Falta um dia

aviao

Já combinei com a mocinha da loja que tem no meu prédio pra cuidar das minhas plantas e já deixei as chaves com ela. Fico mais tranquila de saber que alguém vai estar de olho nas meninas lá de casa e na casinha também, todos os dias, praticamente. Além disso, uma amiga visitante vai chegar antes de mim e precisa pegar as chaves em algum lugar.

A mala está quase pronta. Falta guardar os sapatos e a necessaire. E falta deiar outras poucas coisas organizadas.

Hoje o dia de trabalho será de Workshop. E depois estou de férias!

Embarco amanhã. Sem nuvem vulcânica no caminho e com vôos confirmados para o horário previsto. E já estou planejando passatempo para as cinco horas – eu disse cinco horas – de chá de aeroporto que tomarei na conexão. Lista de músicas, lista de fotos, planejamento de entrega de convites, planejamento de encontro na casa de festas, degustacão, design de pequenos detalhes, escolha das coisinhas do buffet, coisinhas que prometi a umas amigas… Visitinhas, encontrinhos, ai meu Deus! Eu estou chegando!

Ontem falei com meu amor na webcam. Pela última vez na telinha. Hoje o dia será corrido e provavelmente só conseguiremos nos falar rapidamente pelo chat. Ver, agora, só ao vivo, ai meu Deus! Depois desses seis bravos meses com um oceano entre nós, eu só quero saber do abraco, do rodopio e do beijo!

Estou chegando. Borboletas e pterodáctilos* no estômago!

*’Brigada, Fê! Adorei essa!

Malas

Não quero saber se não terei tempo, não quero saber se será difícil, não quero saber e ponto. A cada ida ao Brasil eu tento e até hoje não consegui sair para escalar. Esta época do ano é a melhor, as temperaturas estão amenas e não chove tanto. Pode ser que a pequena mochila com as coisinhas não saia da mala. Mas prefiro o excesso ao risco de ter a oportunidade, o tempo, o grupo, e não ter o equipamento. Portanto, a mochila com meu equipamento de escalada vai!

As coisas do casamento e as coisas cotidianas já estão preparadas. Na minha mente, não na minha mala. Mas estão.

Árvore genealógica

ImageSemana passada, no dia do encontrinho, comentei com a Liza sobre umas das minhas possíveis ideias para decorar o casamento. Pensei em montar uma árvore genealógica das duas famílias que se unem. Sou muito interessada no tema, tenho uma tia super envolvida com a história da família. Pesquisou tudo, muitas geracões. Daí imaginei uma com fotos nossas, chegando até os nossos avós.

Pensei em montar uma árvore em um dos painéis disponíveis no local, ou em uma mesa com porta-retratos, assim, com cara de sala-lá-de-casa.

Já tinha pensado em outra ideias envolvendo fotos, mas não quero uma retrospectiva, aquela coisa de fotos da nossa história simplesmente. Acho repetitivo. Bacana para nós e pessoas diretamente envolvidas, as que conhecem os contextos e histórias de cada foto. Mas meio chato para a maioria dos convidados. Além disso, não quero cansar a nossa imagem. Não gosto muito dessa coisa de foto dos noivos a cada canto da festa.

Também pensei em um painel de fotos dos convidados. Uma forma de homenageá-los mesmo. E quanto mais fotos de casamento dos casais, melhor! Mas esbarro na eventual dificuldade de conseguir colecionar as fotos sem deixar ninguém de fora, além de tratar, imprimir, montar, tudo no tempo curto que tenho no Brasil para preparar esses detalhes.

Ainda não sei ao certo o que vou fazer, como vou fazer. A árvore genealógica seria mais simples de realizar, a princípio. Mas tenho um motivo que, na verdade, é meramente pessoal para cogitar abortar este plano. Provavelmente não farei uma árvore propriamente dita, mas algo adaptado.

Mesmo assim, Liza me mandou um e-mail com a foto que ilustra este texto, e que representa muito bem a ideia que eu tenho em mente. Não sei quem é o fotógrafo (Liza?), mas talvez sirva para inspirar outras noivinhas que vez por outra passam por aqui.

Prometo que, quando decidir o que fazer, publico aqui algumas imagens.

Agora sim! O sol chegou!

A primavera chega, as flores brotam, mas o frio continuava.

No fim desemana, finalmente, foi possível sair por aí sem casaco. Mas sem casaco mesmo! Blusinha de manga curta, sol de verdade, até filtro solar eu tive que passar! E, claro, não dava para perder a chance! Lá fomos eu e um grupo super globalizado de brasileiros, húngaros, italianos, espanhóis, um iraniano… ah sim, alemão tinha também!, para o parque fazer um pic nic, vulgarmente conhecido como farofada em terras tupiniquins. Oh ja, tinha frango, salsicha, filé de porco e legumes na churrasqueira. Só não tinha farofa. Mas tinha couscous, que não é o baiano com leite condensado, e sim uma variacão do tabule. Sensacional. E tinha um bolo sensacional preparado pela namorada do Edu, a Zsófi.

E vocês achando que europeu não era disso, né? Bem, mas vamos destacar algumas peculiaridades da farof… digo, do pic-nic por aqui:

1. o lixo não fica no chão. Pelo menos o nosso e o dos nossos vizinhos, não. Outros povos habitantes da cidade eventualmente se comportam de forma diferente, mas frequentam outras áreas também.

2. a música não é alta. No máximo um violão tocando Led, Extreme e clássicos acústicos similares. Ninguém sabe o que é pagode.

3. não tem pelada. Tem freesbee (é assim mesmo que se escreve?) e badminton. Malabaris e corda-bamba entre árvores também!

E para ilustrar e traduzir um pouco o clima deste dia, uma foto minha com sorriso sem batom, novo corte de cabelo, porém antes de pintar. Essa foi tirada pelo Edu, depois eu posto as minhas.

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DICA: Para você que porventura mora em Berlim ou está a passeio e aterrisou por aqui, e gosta da ideia de comer, beber, cantar e se divertir ao ar livre, vale ressaltar um detalhe: é permitido fazer pic-nic em praticamente todos os parques da cidade, mas não é permitido acender a churrasqueira em todos eles. Observem placas de áreas reservadas para tal. Este nosso foi no Treptower Park, à beira do Rio Spree e um dos meus favoritos na cidade.

ps. O dia está próximo.

Você baixa?

Eu costumava baixar músicas na internet quando morava no Brasil. Creio que a grande maioria das pessoas que tem acesso a internet o faz. Uns poucos cliques e lá está aquela discografia completa do Dave Mathews Band no seu computador, todinha pra você. Quem resiste?

Por aqui eu cheguei a fazer isso algumas vezes. Mas, assim como no Brasil, nunca fui dessas pessoas que deixam o computador 24 horas conectado baixando, baixando e baixando… Esporadicamente eu queria ouvir alguma coisa específica e dava os cliques necessários para tal. Só que um dia me veio a notícia de que o cerco contra a pirataria aqui estava se fechando. Um grupo de conhecidos chegou a ser pego em flagrante, teve que pagar uma multa por arquivo e responder a processo.

Em busca de informações mais detalhadas, descobri que a Polícia mantem perfis disfarçados nos programas para baixar músicas e, assim, rastrear os criminosos. Sim, pirataria é crime. Aqui e no Brasil também. Nós é que relativizamos, justificamos aqui e ali, ou simplesmente nem refletimos a respeito. Afinal, uns cliques trazem tudo com tanta facilidade até à sua casa, que você nem se dá conta de que alguém trabalhou para aquele arquivo existir. A não ser que você mesmo seja músico. Mas isso é outra discussão, longa, polêmica, complicada e sem respostas definidas.

O que eu queria dizer, na verdade, é que o que inicialmente me fez puxar o freio, deletar os arquivos ilegais do computador (ah, minha coleção do Coldplay…), desinstalar o eMule, tudo por medinho da multa e do processo, por fim também me levou a refletir, especialmente diante das soluções que a internet proporciona hoje em dia. Se antes o argumento de que o preço do CD é alto demais era usado como justificativa para a pirataria, hoje esse argumento praticamente caiu por terra. Amazon, iTunes e similares estão vendendo os arquivos em seus sites por preços absolutamente realistas, que não pesam no bolso. Afinal, você não paga mais pela impressão da mídia, pelo encarte, pelo aluguel da loja e pelo salário do vendedor. Isso sem falar na vantagem de se comprar os arquivos individualmente. Você não precisa mais comprar um CD inteirinho de uma banda só porque você gostou de duas ou três músicas.

Meu repertório de casamento está, desta forma, praticamente todo legalmente baixado por valores considerados módicos. 0,80 cents por música em média. Isso sem falar no fato de que a Amazon costuma montar umas coletâneas exclusivas, como Café Ibiza e lounge music por 5 Euros (30 músicas em média) ou ainda uma coleção completíssima de 99 composições de Beethoven por 2,99 Euros. Isso mesmo! 99 peças clássicas!

Não bastando isso, vale também a reflexão sobre ouvir e ter músicas. Nem toda música que você tem, você ouve. E nem toda música que voce quer ouvir, você precisa ter. Digam com sinceridade: de todas as músicas que você tem, quantas você efetivamente ouve? E quando você quer ouvir, você precisa ter?

A maior parte do tempo que passo ouvindo música, eu tenho o meu computador ligado na internet. Especialmente no trabalho. A conta do last.fm é uma das minhas opções favoritas. Toca o que eu gosto e ainda me apresente coisas novas, aleatoriamente. Creio que praticamente todas as estações de rádio tem uma versão stream tocando online também. Ouço a de música clássica (adoro!) e eventualmente de notícias também. E quando eu quero alguma coisa específica, crio uma playlist no YouTube. Todas essas opções gratuitas, e que não entopem meu HD de arquivos que eu posso até gostar muito de ouvir, mas não preciso necessariamente ter.

Eu sei que a lei de combate a pirataria no Brasil é bem mais branda, especialmente porque no Brasil… bem, as coisas são meio diferentes. Mas será que, ainda assim, não vale a pena refletir sobre o assunto? Se o CD é caro (eu às vezes ainda compro por um bom encarte, coisa de designer), porque não ter o arquivo certinho e legal? Assim valorizamos o trabalho do artista de forma justa. Não? Sem essa de artista ter que ganhar dinheiro com shows, acho isso injusto. Não sou música, mas já me ocupei bastante com o tema, quase fiz dela profissão. E, mesmo não sendo, trabalho com criação. Por isso digo: não tem a menor graça você investir tempo e dinheiro para criar algo, agregar um valor a esse trabalho, estipular um preço que valha o retorno do seu investimento e, de repente, uma galera simplesmente se apropria de todo esse trabalho como se ele tivesse sido criado por geração espontânea, caído do céu, brotado da terra ou coisa parecida.

Democracia na internet é tema bastante complicado. Quanto mais a coisa se desenvolve, mais difícil fica de se controlar o que acontece nela. E mais se faz necessário que se confie no bom senso, na ética e na honestidade das pessoas. Pode parecer utopia, e talvez seja mesmo. Mas o fato é que bons hábitos formam uma boa sociedade. Especialmente os pequenos bons hábitos.

ps. este texto não tem o intuito de julgar ninguém que faz o download de arquivos ilegais de música, e sim propor solucões para aqueles que quiserem fazê-lo de forma legal. A questão da pirataria é longa demais para ser discutida aqui, e já existem incontáveis outros meios, textos, fóruns e discussões na internet a respeito.

Notícias casamentícias e assunto tardio

Assunto tardio.

Cá estava eu arrumando os arquivos do computador, quando achei essas fotos. Agora que o minicasamento passou, e eu não preciso mais esconder coisinhas do Rafa para não estragar a surpresa, divulgo aqui as fotos do meu auto-teste de cabelo e maquiagem, feito por mim mesma e auto-fotografado também. Era uma dúvida cruel: tiara branquinha ou tiara de poás?

Usei a branquinha, claro. Especialmente quando abri mão dos sapatos pretos e optei pelos azuis. Guardei a de poás.

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Agora as notícias:

Fechamos o vídeo. Sim, nós teremos! Conto depois com quem, ainda precisamos acertar alguns detalhes.

Finalmente fiz a edição do vídeo do minicasamento do ano passado. Ah, eu sei, cheio de gente curiosa pra ver, mas a galera toda aparece, e alemão costuma ser bem reservado quando o assunto é imagem. Achei por bem não publicar abertamente sem antes, pelo menos, fazer uma consulta a eles para saber se alguma restrição há.

Ganhamos músicos de presente! Eu, que quase fiz da Música a minha profissão, não caibo em mim de tanta alegria! E sobre isso falo abertamente: o Intermezzo toca lindamente em casamentos, a Bia é flautista e sócia da empresa, além de minha amiga. Então, quem procura bons músicos para tocar em seu casamento, eu super recomendo.

E deixo aqui uma amostra:

Mas como eu ando com a memória fraca, reflexo direto da atual fase caracterizada pelo stress, pode ser que eu já tenha postado sobre isso aqui e esteja me repetindo. Se estiver… considerem mesmo assim, porque boas notícias merecem um bis!

Não temos o controle de nada

Felizmente a nuvem se dissipou. Os aviões aqui na Europa saíram do chão e o vulcão se acalmou. Um pouco, mas se acalmou. E espero que continue assim, sem grandes erupções.

Claro que vulcões são imprevisíveis. Hoje li uma notícia dizendo que o vulcão vizinho ao de nome impronunciável, maior e mais forte, pode entrar em erupção por influência do primeiro. Mas também é imprevisível. Isso pode acontecer amanhã ou daqui a cem anos.

Coisas assim parecem acontecer para nos lembrar disto; não temos o controle de nada. Pensamos que temos. Planejamos, sonhamos, juntamos dinheiro, contratamos serviços, marcamos reuniões… e de repente um vulcão pode mudar tudo. Tive momentos de tensão, com receio de não conseguir voar para o casamento caso a situação perdurasse. Mas depois tive esse momento de reflexão e de confiança também.

Na vida tomamos muitas decisões, às vezes em momentos críticos, outros nem tanto. Mas há ainda os tais fatores externos que não controlamos. Eu sei disso a maior parte do tempo. Fico nervosa ou até mesmo com medo justamente quando esqueço disso. A sensação de perda do controle é terrível, nos deixa sem chão. A consciência de não ter controle, não. Uma vez que você saiba que seus planos não são absolutos, toda aventura passa a ser vista como oportunidade. Às vezes você consegue saber que oportunidade é. Mas às vezes não! Louco isso, mas às vezes você literalmente se joga, seja por falta de opção ou justamente por opção, por escolher confiar cegamente de que tudo o que acontece vai levar você a algo bom, sabe-se-lá-Deus-o-que. Você se joga pra depois ver onde esse vôo leva você.

Bem, desta vez, diferente da tempestade anterior que vivi por aqui, parece que tudo não passou de um certo susto. Um tempero, ou coisa parecida. Não confiei tanto, talvez porque eu esteja me sentindo meio cansada também. Meu primeiro pensamento foi o clássico “ai meu Deus! Mais essa agora?”. Mas eu sei (ou lembrei) que não tenho o controle de nada. A qualquer momento tudo sempre pode mudar. Um vulcão em erupção ou uma tempestade alagando ruas.

Melhor mesmo é confiar em Deus.

Desvirtualizando

Liza passou com a família por Berlim, estilo beija-flor: uma bicadinha e já voou. Ou melhor, foi de trem mesmo de volta pra casa. Mas já me faz muito feliz o fato dela ter passado por aqui e de termos tido um encontrinho desvirtualizador mais uma vez! Com ela, a Eve e, para minha surpresa, a Lilian. Todas e seus respectivos amados. Exceto eu, sem o meu. Ao menos fisicamente, porque assuntos relacionados a ele não faltaram.

Liza, assim como Eve, já era amiga blogueira, dessas que caem por aqui depois de pular de um blog ao outro, voltam, comentam viram amigas. Lilian está no grupo de 95% de leitores que me visitam mais não comentam. Novidade para mim conhecer alguém que já sabia tanto sobre mim sem que eu soubesse nada sobre ela! Assim, foi como conhecer uma pessoa nova por meios bem tradicionais: ao vivo, cumprimentos, papo.

Não me surpreendi com a Liza. Incrível como algumas pessoas conseguem passar com tanta fidelidade a essência do que são através de texto. Não são todos que o fazem. Tudo que conheci dela hoje, a impressão que tive, é a mesma que já tinha por ler os posts dela, trocar comentários e acompanhar histórias. Carinhosa, falante, simpática. Quando conheci a Eve também foi assim! Encontrei uma mocinha falante, extrovertida e divertida, exatamente como já tinha percebido pelo blog.

Curioso esse mundo virtual que, na verdade, é real. Sim, pois eu não vejo nada de virtual e estar com pessoas bacanas, trocar ideias e experiências, falar da vida. Não vejo nada de virtual na forma como algumas pessoas simplesmente passam a fazer parte da minha vida. Mesmo que estejam do outro lado de uma tela de computador. Poderiam estar do outro lado da linha telefônica, ou do outro lado de um pedaço de papel contendo o texto de uma carta escrita há uma semana. Há coisas muito mais virtuais entre pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto por aí.

Filosofias à parte, estou feliz! Por ter encontrado as meninas, por ter conhecido a Lilian-sem-blog também, os rapazes e o pequeno Miguel. Tudo no nosso reduto berlinense de brasileiros que sofrem eventualmente de crises de abstinência a feijão, pão-de-queijo e demais especiarias da terrinha: o Botequim Carioca.

Estou ansiosa pelas fotos, meninas!