investing” é tendência… Talvez um dia eu até consiga um emprego, ha!

The Diana Project #2

é, gente, o mundo está mudando

 

O último dia do ano

May 12, 2011
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A bagunça

O último dia do ano é amanhã. Mas começou hoje, daquele jeito, sem hora para acabar: quatro papers por finalizar, duas matérias inteiras para revisar antes dos exames finais de amanhã, 15 horas de expediente, sem intervalo para almoço (ok, sem contar os cinco minutinhos de bate papo para praticar o espanhol com o tio da lanchonete).

3am, hora de voltar pra casa. Táxi. O motorista me conta que teve um dia longo também, começou as 5pm e vai até as 5 da manhã. Também me conta que no país dele estudava 12h por dia, seis dias por semana. Ciências da computação e alguma outra coisa que eu não processei. Tem diploma e tudo; da Cisco. Isso na Algéria. Mas não dava dinheiro, salário do mês era 100 dólares, menos do que ele faz por dia, como taxista, em NY.

“Você sabe se vai ficar nos Estados Unidos depois que se formar?” ele pergunta?
Não, sei. Ainda tenho tempo para decidir. (Essa é uma das perguntas que mais ouço, a resposta saiu bem automática)
“Pois se você puder escolher, não fique. Vá para a Europa, ou para Dubai”
Não fique? Mas você não ganha bem, não está fazendo dinheiro?
“Muito trabalho. Nunca se trabalha menos do que 12h por dia aqui.”

É, moço, acho que é para isso que estão me treinando. De novo.

Enfim, me desejem boa sorte.

o dia em que Bin Laden morreu

May 2, 2011

11 de Setembro de 2001 para mim é o clássico dia em que todo mundo se lembra exatamente onde estava e o que estava fazendo quando os aviões sequestrados atingiram as torres gêmeas em Nova York. Primeiro de Maio de 2011 virou um clássico também.

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New York Times de hoje

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Discurso do presidente Obama, 01, Maio, 2011.

É justo dizer que a Serena de 2001 era muito mais cínica, mas anarquista, inflexivelmente passificista. Acho que por causa desse orgulho de ser radical, demorei muito tempo para entender o significado de 11 de Setembro, mesmo morando aqui. Bom, ajuda o fato de que os americanos são um povo fácil de ler — é tudo igualzinho a gente vê nos filmes. Mas a realidade sempre pode ser menos simples.

Uma grande parte dos meus amigos aqui na Columbia são veteranos de guerra. Serviram no Iraque, no Afeganistão, perderam amigos, perderam a saúde, a sanidade. Se para o país e para a cidade de Nova York a queda de Bin Laden é motivo de comemoração, para esse pessoal é outra coisa… Ufanismo à parte, ontem essas pessoas viram justas e justificadas suas escolhas de vida, seu passado e futuro, e todas as dores (físicas, mentais, emocionais) que já sentiram e as perdas que já sofreram. Para eles, é mais do que pessoal.

A Serena cínica de 2001 se cala diante desses amigos. Eu nunca vou deixar de ser pacifista, mas me obrigo a ver, entender e respeitar os motivos que orientam das pessoas que eu vim a amar. E por isso que a Serena de 2011 se emocionou com o discurso do presidente Obama.

Numa frase bem americana, o resumo da ópera de ontem: foi um bom dia para a América.

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PS: This post was for you, Ms. Shor. Thank you for making me change the way I see the world.

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Interrompemos nosso regime de muito estudo e pouca diversão

February 23, 2011

… para uma pergunta importante:

O que é que o aquecimento global tem a ver com a inflação?

Segundo essa matéria da Bloomberg BusinessWeek, está tudo mais do que interligado. (Eu ia fazer um resumo, mas juro, vale mais a pena ler a matéria, que ainda junta no bolo a Libia, Wall Street, África Subsaariana, o Banco Mundial e meu amigo Victor que mora no Illinois e vende soja e milho)

Minha parte favorita, sobre se a alta dos preços das commodities pode estar sendo acelerada pelo mercado financeiro:

“Speculators will flock to a good, compelling, fundamental story,” says Gary Mead, an analyst at VM Group in London. “If you take away that good, compelling, fundamental story, speculators will look at something else. In this low-interest-rate environment, they’re searching for yield in whatever shape. Right now, it happens to be commodities.”

Ou seja, sim.

mais cinco minutos de jabá

November 19, 2010
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projeto giganto - da Raquel Brust

Uma das coisas chatas de ser estudante de novo é que vida de estudante é, em geral, não muito emocionante. Quer Além da dizer, tem festa, tem bar, etc, mas no final do dia a gente só entra em contato com as idéias que estão ali no espaço acadêmico. Não tem aquela sensação de que a gente está ajudando o mundo a ir pra frente.

Acho que isso me deixa ainda mais orgulhosa dos meus amigos do mundo real, com seus projetos pessoais e profissionais.

Além da Ju Borges e o seu coletivo tás a ver?, que eu comentei no post anterior, chegou a hora de vocês conhecerem:

O projeto giganto da Raquel, que está na mostra Sesc de Artes 2010;

a fantástica fábrica de cadernos Maria Caderneta da Glendinha;

a loja de design (alguém falou em Natal?) Objeto Ludico do Marcelo.

Gente que faz. Gente que me deixa com saudade.

enquanto isso, na África

November 15, 2010

Nas últimas semanas rolou por aqui um debate (que eu acompanhei mui de longe) sobre as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Dez anos depois de todo mundo aceitar o desafio, cinco anos antes de bater o sinal, e a pergunta que não queria calar: e aí, vamos conseguir levar a África a alcançar as metas do milênio?

A notícia ruim é que… não. Antes de 2015 a África não sai da pobreza. Como disse o próprio Jeff Sachs, a pobreza extrema está diminuindo sim, mas não rápido o suficiente para atingir as metas do milênio.

A notícia boa é que… diz que, talvez, em off, há uma possibilidade de que isso aconteça não em 2015, mas em 2017.

Nesse meio tempo, fica a lição de que muita coisa melhorou, sim. E muito provavelmente a melhora não teria sido tanta se não houvessem metas.

Por mais primitivos ou imperfeitos que sejam os processos de medir a avaliar desempenho, o fato que é sem esse mecanismo é quase impossível melhorar qualquer coisa que seja. Na física quântica eles chamam isso de “problema da medição” ( que tem a ver com aquela história do gato de Schrödinger, lembra?). No mundo empresarial eles chamam isso de “o que não pode ser medido não pode ser gerenciado” (o presidente do Banco Mundial usou uma versão dessa frase para apresentar o projeto em que o banco abre sua base de dados para o público)

Enfim, medir as coisas parece que faz sentido. Mas, antes que a Claudia Chow fique magoada comigo, vale lembrar que a África não é mesmo uma grande coisa amorfa, que dentro desse continente tem muita diversidade. Esse gráfico do Gapminder mostra bem isso.

 

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E pra você que ficou com vontade de ver uma África além da média da medida geral, recomendo ficar de olho no pessoal do coletivo Tás a Ver? (projeto que conta com a talentosa Ju Borges, que você conhece daqui). No próximo dia 16 de Novembro o coletivo abre sua primeira exposição de fotos, na Galeria Matilha Cultural, em São Paulo. Quer saber mais? Clica aqui.

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Expo tás a ver?, na galeria Matilha Cultural

 

preciso reler o post anterior…

November 10, 2010

…pra ver se eu me lembro do sentido das coisas. Porque hoje… está difícil, viu? Aliás, não é só hoje não que está difícil. 2010 todo. Já está bom de acabar esse ano, né?

Mas hoje está particularmente difícil porque amanhã é o dia da prova ou-vai-ou-racha de Cálculo 3. Preciso de toda a boa sorte com que eu puder contar. Torçam por mim.

 

pra lembrar que as coisas fazem sentido (às vezes)

October 13, 2010

Semana passada foi bem esquisita. Prova mensal de cálculo (cálculo 3, que faz a gente sentir saudades de quando matemática era feita só com números). Estudei pouco, fui mal.

A primeira reação foi damage control: conversar com o professor pra avaliar o que vem pela frente e como eu posso me preparar; reavaliar a maneira como eu me preparei pra a prova e fazer as mudanças necessárias. Abri mão de um dia de trabalho na biblioteca e refiz meu plano de estudo. Ah, tá bom, eu sou uma nerd irritante, mas fazer o que?

Depois disso tudo, ainda ficou um gosto amargo. Pra que tanta matemática, meu Deus? E por que eu acho essa matéria tão difícil? Será que eu estou mesmo fazendo a coisa certa? Economia nessas bandas de cá depende fortemente de números e cálculos (o que costuma me irritar normalmente, não só quando eu vou mal em uma bendita prova)… E aí, será que eu tenho mesmo a ver com isso?

Hoje eu vi que sim. Na aula desse cara aqui.

Certeza que mais da metade dos 300 alunos que assistem a aula dele acharam o assunto repetitivo, irrelevante e chato (a não ser pelas ocasionais piadas que fazem a fama do tal professor). Eu achei brilhante-e-desconcertante-e-genial-e-que-bom-que-eu-estava-lá-e-é-sim-eu-tenho-que-estar-aqui-mesmo,-estou-fazendo-a-coisa-certa. A aula foi sobre o debate Jeffrey Sachs versus William Easterly. Lembra desses nomes? Estavam aqui, no post anterior.

Isso quer dizer que agora eu entendo um pouco melhor o que cada um desses malucos argumenta (querem que eu explique?). E acho que gosto ainda mais do pessoal do MIT. Mas gosto mais mesmo do professor X e suas duas conclusões:

1) Dinheiro de graça pode causar muito estrago. Não importando quão bem intencionadas sejam as pessoas e instituições que enviam ajuda à África (ou qualquer outra região do mundo, pra dizer a verdade, mas vou ficar só na África pra fechar com o post anterior), quando algum estrago acontece (corrupção, desemprego, etc), alguém tem que ser oficialmente responsabilizado.

Accountability é uma palavra muito usada no setor privado norte-americano — que valha também para o terceiro setor.

2) Nós temos que aprender e melhorar. O sistema de distribuição de ajuda financeira hoje não prevê nenhum mecanismo de feedback. A grande maioria da ajuda é imposta, de cima pra baixo, sem que ninguém saiba se é o melhor jeito, se é o que as pessoas realmente precisam. Se funciona. 50 anos de ajuda financeira para a África e o PIB da região não aumentou e ninguém sabe por que. #developmentaidfail.

A linha de pesquisa do grupo do MIT tenta reverter isso, estudando cientificamente as maneiras mais eficientes de entregar ajuda. (Eficiência, taí outra palavra favorita do setor privado) Parece que o caminho é por aí mesmo; que valha pra todo mundo.

E agora… cálculo 3.

os randomistas estão chegando

August 5, 2010

Eu já falei aqui que “desenvolvimento” se tornou um dos meus assuntos favoritos?

Se não falei, está falado agora. Começou com a sustentabilidade, depois veio o desenvolvimento sustentável, e depois em algum momento eu pensei que tão importante quanto a sustentabilidade deveria ser conquistar o desenvolvimento. Tirar as pessoas da pobreza. Emprego, comida, educação, dignidade. Não sei por que eu não tinha pensado nisso antes.

Até agora eu vi que existem mais ou menos duas correntes de pensamento nos Estados Unidos a respeito de desenvolvimento, principalmente em relação à África. De um lado, economistas como Jeffrey Sachs (que é professor da Columbia, aliás) defendem que tirar a África da pobreza é uma questão de dinheiro: quanto dinheiro os países desenvolvidos mandam para a região em forma de ajuda. Ou seja, com a quuantia certa, as políticas e intervenções certas, tirar a África da pobreza passa a ser uma questão de tempo.

Daí tem o pessoal que não concorda. O mais notório deles é o professor de economia da NYU William Easterly, que defende que o desenvolvimento econômico é alcançado através da iniciativa privada e do livre mercado. Ajuda econômica seria tipo terapia ocupacional para os países desenvolvidos: desperdício. A prova seria o fato de que apear dos bilhões de dólares despejados na África, o PIB da região não aumenta significativamente ao longo do tempo.

Aí entra uma senhorita francesa na discussão. Esther Duflo, economista do MIT. Desse debate todo, ela tira um raciocínio: não dá para dizer como a África estaria hoje sem a ajuda dos países desenvolvidos. Só existe uma África, com uma história. Não temos uma África-controle, uma África-placebo, que poderia nos dizer se as coisas estariam melhor ou pior sem a ajuda externa.

Mas, dizem meus amigos do MIT, independentemente da ideologia por trás da ajuda, existe um jeito de ter certeza de que a ajuda é o mais eficaz possível: testes randômicos controlados. Funciona assim: uma vila da África recebe a ajuda que sempre recebeu, outra não recebe nenhuma, outra recebe uma terceira ou quarta alternativa de ajuda. No final os resultados são comparados, sempre com esse grupo controle, o grupo normal onde nada foi feito.

Aqui nesse vídeo do TED a própria Duflo explica como funciona esse tipo de pesquisa:

A Bloomberg BusinessWeek chama esse pessoal do MIT de Rebeldes Pragmáticos.

Eu gosto duma boa rebeldia.

onde estava, onde estou

July 28, 2010

Eu sempre penso em matar esse blog.

Tem uma neurótica dentro de mim que odeia blogs desatualizados. São tão bons quanto mortos.

Mas às vezes entra em cena uma Serena menos rígida, que lembra que a idéia original desse blog era fazer um caderninho de anotações dos meus interesses, um mapa das coisas que eu quero conhecer, um relicário das coisas que eu prezo. E olhando assim, até que ele não precisa ser atual não. Basta estar aqui pra eu dar uma olhadinha de vez em quando e me lembrar de onde eu vim e para onde eu quero ir. E já dá para notar umas senhoras diferenças nesse percurso.

Quando eu comecei a blogar aqui, a palavra que eu tinha em mente era “sustentabilidade”. Essa coisa etérea e indescritível de reduzir o impacto da sociedade sobre a natureza. Há algum tempo eu tenho pensado mais em “desenvolvimento sustentável”, que é também uma disciplina pouco pragmática, mas que se baseia em uma pergunta diferente: o que devemos fazer para que os países subdesenvolvidos cresçam e os desenvolvidos mantenham o padrão sem comprometer permanentemente os recursos naturais.

É uma diferença sutil, mas que me parece essencial: a sustentabilidade tem que acomodar a sociedade atual e também uma versão maior e melhor, com menos pobreza e, consequentemente, mais consumo.

Difícil, né?

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