
O sossego anda desatento em prosa, ontém, por exemplo, amanheci de madrugada, acordei em um copo da água e bebi minha alma. Assim rejuvenesci pela última vez, era segunda-feira.
Como de costume, fiz do dia cotidiano. Como de costura, acostumei o cotiano.
Acostumar o cotidiano é como inventar travesseiro, afofando a cabeça a gente sonha mais tranquilo.
Percebi que me tornara adulto quando senti dor nas costas de adulto, tomei um remédio que veio em uma caixa de parênteses. Não tenho mais parênteses pra falar, falo para os meus amigos e desconhecidos, agora, parênteses não.
Voltando ao sonho, quando eu acordar me avisem, porque nem de beliscão conseguiram me convencer que o mundo de verdade é esse aqui mesmo, com tanta coisa confusa, a realidade é mesmo estranha no sono.
Sonâmbulo, amorei uma amora, assim aprendi a namorar em árvore. Ando sem amora no bolso, mas ando enamorado, isso é suficiente para um bípede.

Descaminhar duas pernas é coisa da caixa de parênteses, afinal, de tanto enrolar os dedos, acordei adulto.