Cosmos: Ciência e poesia [RESENHA]
A Ciência é tão deslumbrante quanto complexa. Torná-la mais acessível e “popular” é um dos grandes desafios da área e, provavelmente, quem mais se aproximou do objetivo foi Carl Sagan, brilhante divulgador científico e autor da versão original da série Cosmos, nos anos 1980.
Desde que Sagan faleceu, em 1996, sua viúva Ann Druyan buscava produtoras dispostas a mergulhar em uma nova aventura pelo espaço-tempo. A nova série ainda levaria muitos anos para sair da imaginação de Druyan, mas, para nossa sorte, um nome abraçou a causa desde o começo: o astrofísico Neil deGrasse Tyson. Muitos leigos, incluindo eu, conheciam o cientista pelo famoso meme do “Ui” (lembra?), mas recentemente ganhamos um motivo muito melhor para lembrar deste sujeito incrível.
Sim, porque no ano passado, Cosmos – Uma Odisseia no Espaço-Tempo estreou com todas as pompas nos dez canais da rede Fox, além de estar disponível agora para todos os assinantes do Netflix. E olha, é difícil resumir a agradável surpresa que tive ao assistir a nova produção.
A “Cosmos de Tyson”: poética e cativante
Qual a idade da Terra? Como saber a composição de planetas a milhões de anos-luz? Como a vida evolui?
Ao longo de 13 episódios, Neil deGrasse Tyson transmite conceitos extremamente complexos de forma que é possível um leigo em Ciência entender minimamente e se interessar pelos temas. O que já é um grande feito.
Claro; não vou exagerar e afirmar que as ideias são de fácil compreensão. A série, aliás, começa light e entra gradativamente no modo hard. No entanto, o ritmo cadenciado, a voz agradável e a empolgação com que o Tyson transmite os conceitos nos prende cada vez mais a atenção.
Cosmos transita entre a Ciência e a poesia, como em “Um céu cheio de fantasmas”, título do terceiro episódio. O capítulo explica que muitas estrelas que vemos no céu provavelmente nem existem mais, visto que estão a milhões de anos-luz da Terra e podem ter se extinguido enquanto sua luz viajava até nós. Com este gancho, o astrofísico explica o que é a luz, como ela se locomove, qual a distância entre as estrelas, entre outros conceitos.
Tudo isso com o apoio de computação gráfica usada na medida e animações que ilustram bem as jornadas de descobertas. Aliás, uma das coisas mais encantadoras da série é a abordagem humanizada e próxima dos cientistas.
Longe de dar uma série de nomes e datas, como fazem os livros didáticos, os episódios contextualizam a vida de cada um e mostram, por meio de histórias bem ilustradas, como eles chegaram às suas descobertas. Assim, fica muito mais interessante saber como estes “meros mortais” contribuíram para que pudéssemos entender melhor o planeta em que vivemos e o nosso papel no Cosmos.

Animação mostra Michael Faraday divulgando Ciência para jovens no Royal Institution. As palestras no instituto começaram em 1825, com Faraday, e outros nomes seguiram com a tradição até nossos dias, incluindo Carl Sagan.
Um tributo a Carl Sagan
É bobagem debater “qual Cosmos é melhor”, afinal o objetivo nem é este. A proposta do remake é atualizar a série, tendo em conta os avanços da ciência e do próprio audiovisual nas três décadas que separam as produções.
No entanto, é preciso destacar que a produção de 2014 paga um tributo imenso a Sagan e retoma elementos-chave da série original. Entre eles, a nave da imaginação – um meio de explorar qualquer época ou lugar no Espaço – e o calendário cósmico, uma proposta bem interessante, que comprime toda a história do Universo em um ano terrestre, de janeiro a dezembro.
O calendário lembra o quão recente é a nossa presença no Universo. Se 1º de janeiro é o Big Bang, a história do ser humano está confinada na última hora da última noite de dezembro! Na verdade, toda a produção humana registrada desde que aprendemos a cultivar o solo e viver em pequenas cidades pertence ao último minuto deste calendário. É um belo tapa na cara do homem, que até poucos séculos atrás acreditava ser o centro do Universo. Afinal, “a astronomia é um constante exercício de humildade”.
No capítulo inicial, Tyson relembra seu primeiro encontro com o cientista, em 1975. De forma emocionada, ele menciona que era apenas “um rapaz de 17 anos do Bronx”, mas que o astrônomo mais famoso da época encontrou tempo para passar um dia com ele em Nova York, mostrar seu laboratório na universidade de Cornell, autografar um livro e leva-lo de volta até o ponto de ônibus. Era um sábado de muita neve; na despedida, Sagan deixou o telefone de casa, pedindo para o rapaz ligar e passar a noite em casa se o ônibus não passasse. “Eu já sabia que queria ser um cientista, mas naquela tarde, aprendi com Carl o tipo de pessoa que eu queria ser”.
A série é também uma grande homenagem à Ciência e à luta daqueles que tiveram de enfrentar a religião, a opinião pública e frequentemente outros cientistas para que ela avançasse.
Cosmos mostra o quão pequeno somos em relação ao Universo, mas também o quão grande podemos pensar. Mostra que, de certa forma, estamos conectados a tudo. “Somos feito de estrelas”, como disse Carl.
Essa confusão chamada Facebook
Prestes a completar 10 anos de vida, o Facebook continua entre os sites mais acessados no Brasil e no mundo. Ao contrário de redes sociais direcionadas, como Pinterest (fotos) ou Last.fm (música), o site de Mark Zuckerberg se propõe a ser o mais abrangente possível e faz uma grande “salada” com amigos próximos, colegas de trabalho, familiares, conhecidos…
Ainda é difícil dizer qual seu destino a médio e longo prazo, mas um estudo interessante indica que os mais jovens estão deixando o Facebook um pouco de lado. Os motivos? Primeiro: estão migrando para aplicativos de mensagens (Whatsapp, WeChat, Snapchat) e de fotos (Instagram). Segundo: muitos não se sentem nem um pouco à vontade com a chegada de familiares na rede social. Eu iria além e diria que o incômodo não é só dos mais jovens. Nós ainda temos dificuldade para lidar com pessoas que saiam minimamente do nosso círculo social e de nosso mundo de opiniões confortáveis.
Tendo em vista os posts com notícias ou opinativos, formei a imagem de que a página inicial do Facebook é como um grande hall onde podemos espiar o que estão discutindo em cada “sala”. Em cada uma dessas salas as pessoas postam suas opiniões a partir de um determinado contexto e esperam que quem for comentar (“entrar na sala”) tenha esse contexto em mente, para que haja um diálogo coeso. Mas a coisa não é tão simples assim. Como mencionei acima, o Facebook faz uma salada e coloca no mesmo ambiente pessoas que geralmente não se estariam na mesma conversa. Pelo menos não na “vida real”. E não é difícil notar que nós somos mais desinibidos para expor opiniões na internet do que frente a frente.
No meu caso, por exemplo: além de piadas não muito engraçadas, no Facebook eu costumo postar pequenos textos sobre assuntos do momento, sejam de política, religião, música, esporte etc. Ou simplesmente contar experiências pessoais. Normalmente escrevo como se estivesse discutindo o assunto na faculdade ou conversando com amigos mais próximos.
Lembro que certa vez descrevi uma perseguição policial que presenciei à distância; a PM se comunicou de maneira eficiente e conseguiu fechar uma rua mais à frente, prendendo o ladrão do carro. Na ocasião, algumas pessoas perguntaram se eu estava bem, outras comentaram que o mundo está cada vez mais violento. Tudo nos conformes. Era um post comum e já parecia até esquecido na timeline.
Então, algumas horas depois, uma amiga que muito estimo comentou que foi uma pena o bandido ter sobrevivido. Em seguida, outro amigo discorreu sobre os excessos da PM e contou que ele mesmo já foi abordado de maneira abusiva, como se fosse um bandido. Surgiu ainda um desconhecido relatando que uma vez se defendeu de um assalto metendo a faca na garganta do bandido. Não lembro como o “tiroteio de comentários” terminou, mas essa mudança de foco e a entrada de personagens inesperados na conversa é até frequente na rede social.
Pessoalmente, até gosto quando os posts rendem bastante e mudam o objeto de discussão, mas em geral tendemos a evitar o desgaste. Frequentemente os usuários se excedem e colocam opiniões pessoais acima das relações, gerando hostilidades desnecessárias. Esse é um motivo pelo qual muitos lamentam a presença do “tio reaça”, do “colega comunista”, da “prima crente” ou do “corintiano maloqueiro” no Facebook. É claro que as pessoas são bem mais complexas que isso, mas nós temos esse infeliz costume de colocar rótulos para ter um “motivo” de refutá-las logo de cara.
A questão da Persona

Carl Gustav Jung, o fundador da Psicologia Analítica. Seu conceito de Persona trata da “máscara” que usamos para nos adaptar a diferentes ambientes sociais.
Além dos atritos, muitas pessoas não se sentem à vontade para expor certos conteúdos nessa “vitrine social”. Por exemplo, é por isso que muitos jovens preferem fazer algumas piadas ou comentários no Twitter, onde sabem que não vão se deparar com familiares e colegas de trabalho.
Por mais que sejamos desinibidos com nossos amigos, ainda é difícil conciliar a maneira de agir em ambientes distintos, como na família ou no trabalho. Isso tem a ver com o que o Carl Jung definiu como Persona: é a “máscara” que usamos em cada espaço social. Que fique claro que máscara nesse caso não tem conotação negativa, é apenas a forma como nos adaptamos a cada ambiente. Se usada de maneira equilibrada, pode ter efeitos benéficos para nós (como deixar certos comportamentos de lado no meio profissional).
A confusão que o Facebook causa é justamente por misturar todos esses espaços sociais e pessoas no mesmo lugar. É como se estivéssemos na nossa “sala” conversando com os amigos mais próximos e, de repente, tias, colegas de trabalhos, parentes distantes e até desconhecidos entrassem no meio da conversa.
É normal ficar meio perdido nesse contexto de pós-modernidade; nas últimas décadas mudanças tecnológicas e comportamentais vêm acontecendo com uma velocidade jamais vista. Não dá para prever se o Facebook vai continuar soberano entre as redes sociais, mas é consenso que elas vieram para ficar (até mesmo a terceira idade está se jogando nas redes).
O melhor conselho no momento é exercitar a tolerância e o equilíbrio na internet. E também na vida real.
Democracia representativa sem partidos, cazzo?

Na Avenida Paulista, bandeiras foram rasgadas e queimadas por “apartidários” (ou seriam antipartidários?)
Foto: Daniel Teixeira/Estadão
“Os problemas da política (…) tornaram-se sempre mais complexos, de forma que não podemos mais nos contentar com fórmulas de efeito. E como os problemas se tornaram sempre mais complexos, as soluções satisfatórias se fizeram sempre mais raras (e é por isso que a tentação de tomar atalhos torna-se às vezes irresistível). Fique bem claro que as boas soluções são raras para quem não deseja renunciar a algumas instituições fundamentais que distinguem um Estado democrático de um que não o é.”
Espero que tenham entendido o que “fórmulas de efeito” e “tomar atalhos” querem dizer. O alerta contra “salvadores da pátria” e golpes que se propõem a “colocar uma nação nos eixos” é do italiano Norberto Bobbio (1909-2004), um dos maiores pensadores políticos do mundo no século XX. Em país nenhum do mundo existe fórmula mágica para resolver os problemas de uma nação e, com todas as experiências políticas que tivemos até aqui, a democracia representativa pluripartidária foi a fórmula mais próxima que conseguimos para atender as demandas dos mais diferentes setores da sociedade.
Mas afinal, o que é um partido? Há tentativas de definições jurídicas, sociológicas e filosóficas, no entanto vamos encarar do ângulo mais geral: um partido é a união de cidadãos com afinidades políticas e ideológicas, tendo como meta a disputa do poder político e a implantação de suas práticas e ideias. Tendo a democracia representativa como sistema político, é impensável que os cidadãos sejam representados no poder sem a existência de partidos. A menos que alguém tenha como meta a democracia direta (como na Grécia Antiga, quando todos os homens livres tinham poder direto de voto em cada cidade-Estado), o que é praticamente impossível em uma nação com a nossa complexidade e quase 200 milhões de habitantes, nosso sistema político continua sendo a democracia representativa com a presença de partidos.
Por que essa introdução teórica toda? Porque eis que na manhã desta quinta-feira (21) Cristovam Buarque, um dos senadores de boa reputação e prestígio em Brasília (caso raro) simplesmente defendeu no Senado “a abolição de todos os atuais partidos políticos oficiais”.
Embora o tom de seu discurso no Senado (focado em uma Reforma Política que atendesse os anseios do povo) tenha sido bem diferente, sua mensagem no Twitter foi no mínimo irresponsável e pode dar margem a políticos golpistas sugerirem aqueles “atalhos” que Norberto Nobbio nos alertou. A última vez que ouvimos algo parecido com isso no Brasil foi no AI-2, em 1965: “Art. 18 – Ficam extintos os atuais Partidos Políticos e cancelados os respectivos registros.”
Ainda é cedo para afirmar que há grupos relevantes articulados preparando salvadores da pátria ou atalhos golpistas para a atual situação do país. Mas notícias como “Comissão aprova regulamentação para eleição indireta em caso de vacância do cargo de presidente da República” realmente assustam. É bem verdade que a notícia é do dia 6, antes do início das manifestações. Mas atentem para o termo “eleição indireta”. Ou seja, não é o povo que iria votar, mas sim os deputados e senadores.
Concordo que é o momento de discutirmos uma Reforma Política, principalmente para aperfeiçoar a representatividade da população. Atos nojentos são feitos no Congresso sem a menor consulta ao povo. Um pequeno exemplo, mas bem ilustrativo: foi uma parcela da população que elegeu o senador Blairo Maggi (PR/MT) e o deputado Marco Feliciano (PSC/SP), mas não fomos nós que os colocamos respectivamente à frente da Comissão de Meio Ambiente e de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.
Um senador de prestígio como Cristovam Buarque tem todo o direito de propor a Reforma Política, mas precisa medir mais suas palavras, principalmente em um momento de tamanha instabilidade no Brasil.
Apartidarismo ou antipartidarismo?
Outro ponto que não podemos ignorar é a tendência fascista cada vez maior nas manifestações em São Paulo. Os protestos na cidade começaram com o Movimento Passe Livre (MPL) centrados em uma pauta específica: a revogação do aumento das tarifas no transporte público. Após uma série de repressões violentas da Polícia Militar (que passaram a ser denunciadas pela mídia após o ato da quinta-feira 13, com vários jornalistas feridos), outros setores da sociedade passaram a fazer parte das manifestações, em solidariedade aos reprimidos pela polícia.
Porém, quando a PM deixou claro que não iria mais agir com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, muitas pessoas aproveitaram a multidão nos atos do MPL para também sair protestando por causas mais genéricas e dispersas, como “o fim da corrupção” e “contra a violência” (como se isso fosse resolvido por decreto e não tratado com políticas públicas e reformas no financiamento de campanhas eleitorais, por exemplo). Isso não é necessariamente ruim, mas uma parcela razoável dos “novos manifestantes” veio às ruas cheio de preconceitos em relação à política e aos partidos políticos, passando a hostilizar partidos que sempre estiveram nos protestos do MPL e nos movimentos sociais em geral, como PSTU, PSOL, PCO e PCdoB.
O MPL existe deste 2005 e se define como apartidário, mas não contra os partidos, tanto que bandeiras de partidos sempre estiveram nas manifestações. “O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial”, comentou ontem (20) Mayara Vivian, do MPL.
Na manifestação de ontem na Av. Paulista, que parecia com tudo, menos com protesto (tinha banda de rock tocando, barraquinhas vendendo pipoca e até gente vendendo cerveja), a coisa desandou de vez. Não apenas bandeiras de partidos foram rasgadas e queimadas, mas também bandeiras do MST, do Movimento Feminista e até do Movimento Negro. Como diz a matéria Ontem foi pior, do Vice.com, “Não dá pra engolir papo “apolítico” quando rasgam uma bandeira do movimento negro”.
É óbvio que a esquerda não detém o monopólio das ruas e nem deve achar ruim que outros segmentos da sociedade passem a tomar gosto pelas ruas. Mas muitos dos que se dizem “apartidários” na verdade defendem (talvez sem perceber) um antipartidarismo meio fascista. A partir do momento em que agressões físicas são dirigidas a militantes de partidos, movimentos sociais e organizações com o objetivo de retirá-los das manifestações, o direito à liberdade de expressão é cerceado. É uma atitude antidemocrática e autoritária, que supõe que só a via “apartidária” deve ter sua voz nas ruas. Um tremendo paradoxo com quem canta pela democracia ou pelo fim da violência. Pelo menos em São Paulo, há uma semana o maior problema era a truculência da PM e a falta de negociação das autoridades; no momento é a intolerância dos novos manifestantes.
Por enquanto, o MPL tomou a atitude mais sensata: no momento não vai convocar novas manifestações, principalmente para evitar os parasitas. Quem quiser criar um ato contra a Copa do Mundo, que organize o evento. Quem quiser um ato contra a PEC 37, que faça o mesmo. E por aí vai.
Como li em algum blog, “Qualquer levante popular em que a pauta não é muito definida, cria-se uma situação de instabilidade política que pode virar qualquer coisa.” E esse qualquer coisa é um grande perigo.
O futuro da TV pode não estar na TV

“House of Cards” e outras séries produzidas exclusivamente para a internet disputam espaço com as TV’s a cabo.
O thriller político House of Cards estreou no Netflix em fevereiro, mas já é a maior audiência mundial do serviço de streaming. Sua repercussão se explica não apenas pelo desempenho inspirado do protagonista Kevin Spacey e da atmosfera de poder que flerta com a realidade. O seriado também chamou a atenção por ser produzido pelo próprio Netflix e por disponibilizar a primeira temporada inteira (treze episódios) numa cartada só. A disputa de mercado entre os sites de streaming e as TV’s a cabo está só começando (o assunto será tratado adiante).
Na megaprodução – o custo médio por capítulo é de US$ 3,8 milhões –, Kevin Spacey interpreta o congressista Francis Underwood, líder do Partido Democrata e peça fundamental para eleger o novo presidente dos EUA, Garret Walker (Michel Gill). Havia um acordo para que Underwood assumisse como Secretário de Estado, mas a chefe de gabinete Linda Vasquez (Sakina Jaffrey) avisa que o escolhido foi outro parlamentar. Ao ser preterido, o deputado finge aceitar passivamente a decisão, mas nos bastidores passa a tramar vingança.
Conforme Spacey disse à Reuters, seu personagem é “diabólico”. Mas talvez maquiavélico seja o termo mais preciso. Pragmático, manipulador e ambicioso, o deputado não mede esforços para realizar manobras políticas e atingir seus objetivos. Sua esposa Claire (Robin Wright) também segue essa filosofia, apesar de em alguns momentos transparecer certo remorso reprimido. Outra personagem importante da trama é a jovem repórter Zoe Barnes (Kate Mara), usada por Underwood para vazar informações comprometedoras do governo.
A série trata do poder, mas também aborda outras questões interessantes, como as relações promíscuas com a imprensa e a crise dos jornais tradicionais, agravada com as mídias digitais.
[SPOILER] Uma fala ilustra bem esse contexto. Quando Zoe Barnes começa a se destacar no The Washington Herald, o diretor Tom Hammerschmidt (cuja visão da realidade está no mínimo ultrapassada) briga com a repórter e a demite. Em seguida a dona do jornal convoca Tom para prestar esclarecimentos. O diretor se defende assim: “Zoe Barnes, Twitter, blogs, novas mídias… tudo isso é superficial. São modas passageiras. Não são a fundação sobre a qual este jornal foi construído, nem são o que o manterá vivo.” (assista a cena completa aqui) [/SPOILER]
Vale destacar também um recurso peculiar da série que Kevin Spacey executa com maestria: em momentos importantes o ator se vira para a câmera e conversa com o público, como se este fosse o próprio ego do protagonista. A sensação é que estamos lendo seus pensamentos para entender o melhor passo-a-passo do deputado antes de cada ação. O artifício simula um narrador, mas sem a necessidade de off’s. Às vezes parece um recurso dispensável, mas em geral é irônico e bem divertido.
Em House of Cards, o público pode ficar com um pé atrás quanto à verossimilhança dos lobbies e manobras para derrubar políticos, que ocorrem com tanta facilidade. E dá mesmo a impressão que a série exagera um pouco. Mas quem trabalha nos bastidores do poder afirma que a ficção é (preocupantemente) próxima da realidade. “Talvez por estar vivendo em Brasília por dever do ofício há muito tempo, considerei House of Cards muito feliz ao representar manobras e conchavos políticos dos mais diversos. O deputado democrata que é a personagem principal manipula seus aliados, mente de forma descarada e influi no noticiário com muita habilidade. Já vi esse filme dezenas de vezes”, conta o experiente jornalista político Fernando Rodrigues, que também foi correspondente em Washington no início dos anos 1990.
Confira abaixo o trailer oficial:
Cruzando o Atlântico
A produção é uma refilmagem da minissérie House of Cards exibida na BBC nos anos 1990, que por sua vez é baseada no livro homônimo de Michael Dobbs, político e escritor inglês. De fato o Netflix fez mais que uma refilmagem, já que a obra original tinha como pano de fundo o parlamento britânico.
Para transpor a série ao contexto americano, a equipe foi atrás de Beau Willimon, roteirista de Tudo pelo Poder (2011) – longa de George Clooneyque aborda o jogo sujo nas prévias para a eleição presidencial. Detalhe: Willimon tem como experiência pessoal o trabalho nas primárias do candidato democrata à presidência Howard Dean (2004).
Produções para internet entram na briga
House of Cards não é uma aposta isolada do Netflix. Em 2013, o serviço está investindo pesado em conteúdo próprio e já produziu outras séries como Hemlock Glove e Orange is the New Black.
Se a vida das TV’s a cabo estava complicada com a pirataria, a concorrência de serviços como Netflix, Crackle, Hulu e até o Amazon acirrou a disputa nesse mercado. Uma característica em especial chama a atenção nessas produções: os sites estão oferecendo ao público aquilo que ele quer, baseados em pesquisas e no monitoramento da própria atividade dos usuários nos serviços de streaming.
O Netflix, que possui 36 milhões de usuários no mundo, cruzou seus dados de maneira quase científica para produzir House of Cards. A empresa notou que a série original britânica tinha uma boa audiência no site. Também descobriu que o ator Kevin Spacey e o diretor David Fincher (“Clube da Luta” e “A Rede Social”) eram admirados pelos usuários. Resumindo: Ted Sarandos, diretor de conteúdo, concluiu que os ingredientes formavam uma boa mistura e o site comprou os direitos da série, oferecidos pelo estúdio independente MRC. Spacey foi chamado para o papel principal e Fincher como produtor-executivo.
E já que é para fugir do padrão, o site divulgou os treze episódios da primeira temporada de uma só vez. O protagonista afirmou que essa pode ser uma tendência: “Quando pergunto aos meus amigos o que eles fizeram no fim de semana, eles dizem, ‘Ah, eu fiquei assistindo três temporadas de Breaking Bad ou duas temporadas de Game of Thrones“. O Twitter oficial do site também fez uma brincadeira sobre isso no Carnaval: “Assistam com responsabilidade. Não se esqueçam de tomar banho, comer e alongar”.
Para fechar, uma boa notícia para os fãs: a segunda temporada está confirmada e as gravações começam em breve.
Ainda é cedo para dizer que produções milionárias feitas para a internet já deram certo. Mas é curioso que um dos melhores TV shows do momento não esteja… na TV.
Charme e caos
A estação de trem da Luz, talvez a mais ilustre de São Paulo, comporta não só uma multidão humana diariamente, mas também uma multidão de contradições. Um dos ícones do desenvolvimento da cidade, a construção na verdade tem mais elementos britânicos do que brasileiros. Observada de fora, é um misto de Big Ben e abadia de Westminster. Não apenas o estilo é vitoriano, como boa parte de sua matéria-prima veio da Inglaterra.
Tudo isso não é mera coincidência, já que a estação (inaugurada em 1901) tinha como propósito abrigar a nova Companhia São Paulo Railway, empresa de origem britânica que transportava o café paulista pela estrada de ferro Jundiaí-Santos. A partir daí a estação da Luz passou a servir não só a produção cafeeira, mas se tornou o principal ponto de desembarque para quem chegava à cidade de São Paulo. Muitos empresários, diplomatas, chefes de Estado e outras figuras notáveis eram recebidas e se despediam da cidade na imponente estação.
Entendido o pano de fundo histórico, passemos à realidade atual, mais de um século depois de sua inauguração. O local agora é um grande nó da malha de transporte público da cidade, integrando duas linhas do Metrô (azul e amarela) e três linhas de trem (rubi, turquesa e coral). Obviamente que isso só poderia resultar em um grande formigueiro humano atravessando diariamente a estação – os últimos dados apontam cerca de 150 mil pessoas por dia.
É difícil não se deslumbrar ao ser apresentado à “velha senhora” – um de seus antigos nomes. O cenário é um misto de modernidade e tradição. Entrando na estação pela rua Mauá já damos de cara com a galeria superior, que nos dá uma vista panorâmica da plataforma, no andar abaixo. O teto é formado por um grande arco metálico com aberturas de vidro funcionando como teto solar (do contrário, a estação seria muito mais escura). As paredes são de tijolo à mostra e há grandes portas de madeira com arcos bem trabalhados acima delas. A impressão é que a linha reta e os arcos são os elementos básicos da construção, eles estão por todos os lados.
Porém esse deslumbramento todo dá lugar a sentimentos bem diferentes quando descobrimos como chegar nas plataformas de embarque. Como já foi dito, as contradições na estação saltam à vista. Os acessos são feitos por galerias subterrâneas, normalmente superlotadas e pessimamente conservadas. Há uma espécie de calha no chão onde sentimos um fedor de esgoto, como também uma escada quase sempre interditada por causa de goteiras (mesmo quando não chove).
Finalmente acessamos a plataforma; a questão agora é torcer para que o trem não demore. O número de pessoas que chegam ao local constantemente impressiona. Nessas horas, não é preciso ser um mestre da psicologia social para notar que toda a cordialidade e gentileza humana vão diminuindo proporcionalmente ao tempo de demora do trem.
Pela manhã um fluxo sem fim de estudantes e trabalhadores dividem espaço na plataforma. Há também idosos, grávidas e pessoas com necessidades especiais se protegendo para não serem engolidas pela multidão na hora de embarcar. As pessoas torcem para que venha uma composição da nova frota, mais confortável, com portas maiores e ar condicionado. Mas frequentemente quem dá as caras é o trem tradicional, uma grande lata quente e barulhenta.
Dentro do trem
Diferentemente do Metrô, nos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) a composição não tem local delimitado para “estacionar” e abrir as portas. Sendo assim, quando o comboio para com a porta exatamente à sua frente é como tirar a sorte grande. Ou melhor, é como se a porta te escolhesse e você tivesse mais direito do que os outros de sentar em um banco. Em poucos segundos todas as poltronas são preenchidas, é uma verdadeira corrida ao ouro. Dependendo da linha de embarque e do horário, como no final da tarde, as condições de transporte são desumanas. Assim que o trem parte da estação, a expectativa é para que o número de pessoas desembarcando supere as que entram a cada parada.
No entanto, não dá para falar dos trens da CPTM sem mencionar alguns personagens típicos, como os pedintes e os vendedores ambulantes. Estes merecem um estudo à parte. Eles vendem de tudo: Chocolate, chiclete, amendoim, água, revista Coquetel, guarda-chuva. Uma vez presenciei um senhor vendendo alicates da Mundial, coisa de qualidade. Mas o estranho não é alguém vendendo alicates em um trem, o estranho é que ele realmente consegue vender vários.
Parece haver uma ética de classe entre os vendedores: pode ser que tenham dois deles no mesmo vagão, mas ambos nunca vendem a mesma coisa. Se isso acontecer, faíscas podem sair. Mas entre a classe de ambulantes e a de pedintes não parece existir a mesma ética. Certa viagem, uma mulher começou a contar que tinha duas filhas deficientes, uma delas com paralisia cerebral – para comprovar a história, exibia esta filha enquanto falava. De repente, a voz quase musical de um homem se sobrepõe, anunciando “Chocolate é um real! Amendoim é cinquenta!”. A confusão se estabeleceu, envolvendo inclusive os passageiros.
Curiosas também são as malandragens para aumentar as vendas no trem. Existe o clássico golpe do “fiscal na próxima estação”. O vendedor começa anunciando algum produto por R$5. Logo, um parceiro “alerta” que na próxima parada existem fiscais esperando para confiscar o material. Assim, o vendedor faz uma “promoção”:
– Pessoal, os fiscais tão passando o rapa! Pra acabar com as últimas unidades estou fazendo só por três reais, senão eu perco tudo!
Alguns passageiros dão risada e acabam comprando, talvez por simpatizar com os vendedores. Apesar de todo o caos da viagem, nota-se um clima de camaradagem nos trens.
Desembarque
No fim de tarde, o desembarque na Luz é outro espetáculo que pode assustar. Não raramente dois comboios chegam simultaneamente, cada qual vindo de uma linha e descarregando centenas de pessoas. A imagem parece uma releitura do quadro “Operários” (Tarsila do Amaral), mostrando toda a diversidade cultural da massa paulistana.
Com tanta gente desembarcando ao mesmo tempo, uma boa opção é aguardar todo esse funil humano descer as escadas rolantes. Eu paro e observo toda a arquitetura imponente da estação; todos os detalhes rebuscados no estilo vitoriano. Depois olho para os trilhos e vejo em meio às pedras uma infinidade de objetos e itens curiosos, como uma embalagem de preservativo masculino. Também vejo entre os trilhos um pequeno rato, expressivo, quase simpático.
É curioso como a manutenção desleixada e todo o caos diário nas plataformas convivem nessa estação tão rebuscada e cheia de história. É capaz que boa parte dos passageiros nem saiba a origem desse pedaço britânico na capital paulistana. Para completar a salada multicultural, vale lembrar que há alguns anos a estação mais inglesa da cidade também abriga o Museu da Língua Portuguesa.
A estação da Luz é realmente uma multidão de contradições.
A realidade que beira a ficção [RESENHA]

“Os últimos soldados da guerra fria” (Fernando Morais) poderia muito bem ser um romance de espionagem, não fosse totalmente baseado em fatos reais…
Talvez nunca um livro-reportagem brasileiro se aproximou tanto de ficções de espionagem. Em “Os últimos soldados da Guerra Fria” (Companhia das Letras, 416 páginas), o jornalista Fernando Morais é tão habilidoso em organizar os fatos e escrever uma boa história que o roteiro não fica devendo nada às histórias de agente secreto que vemos no cinema. Com a importante diferença de que tudo no livro é fruto de extensa apuração.
A obra narra as aventuras de espiões infiltrados em Miami pelo governo cubano, com o objetivo de prevenir ações terroristas feitas por organizações de extrema direita (como a Hermanos Al Rescate e a Fundación Nacional Cubano-Americana). Tais atentados eram produzidos por cubanos anticastristas exilados – às vezes por mercenários contratados na América Central – e se dirigiam principalmente a hotéis e restaurantes, já que era o turismo que vinha salvando Cuba da derrocada após a queda da União Soviética.
Mas a obra de Fernando Morais tem uma diferença fundamental com os filmes do James Bond: os agentes secretos retratados no livro não possuem carros possantes, acessórios tecnológicos nem vidas minimamente glamorosas. Pelo contrário, os espiões cubanos têm baixíssimo orçamento e são obrigados a viver de bicos e cumprir suas missões fora do horário de trabalho. Em parte, isso ocorre para não chamarem a atenção, em outra, porque o próprio departamento secreto da Ilha não tinha recursos de sobra para a operação.
Com personagens fascinantes, a obra vai bem além de retratar as diferenças políticas entre Cuba e Estados Unidos, mas envolve o leitor com ação, sonhos, angústias e amores. O espião René González, por exemplo, teve de forjar sua deserção (com uma fuga cinematográfica de avião) para poder se infiltrar em organizações antirrevolucionárias em Miami, enganando até a própria mulher – que, anos depois, saberia que se tratava de um ardil da inteligência cubana e conseguiria reencontrar o marido na Flórida.
Um trecho que chama a atenção é quando Fidel Castro pretende entregar um dossiê para Bill Clinton denunciando as ações terroristas na Ilha, mas quer ter certeza que o documento chegará às mãos do então presidente americano. A primeira tentativa falha, mas na segunda entra em ação seu amigo colombiano Gabriel García Márquez (Prêmio Nobel da Literatura), que visita a Casa Branca e entrega o dossiê para um assessor direto de Clinton. Essa ponte secreta é apenas uma das informações de bastidores que ficamos sabendo existir entre ambos os governos.
O bom relacionamento de Fernando Morais com Cuba garantiu seu acesso às milhares de páginas produzidas pela rede Vespa (como foi batizado o grupo de duas mulheres e doze homens infiltrados nos EUA). Já as entrevistas somam dezenas: familiares dos espiões, líderes das organizações de extrema-direita em Miami, personagens locais e até agentes do FBI, que só aceitaram dar depoimentos sem se identificar.
Como muitos agentes cubanos foram presos em 1998 e seguem em prisões de segurança máxima até hoje, Morais só teve acesso a eles via e-mail. Apenas René foi solto, em outubro do ano passado (mas ainda cumpre três anos adicionais de liberdade supervisionada nos Estados Unidos).
É uma história com enredo e personagens tão cativantes que podia virar filme. Aliás, a boa notícia é que vai mesmo ganhar adaptação para o cinema, já que a conclusão do livro só foi possível graças ao financiamento do diretor Rodrigo Teixeira, que comprou os direitos da obra.
Longe de fazer apologia ao governo socialista, fica claro que Fernando Morais se posiciona a favor de Cuba. Mas personagens dos mais diferentes setores ideológicos completam e enriquecem a narrativa, ajudando a entender melhor a saga desses catorze agentes cubanos – o verdadeiro foco do livro-reportagem.
A origem do Natal e a importância de termos “datas especiais”
O 25 de dezembro é uma data de renovação e de alegria em várias culturas desde a Antiguidade. Você sabe por quê?

Culturas antigas associavam o solstício de inverno (data em que os dias começam a ficar “cada dia mais longos”) ao nascimento, à renovação.
Não é um mistério muito grande que Natal significa nascimento. Desde a antiguidade, o 25 de dezembro é festejado no hemisfério norte por marcar o solstício de inverno, data em que os dias começam a ficar “cada dia mais longos” (resumindo, quando começa o Sol inverte o ciclo e começa a se pôr cada vez mais tarde). Para nós, do hemisfério sul, ele ocorre em 21 de junho. Foi o imperador Júlio César quem fez a reforma do calendário e instituiu 25 de dezembro¹ como o Dies Natalis Solis Invicti (Dia do Nascimento do Sol Invencível).
Os povos antigos guiavam sua produção e mesmo suas vidas de acordo com os fenômenos astronômicos, especialmente o Sol. Em várias culturas, o solstício de inverno representava felicidade e renovação. Não por acaso este era o dia das Saturnálias², na Roma Antiga, de Dionísio (deus do vinho, do prazer e do lazer), na Grécia, etc.
A Igreja Católica reconhece a origem pagã do Natal, mas no século IV foi muito inteligente ao adotar uma data já tradicionalmente ligada à renovação e às festas para “dar a certidão de nascimento” a Jesus. O teólogo católico Mário Righetti afirma que “a Igreja de Roma, para facilitar a aceitação da fé pelas massas pagãs, achou conveniente instituir o 25 de dezembro como a festa do nascimento temporal de Cristo, para desviá-las da festa pagã”.
Independente de tudo isso e da fé de cada pessoa (eu mesmo sou ateu), acho muito válido que o Natal seja um momento de reflexão, de união, de dar e receber presentes, enfim, de estimular o lado bom que existe dentro de cada um de nós. Acho que cristãos devem aproveitar a “ponte” religiosa para promover a união e os demais também deveriam aproveitar a data do mesmo jeito para se reunirem, estreitar os laços, beber, dar risadas, contar histórias, etc.
Muitos gostam de ser chatos e dizer que isso é uma hipocrisia, que é muito forçado “escolher uma data do ano pra ser bom” (em certa parte estão certos). Obviamente que o ideal é que esse espírito de união esteja em nós durante o ano todo, mas o ser humano funciona assim, valoriza mais certas coisas em datas especiais.
Assim como o ideal é valorizarmos sempre nossas mães, comprar brinquedos e dar atenção às crianças e por aí vai… mas quem não gosta daquele clima especial de Dia das Crianças, Dia das Mães, Dia dos Namorados? Particularmente, acho até bom “combinarmos” certos dias para celebrar pessoas ou valores específicos, ainda mais no nosso mundo pós-moderno, onde tudo flui tão rápido e despercebido.
Queira ou não, essas “datas forçadas” costumam gerar momentos marcantes pra gente, não é mesmo? 😉

Quem é que não gosta de trocar presentes e de planejar uma noite especial no Dia dos Namorados, por exemplo?
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¹ No tempo de Júlio César, esta data era o 23 de dezembro, mas o calendário ainda era “falho”.
² As saturnálias eram protegidas pelo deus Baco (o deus do vinho) e não por acaso as festas eram chamadas de bacanais. Era o dia do inverso, onde os escravos trocavam de lugar com seus amos e davam as ordens. O “dono da festa” era o rei Momo – um escravo da classe mais inferior -, que ditava tudo o que deveria acontecer na celebração. O evento era marcado pela bebedeira e pela lascívia, e seu encerramento acontecia com o sacrifício do rei Momo.
“12 homens e uma sentença” mostra o poder da argumentação
Vencedora do Prêmio APCA de Melhor Espetáculo Teatral de 2010, a adaptação do famoso filme dos anos 50 está em cartaz no Teatro Imprensa.

O jurado nº 8 (Norival Rizzo) contesta a unanimidade da mesa: “Não se pode decidir a sentença de uma pessoa em 5 minutos!” Foto: Zineb Benchekchou/Divulgação
A peça “12 homens e uma sentença”, inédita adaptação do clássico filme de 1957 (12 Angry Men, EUA, de Sidney Lumet), está em cartaz no Teatro Imprensa até primeiro de maio. Sob direção de Eduardo Tolentino, a obra estreou nos palcos em novembro passado e ganhou o Prêmio APCA 2010 de Melhor Espetáculo Teatral, além de ser indicada ao Prêmio Shell nas categorias melhor direção e melhor Ator (Norival Rizzo).
A trama se desenvolve dentro de uma pequena e abafada sala de júri, onde 12 homens são responsáveis por condenar ou não um adolescente. Caso o réu – um garoto da periferia de 16 anos, acusado de ter assassinado o próprio pai – seja considerado culpado pelos jurados, o veredito será a execução na cadeira elétrica. No entanto, há um detalhe importante: a decisão dos 12 homens precisa ser unânime.
O testemunho de vizinhos, a faca do garoto encontrada no peito da vítima e outras evidências apontam para uma sentença fácil, mas o jurado nº 8 (Norival Rizzo) contesta a unanimidade da mesa: “Não se pode decidir a sentença de uma pessoa em 5 minutos!”. O elenco conta com José Renato – o fundador do teatro de Arena de São Paulo, que volta aos palcos após décadas – Zecarlos Machado, Eduardo Semerjian, Oswaldo Mendes e outros.
Embora a adaptação trate de temas como pena de morte, noção de democracia e preconceito social, o foco da peça é outro.
“A nossa principal mensagem é o poder da argumentação. Ela pode quebrar preconceitos e mudar as pessoas mais inflexíveis. Há menções à questão social e à ética, por exemplo, mas o foco é o poder da argumentação”, conta o ator Haroldo Ferrary, que interpreta um jurado mais preocupado com um jogo de beisebol do que com o caso.
A peça tem uma dinâmica diferente: não há pausas e a trama toda se desenrola em volta da mesa de júri. “O que ela nos exige, ao estarmos o tempo todo em cena, é uma constante atenção. Mais ainda por ficarmos um bom tempo sem texto algum e, mesmo assim, ser uma peça de idéias. Qualquer desvio de atenção pode custar um momento inteiro da peça”, explica Eduardo Semerjian, que faz o papel de um jurado estrangeiro.
Na primeira temporada, o público frequentemente lotou os 449 lugares da Sala Imprensa, o que não deu muita folga ao grupo. “Nossa temporada de estreia terminou no início de fevereiro, mas alguns dias depois fomos ‘forçados’ a começar uma nova, que segue até primeiro de maio”, destaca Ferrary.
Já o público que assiste as apresentações no Teatro Imprensa é bem heterogêneo. “Descobrimos que essa peça tem um público extremamente amplo: são jovens, velhos, mulheres, homens, alta renda, baixa renda… tem gente de todo tipo, pois esse texto é universal”, comenta Semerjian.
“Ele fala a todo mundo, e não apenas a um tipo de pessoa. Isso porque estão presentes em cena preconceitos e diferenças. Então, em qualquer dos personagens podemos nos ver representados a qualquer momento. Essa variedade nos aproxima de quem assiste”, completa.
No fim da apresentação do dia 10 de abril, o ator Oswaldo Mendes chamou a atenção para o falecimento de Sidney Lumet, diretor de 12 Angry Men, no dia 9.
SERVIÇO
“12 Homens e Uma Sentença”
Teatro Imprensa (449 lugares) – Rua Jaceguai, 400 – Bela Vista
Tel.: 3241 4203
Temporada: 10 de fevereiro a 1º de maio de 2011.
Horários: de Quinta a Sábado, às 21 horas, e aos Domingos, às 19 horas.
Preços: Qui e Sex – R$ 30,00 / Sáb – R$ 60,00 / Dom – R$ 50,00















