PHP2Shell
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PHP2Shell é o nome dado a duas vulnerabilidades de segurança da linguagem de programação PHP, identificadas pelos códigos CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619. As falhas permitem a execução arbitrária de código remotamente. Sua existência foi anunciada publicamente em 20 de outubro de 2026.[1] No dia seguinte, foram disponibilizadas correções emergenciais e informações técnicas sobre as vulnerabilidades.[2]
Descoberta
[editar | editar código]As vulnerabilidades foram descobertas de forma independente pela empresa de segurança californiana Calif, no âmbito do projeto «Patch the Planet», da OpenAI, e pela empresa de segurança em nuvem Wiz.[3] Segundo a Wiz, as falhas afetam versões do PHP desde a 5.4 até a série 8.[4]
Os desenvolvedores do PHP atribuíram às vulnerabilidades uma pontuação de 9,2 em 10, classificada como crítica, segundo a versão 4.0 do Common Vulnerability Scoring System (CVSS).[5] A empresa de segurança watchTowr atribuiu-lhes a pontuação máxima de 10,0.[6]
Correções
[editar | editar código]Os mantenedores do PHP disponibilizaram versões corrigidas das séries 8.2, 8.3, 8.4 e 8.5.[2] Também foram publicadas correções no código-fonte para as versões 7.4, 8.0 e 8.1, mas não foram disponibilizados binários oficiais atualizados para essas séries, que já haviam chegado ao fim de seu ciclo de vida de suporte.[2]
As duas vulnerabilidades foram documentadas em avisos de segurança no GitHub em 21 de outubro de 2026, às 13h34 UTC, 26 minutos antes do horário anunciado para a publicação das correções.[7][8]
Os mantenedores anteciparam o anúncio após informações sobre as falhas circularem no fórum Hacker News e serem confirmadas pela conta da empresa watchTowr no X.[9] O aviso antecipado publicado no PHP.net permitiu que administradores preparassem a atualização dos sistemas antes da disponibilização das correções.[9][1] A empresa de segurança Sansec estimou que ataques em larga escala poderiam começar nos primeiros 15 minutos após a publicação das correções.[10]
Provas de conceito, análises técnicas e medidas parciais de mitigação começaram a circular na internet antes do fim do período de embargo.[6][11]
A Cloudflare relatou indícios de exploração das falhas antes da publicação das correções e implementou regras temporárias de firewall de aplicação web (WAF) para tentar reduzir o risco de ataques.[12][13]
Impacto
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Cerca de 69% dos sites usam PHP, incluindo os construídos sobre sistemas de gerenciamento de conteúdo como Drupal, Joomla e WordPress, o que tornava o impacto potencial das falhas muito amplo.[14][15] O PHP também vem embutido em equipamentos de fornecedores, em painéis de controle de hospedagem de sites como o cPanel e o Plesk e em alguns aplicativos para Windows.[16]
Seguindo recomendações da equipe de resposta a emergências informáticas da União Europeia (CERT-EU) e do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido (NCSC), organizações europeias retiraram temporariamente seus sites do ar enquanto aguardavam as correções. Entre elas estavam o portal do governo dos Países Baixos Overheid.nl, a plataforma nacional de comunicação escolar da Dinamarca, todos os serviços web do governo da Finlândia voltados ao público e todos os sites do Ministério do Interior da França.[17][15][18][14][19] Nos Estados Unidos, a Agência de Segurança Nacional (NSA) recomendou que os sites fossem retirados do ar caso não pudessem ser atualizados imediatamente.[20][21] O NCSC britânico divulgou um alerta semelhante, no qual pedia às organizações atenção à possível instalação de backdoors.[22] No Japão, o Escritório Nacional de Cibersegurança orientou os usuários de PHP a atualizar seus sistemas sem demora.[23]
A Fundação Wikimedia desativou vários de seus serviços de apoio, e os fóruns 4chan e Something Awful saíram do ar.[14][24][20] Parte da internet japonesa também ficou indisponível, incluindo jogos como Umamusume: Pretty Derby, Granblue Fantasy e Princess Connect! Re:Dive, além de diversos sites de comércio eletrônico.[23][24] O Internet Archive saiu do ar por um breve período para corrigir o problema.[25]
Análise
[editar | editar código]Pesquisadores da Wiz compararam a gravidade do problema à do Heartbleed, vulnerabilidade revelada em 2014 numa biblioteca de criptografia usada à época por cerca de dois terços da web.[26] Um texto explicativo publicado pelo The Guardian observou que a PHP Foundation, entidade que mantém a linguagem, contava com apenas treze funcionários em tempo integral e parcial e dependia de doações, enquanto a pesquisa em inteligência artificial, creditada por ajudar a encontrar as falhas, recebia investimentos da ordem de bilhões.[27] Em reportagem do The New York Times, o PHP foi descrito como onipresente na web, e o jornal considerou possível que usuários comuns tivessem seus dados pessoais expostos.[28]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 «PHP: News Archive - 20 Oct 2026». PHP.net (em inglês). 20 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- 1 2 3 «PHP: News Archive - 21 Oct 2026». PHP.net (em inglês). 21 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- ↑ «Patch the Planet: global response coordination as agents uncover critical vulnerabilities». OpenAI (em inglês). 21 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026
- ↑ «PHP2Shell: AI uncovers critical RCE vulnerabilities affecting 70% of the Internet». Wiz (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- ↑ «php.announce: [ANNOUNCE] Upcoming Critical PHP Security Release». PHP.net (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 21 de outubro de 2026
- 1 2 «PHP warns admins of two critical flaws, emergency patches coming tomorrow». BleepingComputer (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- ↑ «RCE via OOM corruption». GitHub (em inglês). 21 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- ↑ «RCE via stale global state». GitHub (em inglês). 21 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- 1 2 Swati Khandelwal (21 de outubro de 2026). «PHP2Shell: Two Unpatched Critical PHP RCE Flaws (CVSS 9.2) Trigger Emergency Security Alert». The Hacker News (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 21 de outubro de 2026
- ↑ Dan Goodin (21 de outubro de 2026). «PHP warns it plans to release 2 emergency patches imminently». Ars Technica (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026
- ↑ «Only for the curious...». jackalsyn.com (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- ↑ «Publicação de Dane Knecht no X». X (em inglês). 21 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026
- ↑ «Hold on to your butts: Web admins braced for emergency PHP updates to plug leaked exploits». PC Gamer (em inglês). 21 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026
- 1 2 3 Kevin Collier (21 de outubro de 2026). «Critical vulnerabilities in commonly used web code spark rush to update systems». NBC News (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 21 de outubro de 2026
- 1 2 Tom Gerkin (21 de outubro de 2026). «Websites taken down as critical PHP cyber-security update issued». BBC News (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- ↑ John Hammond (21 de outubro de 2026). «Rapid Response: php2shell, Leaked Critical PHP Vulnerabilities (CVE-2026-109618 & CVE-2026-109619)». Huntress (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- ↑ Raphael Satter; Leo Marchandon; Kanjyik Ghosh; Rajveer Pardesi (21 de outubro de 2026). «Government websites go dark as software flaw sparks security scramble». Reuters (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026
- ↑ Josse Van Dessel (21 de outubro de 2026). «Major websites go offline as critical PHP vulnerability triggers security fears». The Brussels Times (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026
- ↑ «Critical security issue affecting PHP». National Cyber Security Centre (em inglês). 20 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- 1 2 Michael Kan (21 de outubro de 2026). «This Flaw Is So Serious Websites Should Consider Going Offline, NSA Says». PCMag (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 21 de outubro de 2026
- ↑ «NSA Advisory: PHP Updates». NSA (em inglês). 21 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 21 de outubro de 2026
- ↑ Robert Booth; Aisha Down (21 de outubro de 2026). «Flaw in PHP computer language leads to shutdown of websites around world». The Guardian (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026
- 1 2 «著名ITサービス相次いで緊急メンテへ コドモン、シャドバ、BASE、さくらのレンタルサーバなど 「PHP」脆弱性に起因か» [Serviços de TI conhecidos, como Codmon, Shadowverse, BASE e Sakura Rental Server, entram em manutenção de emergência, possivelmente por vulnerabilidade no PHP]. ITmedia (em japonês). 21 de outubro de 2026. Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- 1 2 Olivia Tauber (21 de outubro de 2026). «PHP vulnerability: Which websites and services are affected?». Mashable (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2026
- ↑ Paul Smith; Ronald Mizen (21 de outubro de 2026). «AI just discovered a bug putting 70pc of world's websites at risk». Australian Financial Review (em inglês). Consultado em 22 de outubro de 2026
- ↑ Lisa Eadicicco (21 de outubro de 2026). «Global websites shut down after AI found a critical flaw affecting 70% of the internet». CNN (em inglês). Consultado em 22 de outubro de 2026
- ↑ Josh Taylor (22 de outubro de 2026). «What is PHP, and how bad is the computer language flaw causing website shutdowns globally?». The Guardian (em inglês). Consultado em 22 de outubro de 2026
- ↑ Karla Adam; Dustin Volz (22 de outubro de 2026). «What Is PHP? Why Are Government and Business Websites Going Offline?». The New York Times (em inglês). Consultado em 22 de outubro de 2026