Ontem, 9 de abril, estive no concorridíssimo show do U2, que teve como banda de abertura Muse. A crítica ao show em si pode ser lida neste link do Facebook, aqui vou ater a falar das impressões e insights que tive durante os dois shows.
Fãs do U2 são inegavelmente mais velhos, o que mostra que a banda não foi capaz de atrair um público mais jovem com seus álbuns mais recentes. Eu, particularmente, acho que How to Dismantle a Atomic Bomb e No Line on The Horizon não alcançaram uma qualidade pop tão grande como os mais antigos. Não reconheço nestes músicas tão grudentas quanto It’s a Beautiful Day ou With or Without You. E acho que nem mesmo o U2 reconhece, porque o show teve uma porção de músicas do All that you can’t live behind para trás.
Em um show como esse, convencionado que será bom, presenciamos o retrato da classe média alta e elite brasileira. Pessoas que claramente não estão acostumadas com o “movimento” show gigantesco. Com esse tipo de público é possível ver de tudo. Não faltaram artistas e modeletes na pista, muito menos mulheres de salto, saias curtíssimas e muito maquiadas para um show de estádio. Também vi pessoas tentando escolher o banheiro químico mais limpinho, abrindo a porta de umas quatro casinhas com cara de nojo (-Honey, banheiro de show é podre mesmo. Quer conforto, assite de casa).
Vou relatar algumas cenas que me chamaram atenção na noite de ontem.
- Bono Vox, em seus insights “solidário”, resolveu passar um discurso de Desmond Tutu que falava: “As pessoas que marcharam pelos direitos civis nos EUA, são as mesmas pessoas que lutaram contra o Apartheid da África, que são as mesmas pessoas que lutaram pela paz na Irlanda… São as mesmas pessoas fantástica que eu vejo aqui, nesse palco de 360º.” Pessoas ao meu lado: – Ah, não. Não fiz isso não. Não sou eu não. Não tô dentro, não.
- Bono Vox resolve falar do plano de Dilma, que colocou como meta principal do governo a erradicação da pobreza. Pessoas, ao invés de aplaudir e reconhecer a importância de tal objetivo no Brasil, vaiam.
- Bono Vox e sua trupe entram no palco ao som de Space Oddity. Poucos reconhecem.
- Bono Vox compara o Power Trio Muse a Jimmy Hendrix (ok, eles são bons, mas Jimmy Hendrix?)
- Começa a chover na saída, pessoas começam a se amontoar para se proteger na chuva. Outras pessoas resolvem ficar paradas no meio do caminho, atrapalhando a passagem da multidão que saia pelo mesmo lugar.
Tirem suas próprias conclusões…
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Muse deu um show de performance ontem. O trio, além de músicas de excelente qualidade, tem uma enorme presença de palco. Uma das melhores foi Knights of Cydonia, trilha sonora do brilhante Kill Bill Vol. 1, que começou com aquela gaitinha clássica de filmes de Western. Curtam um pouco aí!
