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        <title><![CDATA[Stories by Victor Osório on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Victor Osório on Medium]]></description>
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            <title>Stories by Victor Osório on Medium</title>
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            <title><![CDATA[A Sociedade Tecnológica — A Caracterologia da Técnica (I)]]></title>
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            <category><![CDATA[filosofia]]></category>
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            <category><![CDATA[técnica]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 05 Feb 2025 18:20:15 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-05T18:20:15.316Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>A Sociedade Tecnológica — A Caracterologia da Técnica (I)</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/960/0*6wGQr8Ag0FUtnr8Z.jpeg" /></figure><p>Essa é a continuação do resumo do segundo capitulo de <a href="https://amzn.to/3PZtviN"><strong><em>The Technological Society</em></strong></a><strong><em> </em></strong>de Jacques Ellul<strong><em>.</em></strong></p><p><a href="https://vepo.medium.com/a-sociedade-tecnol%C3%B3gica-t%C3%A9cnicas-v-5df9b2d3215e">A Sociedade Tecnológica — Técnicas (V)</a></p><p>Conhecendo a história não é possível não tomar partido contra ou a favor de um lado. Fazemos isso consciente ou inconscientemente e o mesmo acontece com a técnica.</p><p>A primeira pergunta que devemos fazer é se o desenvolvimento tecnológico hoje é maior que o do passado? Jean Fourastié se pergunta ironicamente se o homem pré-histórico se sentiu tão ameaçado quando viu pela primeira vez uma espada de bronze quanto o homem moderno quando viu a bomba atômica. Isso é uma piada que tem seu fundo de verdade, a espada e a bomba tem seu potencial destrutivo e nós nos sentimos ameaçados por um senso ancestral. A técnica que construiu a espada de bronze é a mesma que construiu a bomba atômica apenas separadas por alguns milênios de evolução.</p><p>Em oposição, há a ideia de que estamos vendo um novo fenômeno técnico diferente daquele vivenciado na antiguidade. Esse fenômeno, anunciado por Marx e Engels, mudou tanto em quantitativamente quando qualitativamente.</p><p>As pessoas que estudaram esse fenômeno diferenciam o desenvolvimento da técnica em dois tipos: (a) técnicas fundamentais que surgem da relação do homem com seu ambiente e (b) técnicas que são resultado de ciência aplicada.</p><h3>Técnica na Civilização</h3><h4>Técnicas Tradicionais e Sociedade</h4><p>Como a técnica foi tratada nas sociedades antigas? Apesar de serem semelhantes no aspecto técnico, não podemos apenas afirmar que a técnica era limitada, precisamos mostrar as quatro caracteristicas dessa limitação.</p><p><strong>Primeiro a ténica era aplicada somente em áreas limitadas.</strong> Quando se olha as técnicas primitas se vê aplicadas a produção, guerra, caça e bens consumos (roupas e casa) e a mágica. Essas técnicas permeavam a totalidade da vida do povo e tudo era permeado pela mágica também. O mundo não era explicado pela técnica ou ciência, mas pela mágica.</p><p>Essas técnicas eram também incorporadas as relações sociais expontâneas. O exemplo dado era da Bee, uma técnica de construção coletiva de casas para novas familias na Nova Inglaterra. O que antes era apenas uma forma de se construir casas se torna um evento considerado o mais divertido do ano na sociedade. As relações sociais e o contato humano tinham precedência sobre a técnica, quer era algo secondário.</p><p>Nós como homens modernos olhamos para essa sociedade acreditando que a produção e o consumo coincidiam com o todo da vida, mas o homem era livre da técnica até mesmo no nível individual.</p><p><strong>A segunda caracteristica era que o homem tinha controle sobre a sua com a aplicação da técnica e com o trabalho. Para o homem primitivo trabalhar era uma punição e não uma virtude, por isso ele trabalhava somente o necessário para sobreviver, mesmo em detrimento do consumo.</strong> Ele não pensava na técnica do trabalho e usava a maior parte do seu tempo para o descanso, o lazer, jogos e, o principal de tudo, meditação. O homem moderno é controlado pelo trabalho e pela técnica, trabalhar é uma obrigação e itens de consumo são obrigatórios em sua vida.</p><p>Isso explica porque o homem europeu via os povos escravizados como “preguiçosos”, um europeu moderno também veria um europeu medievo como “preguiçoso”, mas seus valores eram diferentes.</p><p>De acordo com o livro Mechanization Takes Command de Sigfried Giedion, a relação com o espaço também era diferente. Hoje nossa ideia de conforto é ter uma casa mobiliada, limpa e com banheiros. Para o homem medieval o seu conceito de conforto envolvia espaço aberto, descanso e lazar. Não envolvia ficar dentro de uma casa rodeado de objetos, mas estar em locais abertos e em contato com pessoas. Não era problema para esse homem ter uma sala completamente vazia.</p><p>A relação do homem com seus instrumentos também era diferente. O homem confiava mais nas suas habilidades que em seus instrumentos. A ferramenta aperfeiçoava a habilidade. Hoje a ferramenta é inerente a habilidade, não há habilidade sem a ferramenta.</p><p>E há duas formas de ver essa relação com as ferramentas. Quando se tem abundância de ferramentas dando todas as respostas, pouco se tem conhecimento e habilidade sobre elas. Até o século XVIII o homem se procurava a perfeição no uso das ferramentas, depois procurou aperfeicoar as ferramentas.</p><p><strong>A terceira caracteristica da técnica tradicional era que as técnicas eram locais e sua transmissão para outras culturas se dava de forma bem lenta.</strong> Os grupos sociais eram fortes, fechados a estrangeiros e a comunicação era lenta. Um exemplo é o direito romano que não foi usado além das fronteiras de Roma, mas o código Napoleônico, por ser moderno, foi usado no Japão e na Turquia. A podia ser imitada em outras civilizações, mas eram lentamente e acidentalmente.</p><p>Em muitos casos a técnica não era transmitida para outras civilizações porque ela era parte inerente da civilização. Por isso existia uma diversidade maior de técnicas. <em>“A melhor forma”</em> de se fazer algum em uma civilização não era <em>“a melhor forma de se fazer algo”</em> em outra civilização.</p><p>Na técnica primitiva havia uma diversidade que hoje não existe e isso não significa que a técnica atual é a mais avançada. A mentalidade moderna tende a pensar nessa fase como uma fase de experimentação, mas isso vem da falsa sensação que somos mais avançados que os povos tradicionais. Hoje a técnica é mais homogênea porque temos uma cultura mais homogênea.</p><p>Além da limitação espacial, havia a limitação temporal, podia demorar séculos para que (i) uma invenção fosse largamente utilizada, para (ii) a transição da “diversão” para algo “útil” como a polvora, para (iii) a transição da “mágica” para a “economia” como a domesticação de animais ou simplesmente para (iv) que a ferramenta estivesse satisfatoriamente elaborada. E ainda por cima não havia evidências que a técnica abstrata fosse propagada de uma civilização para outra.</p><p>A evolução da técnica não era constante, pois existiam dois problemas a se resolver o primeiro era construir uma máquina e o segundo fazer que ela fosse usada por outra civilização. Porém a evolução da pesquisa era constante. A técnica não invadia a vida física do individuo, mas habilitava o individuo a fazer progresso e facilitava a sua vida. O equilibrio social nunca era ameaçada pelo avanço da técnica.</p><p>As ferramentas possuiam uma diversidade muito grande e estavam sujeitas ao conceito estético da civilização, mais do que a eficiência. Um artesão se vangloriava da beleza da ferramenta e o conceito de beleza não era compartilhada entre as civilizações.</p><p>No século XIX quando racionalidade e eficiência se tornaram elementos chaves, os individuos tentaram manter seus valores morais e estéticos introduzindo pequenos elementos estéticos que posteriomente foram eliminados em busca de eficiência. Não há espaço para qualquer elemento estético.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/1*xCc691AQh8rajIQOMWDYQw.jpeg" /></figure><p>O progresso técnico hoje não é condicionada por nada além do próprio calculo de eficiência. Isso elimina o fator que criam diversidade, para cada ferramenta/máquina existem menos tipos e mais precisos.</p><p><strong>A quarta caracteristica da técnica era o maior poder de escolha do individuo.</strong> Individuos em civilizações antigas tinha mais escolha sobre a forma de vida que podiam levar e essas escolhas eram baseadas em diversas caracteristicas pois não havia a pressão para expansão material.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ad540c5110c0" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Porque encorajar mais pessoas a se tornarem empreendedores é uma má política publica?]]></title>
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            <category><![CDATA[universidade]]></category>
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            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 31 Jan 2023 03:00:08 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-01-31T03:00:08.340Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*gA7sIdYD7RBbHYeY" /></figure><p>Faz tempo que eu estava querendo ler esse artigo que me foi apresentado em uma matéria sobre empreendedorismo da agência de inovação da Unicamp. Vou fazer aqui um pequeno resumo dele.</p><p><a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s11187-009-9215-5#citeas">Why encouraging more people to become entrepreneurs is bad public policy - Small Business Economics</a></p><p>O artigo começa citando alguns mitos sobre empreendedorismo que não se sustentam e não existem uma discussão que os sustente.</p><ul><li>Startups são boas para economia e geram bastante empregos</li><li>O empreendedor é o personagem principal da economia moderna</li><li>Startups são mais produtivas que empresa tradicionais</li></ul><p>Faltam pesquisas para provar esses mitos.</p><p>Para combater esse mito ele cita um artigo que correlaciona dados do censo americano e outras fontes e mostra que realmente existe uma relação entre idade da empresa e sua produtividade.</p><p><a href="https://www.aeaweb.org/articles?id=10.1257/aer.89.2.94">Productivity Differences across Employers: The Roles of Employer Size, Age, and Human Capital</a></p><p>Empresas antigas são mais produtivas. Empresas novas fazem uma péssima gestão de recursos.</p><p>Há uma relação inversa entre a riqueza de um pais e a taxa de surgimento de startups e a produtividade é proporcional a riqueza.</p><p>Quanto mais rico um pais fica, a média salarial cresce o que leva as empresas a investir em automação. Empresas terão mais maquinário, aumentando a produtividade e reduzindo o custo da produção.</p><p>O empregado terá um bom salário, o que vai desincentivar o empreendedorismo.</p><p>Países com um consistente crescimento econômico apresentam um declínio na taxa de criação de novas empresas.</p><p>As evidências também mostram que quando um governo incentiva o empreendedorismo, ele acontece em áreas com baixa barreira de entrada e altas taxas de falência.</p><p>Isso acontece porque é o processo natural do empreendedorismo individual, procurar áreas fáceis de se inserir e se dá incentivos financeiros a se investir em mercados com altas taxas de falências. Isso gera uma alta correlação entre abertura de empresas e falências.</p><p>E quem é mais propicio a iniciar esse tipo de negócio: um empregado ou alguém desempregado? Os dados mostram que os desempregados criam mais empresas e são os que tem menos taxas de sucesso.</p><p>E as políticas públicas erram ao incentivar o empregado a tomar o risco de investir em um novo empreendimento, pois são eles que tem as taxas mais altas de insucesso.</p><p>Sobre a criação de empregos, os dados mostram que 74,5% dos empregos criados na Suécia são de empresa com mais de 10 anos. O mesmo padrão foi verificado em outros países.</p><p>E qual a solução? A pesquisa mostrou que as startups com alto potencial de crescimento surgiram baseado em pesquisa e desenvolvimento.</p><p>Onde acontece a pesquisa e desenvolvimento (R&amp;D)?!? Universidades!</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=5fbf74c79ced" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[O Som do Silêncio]]></title>
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            <category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 18 Jan 2023 19:59:48 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-01-18T19:59:48.821Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Esse post visa expandir as ideias que joguei em um fio do Twitter. Nele vou falar sobre neoliberalismo e oportunidades.</p><h3>Victor Osório (https://mastodon.social/@vepo) on Twitter: &quot;Um das coisas mais interessante do livro &quot;Realismo Capitalista&quot; é definir o que raios é &quot;neoliberalismo&quot; e isso está intrinsecamente ligado as tretas da bolha dev dos últimos dias. 👇https://t.co/VCBMrNpWG2 / Twitter&quot;</h3><p>Um das coisas mais interessante do livro &quot;Realismo Capitalista&quot; é definir o que raios é &quot;neoliberalismo&quot; e isso está intrinsecamente ligado as tretas da bolha dev dos últimos dias. 👇https://t.co/VCBMrNpWG2</p><h3>Os valores da nossa sociedade</h3><p>Antes de começar devemos primeiro nos fazer a seguinte pergunta: <em>quais são os valores da nossa sociedade? </em>Essa não tem uma resposta fácil e se eu elaborar uma resposta você pode dizer que não concorda por dois motivos óbvios:</p><ol><li>Você não consegue observar esses valores ao seu redor</li><li>Esses valores realmente não existem ao seu redor.</li></ol><p>(1) e (2) podem ser verdadeiros, não são excludentes e não fazem parte de um combo. Pode ser que o mundo ao seu redor seja exatamente igual ao meu e pode ser que ele seja completamente diferente. A minha realidade não inviabiliza a sua e nem a sua inviabiliza a minha.</p><p>POR ISSO vou partir de um FATO para identificar o principal valor da nessa sociedade. Já reparou quantos elementos ao nosso redor começam com “i”? Caso você nunca tenha reparado, “i” significa “eu”, LOGO se formos traduzir os nomes teremos “<em>euTelefone</em>”, “<em>euRobo</em>” ou “<em>euComida</em>”. O que isso quer nos dizer?</p><p>Que nossa <strong>sociedade </strong>é centrada no <strong>indivíduo</strong>.</p><p>Você conseguiu ver o paradoxo da frase anterior? Ele não e tão óbvio, principalmente para os mais jovens. Mas sociedade é algo coletivo que pressupõe vários indivíduos e ela não poderia ser centrada em um indivíduo. É um paradoxo, uma falha no sistema que nos joga um contra o outro pela simples inexistência de categorias coletivas.</p><p>Complicou né? Então vamos pensar nas pessoas que estão ao nosso redor fazendo as mesmas atividades que nós fazemos. Você acredita que há um senso de coletividade? Muitos vão responder que sim, mas são a maioria?</p><p>O indivíduo do século XXI é sozinho em suas lutas.</p><figure><img alt="Charge mostrando a evolução do conflito na literatura. Começa com o homem contra a natureza, depois contra a sociedade, depois tecnologia, depois contra o homem, contra sua vontade, sua realidade, Deus, a ausência de Deus e até por fim contra o próprio autor." src="https://cdn-images-1.medium.com/max/700/0*Qdn7im87mD9ToHTx.jpg" /><figcaption>Charge mostrando a evolução do conflito na literatura. Fonte: <a href="http://www.incidentalcomics.com/2014/05/conflict-in-literature.html">http://www.incidentalcomics.com/2014/05/conflict-in-literature.html</a></figcaption></figure><p>Mas o grande problema é que muitos de nós temos os mesmos problemas. O que difere os indivíduos de hoje dos indivíduos do século XIX é que não podemos mais segmentar apenas por classe e região. Antes existiam os trabalhadores de uma certa região, mas hoje é bem provável que você tenha mais em comum com alguém que está longe que com o seu vizinho.</p><p><em>Isso não significa que você não deva conversar com o seu vizinho, vocês tem interesses em comum pois moram perto.</em></p><h3>E o Neoliberalismo?</h3><p>Quando eu entrei na faculdade existia um grande dragão chamado neoliberalismo que para muitos não passava de um moinho de vento porque nunca era corretamente caracterizado.</p><figure><img alt="Don Quixote e os moinhos de vento." src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*AfwyMLMPvSElkqoT.jpg" /></figure><p>Eu era um desses que não acreditava que isso realmente existia. Pessoal dos movimentos sociais diziam que tínhamos que lutar contra o “neoliberalismo”, mas eles mesmo não sabia definir o que era. Até que li o livro “Realismo Capitalista” que conseguiu trazer para mim uma boa definição.</p><p><a href="https://amzn.to/3iOqDdO">Realismo Capitalista: É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo?</a></p><p>Não vou querer aqui definir corretamente o que o livro trás sobre o assunto, só vou pontuar aquilo que é importante para a reflexão que quero trazer.</p><p><strong>Uma cultura neoliberal seria caracterizada pela ausência completa do senso de coletividade, de sociedade ou de civilização. Todas essas crenças colapsaram e só nos restas sobrevier no caos contemporâneo.</strong></p><blockquote>O capitalismo é o que sobra quando as crenças colapsam ao nível de elaboração ritual e simbólica, e tudo o que resta é o consumidor-espectador, cambaleando trôpego entre ruínas e relíquias.</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/768/0*csfZC-OJLSKd7Isq.jpg" /></figure><p>Antes que você me chame de comunista eu quero dizer que nunca fui um comunista, mas me considero centro-esquerda. A confusão surge quando um grupo diz que todos que discordam de um ultraliberalismo são comunistas.</p><h3>Sociedade e Oportunidade</h3><p><em>— Mas e o que esse negócio de sociedade tem de bom?</em></p><p>Quando nós individualizamos tudo, tudo vira esforço próprio e toda falha é culpa do indivíduo. Mas as condições que nos fazem chegar aonde chegamos são mais coletivas que individuais.</p><p>Vamos ver por exemplo o que te fez chegar ao seu emprego atual?</p><ul><li>Fez faculdade? Teve ajuda (ou não) de professores.</li><li>Estudou em uma escola? Teve ajuda (ou não) de professores.</li><li>Teve tempo de só estudar? Teve ajuda da família.</li></ul><p>Esses são somente alguns exemplos básicos. Uma vez eu ouvi um presidente do sindicato dos donos de hotéis dizer que o governo nunca deu nada para eles. Isso só seria verdade se todos os funcionários deles tivessem estudado em escolas privadas e toda infraestrutura de transporte e esgoto fosse paga pelo bolso dele. Mas não! Ele vive em uma civilização que criou mecanismos para se manter. Abolir esses mecanismos é abolir a civilização.</p><p>Imagina se não houvesse escola pública, saúde pública, saneamento, transporte público e outras tantas regalias que só o estado dá… Como seria a vida na cidade?</p><h3>O Empreendedor e o Viés de Sobrevivência</h3><p>Nós sempre valorizamos as vozes de quem deu certo e esse é o problema da nossa sociedade. Existem centenas de palestras de pessoas mostrando qual caminho elas acreditam que trilharam para chegar ao que elas chamam de sucesso.</p><p>Me lembro de uma vez ter visto uma palestra “Como virar gerente em 2 anos” e a pessoa mostrava todos os passos que fiz no meu primeiro emprego no qual não consegui nenhuma mudança efetiva de posição. Será que eu não segui os passos dela?</p><p>É hora de falarmos sobre <strong>Viés de Sobrevivência</strong> e <strong>Exemplo Anedótico</strong>.</p><p>O que essa pessoa está fazendo é apenas dizendo o que ela fez, isso não significa que tenha alguma relação com o sucesso dela. Na verdade o que ela está fazendo é apenas mostrando um exemplo anedótico. Um exemplo anedótico é apenas um caso solto sem nenhuma relevância significativa. Para que pessoas possam tomar conclusões é preciso que se junte vários exemplos e se chegue a uma conclusão.</p><p>E se tivéssemos observado que a grande maioria dos gerentes chegaram a essa posição com aproximadamente 2 anos trabalhando no mercado. Podemos chegar a conclusão que com apenas 2 anos podemos virar gerente? <strong>NÃO!</strong></p><p>É aí que entra o viés de sobrevivência. Nós só estamos olhando para aqueles que deram certo e esquecendo de todos aqueles que não deram certo. Se formos olhar apenas para os que deram certo, poderíamos dizer que uma pessoa pobre, de periferia, não branca ou não sudestina não pode virar CEO de uma multinacional, porque a maioria esmagadora de pessoas que são CEO de uma multinacional brasileira são classe média, formadas em boas escolas, brancas e nasceram no sudeste.</p><p>É preciso olhar para as ausências, para o silêncio. O silêncio fala mais que o discurso de mil pessoas.</p><figure><img alt="Um avião da segunda guerra repleto de pontos vermelhos. Há locais sem pontos vermelhos em uma região da asa, atrás do piloto e nos motores." src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*tAYDCHW_KJPnSQzua2A3eA.png" /><figcaption>Cada ponto vermelho nessa imagem representa uma avaria na fuselagem do avião. Cada ausência de ponto vermelho significa que os aviões que sofreram avarias nesse local não puderam contar a história.</figcaption></figure><h3>Cuidado para o discurso</h3><p>É nessas horas que precisamos ter muito cuidado com o discurso que assumimos nas redes sociais. Eles tem muito impacto nas pessoas que nos seguem.</p><p>Nessa última semana tivemos várias demissões em massa de trabalhadores das empresas de TI no Brasil. Muitas dessas demissões foram em empresas que estão em franco crescimento dando lucros aos seus empregadores. Mas nós temos o perfil das pessoas que foram demitidas? Não.</p><p>Alguns tentaram rascunhar algumas análises, mas sem nenhum rigor acadêmico, que mostram que sua maioria eram de pessoas em inicio de carreira.</p><p>Enquanto isso outras pessoas continuavam sua batalha para convencer o mundo que fazer faculdade é perca de tempo, outros que uma certa linguagem não vale a pena, teve uma que falou que livros acadêmicos são ruins (essa <a href="https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:7019654857791844352/?commentUrn=urn%3Ali%3Acomment%3A(activity%3A7019654857791844352%2C7019670659895111680)&amp;dashCommentUrn=urn%3Ali%3Afsd_comment%3A(7019670659895111680%2Curn%3Ali%3Aactivity%3A7019654857791844352)&amp;dashReplyUrn=urn%3Ali%3Afsd_comment%3A(7021190773035479041%2Curn%3Ali%3Aactivity%3A7019654857791844352)&amp;replyUrn=urn%3Ali%3Acomment%3A(activity%3A7019654857791844352%2C7021190773035479041)">vi no LinkedIn</a> e o livro não era acadêmico). São pessoas que assumem que porque uma experiência não foi necessária para a sua jornada, ela é completamente descartável.</p><p>Ora, se a pessoa não fez uma faculdade e conseguiu uma vaga de desenvolvedor, não significa que as outras não possam fazer faculdade. Essas pessoas estão lutando contra moinhos de ventos, estão lutando contra conquistas civilizatórias de outras pessoas. São discursos tóxicos, egoístas e totalmente centrado na experiência de um indivíduo.</p><figure><img alt="Imagem de um painel de energia e um aviso de perigo: “choque”." src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*Er9fBdRAXuMHFgFY" /><figcaption>Photo by <a href="https://unsplash.com/@esptroy?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Troy Bridges</a> on <a href="https://unsplash.com?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Unsplash</a></figcaption></figure><p>Ainda recordo do dia que vi um post no LinkedIn sobre um garoto de periferia que defendeu o doutorado (ou foi aceito depois terminar o mestrado) na Unicamp, tirei o print e postei no Twitter… Para minha surpresa um rapaz branco, paulistano de classe média que fez uma faculdade particular veio militar que fazer faculdade não leva ninguém a lugar nenhum.</p><p>Existe uma grande diferença entre o universo de um rapaz de periferia e um de classe média paulistano. Muitas das lutas diárias que o rapaz de periferia tem não são concebíveis ao rapaz de classe média.</p><p>As vezes as reclamações de pessoas privilegiadas parecem até piada perto de quem tem menos privilégio. Eu morei em república de estudante dos meus 18 anos até casar aos 31 e me lembro e uma amiga reclamar que o marido não sabia lavar um prato… Isso pra mim parecia uma piada pois quem mora em república se não lavar prato, não tem prato limpo, se não lavar roupa, não tem roupa lima e se não fizer compras, não tem comida.</p><p>Agora para e pensa: como alguém de periferia pode se destacar no mercado de trabalho sem uma boa qualificação? Por esforço próprio? Pode até ser, mas aí caímos no viés de sobrevivência novamente. É <strong>mais provável</strong> que ele vire um entregador de comida por aplicativo do que um profissional de renome.</p><p>Histórias de sucesso e superação são bonitas, emocionam, podem até nos dar orgulho, mas elas sempre são e sempre serão exceções a regras. Se não fossem exceções não nos trariam emoções.</p><p>Precisamos balizar a nossa discussão pela regra e não pela exceção. Eu sempre recomendo as pessoas que estudem, se apresentem bem vestidas, conheçam o ambiente em que trabalham, etc… Foi por isso que escrevi a thread abaixo.</p><h3>Victor Osório (https://mastodon.social/@vepo) on Twitter: &quot;Tá tendo layoff, certo?Acho que vai acontecer mais... Mas deixa eu te dar umas dicas de como se precaver.1. Entenda como sua empresa funciona financeiramente.Como ela consegue dinheiro? Como ela gasta dinheiro? Quem patrocina? Ela tá no vermelho ou tá dando lucro? / Twitter&quot;</h3><p>Tá tendo layoff, certo?Acho que vai acontecer mais... Mas deixa eu te dar umas dicas de como se precaver.1. Entenda como sua empresa funciona financeiramente.Como ela consegue dinheiro? Como ela gasta dinheiro? Quem patrocina? Ela tá no vermelho ou tá dando lucro?</p><p>É melhor ser precavido.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=cec0a6f915a7" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[(i) — A Tecnologia e a Sociedade]]></title>
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            <category><![CDATA[sociedade]]></category>
            <category><![CDATA[jacques-ellul]]></category>
            <category><![CDATA[manipulação]]></category>
            <category><![CDATA[tecnologia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 06 Oct 2022 16:25:24 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-10-06T16:25:24.543Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>(i) — A Tecnologia e a Sociedade</h3><p>Eu gosto muito de tecnologia e algoritmos. E isso me levou a estudar a Filosofia por detrás da tecnologia. É impressionante.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*h-c3EbQh2-lzHq-Q.jpg" /></figure><p>Tecnologia é a materialização da Técnica. Técnica é o processo usado para se atingir o fim. Existem técnicas de engajamento, técnicas de pesca, etc…</p><p>Essa rede aqui é poluída de Técnicas de Engajamento. São falsos CEOs escrevendo <em>FanFic </em>e pessoas impressionadas curtindo. Mas funciona. Sabe porque? Porque você fica admirado por um CEO, mesmo sem saber que a empresa dele é formada só por ele. É o famoso CEO de MEI. Ou é o CEO de 28 anos da empresa da família.</p><p><a href="https://conceito.de/fanfic">Conceito de fanfic - Conceito.de</a></p><p><em>— E porque você está escrevendo isso?</em></p><p><strong>Porque a POLÍTICA foi tomada pela Técnica.</strong></p><p>Com o advento das Redes Sociais uma nova técnica de engajamento surgiu onde nossas redes são instrumentalizadas por candidatos para angariar votos. São vídeos de falsos satanistas dizendo que um candidato é tem pacto com o demônio (esse satanista é apoiador do outro candidato), são recortes de noticias, são falas antigas descontextualizadas, etc…</p><p>O volume de informação que consumimos é tão grande que não conseguimos distinguir o que é verdadeiro e o que é falso. As noticias que chegam são tão alarmante e urgentes que nem temos tempo de ponderar se são verdadeiras ou falsas.</p><p>Tudo isso é Técnica. Tudo isso foi gestado por mente brilhantes mas comprometidas com uma Técnica política muito antiga que falarei depois em outro post.</p><p><em>— Quais são os problemas da Técnica?</em></p><p>No começo de 2020, durante aquele período de isolamento social, um amigo me recomendou escrever um texto sobre o que eu achava de uma determinada empresa (que até mudou de nome). Eu então fiz um histórico do que havia acontecido até aquele momento e escrevi um texto chamado <strong>A Rede Social e a Democracia</strong>.</p><p>Nesse texto eu consigo endereçar um pequeno problema que tem nos afetado muito. É um tipo de isolamento social, mas é diferente do que aconteceu na pandemia da COVID-19, é um isolamento de grupos sociais. Esse isolamento cria o que chamamos Câmaras de Eco, são canais de comunicação onde apenas uma voz tem voz, todas as formas de critica são omitidas, silenciadas ou simplesmente não existem. O que isso gera? Uma sociedade que não sabe lidar com o diferente.</p><p>Hoje é bem provável que você conviva com apenas pessoas que pensam igual a você. Você foi segmentado, tagueado, marcado como um bezerro indo para o abate. E um indivíduo muito inteligente soube disso e resolveu faturar em cima de você. Se engana quem acha que esse indivíduo é o CEO de alguma Big Tech… Não! Ele hoje é um presidiário nos EUA por ter conspirado contra o pais dele.</p><p>Então leia o texto abaixo e tire suas próprias conclusões.</p><p><a href="https://vepo.medium.com/a-rede-social-e-a-democracia-d7cb57439e56">A Rede Social e a Democracia</a></p><p><em>— E como eu posso me proteger de ser manipulado pela Técnica?</em></p><p>Isso é muito complicado de responder. Mas eu proponho que você volte no passado. Revisite os anos 1990 e 2000. Você se lembra como a vida era lá? As noticias que você lê hoje, são compatível com a imagem que você tem dessas décadas.</p><p>Nos anos 2000 o Brasileiro foi feliz. A economia cresceu sempre mais que 4% ao ano, chegando a terminar a década com 7%. Tínhamos liberdade de fé e política, até pudemos ir as ruas em 2013 (eu fui) . Pobre voava de avião e nós comíamos picanha. Mas as noticias que chegam no WhatsApp falam de Venezuela, fechamento de igreja, satanismo, etc… Sabe porque chegam essas noticias pra você? Porque você foi tagueado e o candidato que usa o lema “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” usa da mentira para manipular o seu medo.</p><p>Então para que você não seja massa de manobra, saia um pouco das redes e descanse. Todos nos estamos recebendo muito mais noticias do que podemos processar e as vezes as noticias só mostram um recorte baseado no nosso perfil. As noticias vão de encontro aquilo que queremos ouvir, elas atingem nosso <strong>Viés de Confirmação</strong>.</p><p><a href="https://oxfordbrazilebm.com/index.php/vies-de-confirmacao/">Viés de confirmação</a></p><p>Não se deixe levar pelo ódio.</p><p>Para mais informações sobre Técnica, leia minhas notas sobre o livro <em>The Technological Society</em>.</p><p><a href="https://vepo.medium.com/a-sociedade-tecnol%C3%B3gica-t%C3%A9cnica-i-f7d3234b126e">A Sociedade Tecnológica — Técnicas (I)</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e0747cf0035f" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[A Sociedade Tecnológica — Técnicas (V)]]></title>
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            <category><![CDATA[sociedade]]></category>
            <category><![CDATA[tecnologia]]></category>
            <category><![CDATA[técnica]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 28 Jul 2022 02:04:14 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-05T18:21:03.730Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>A Sociedade Tecnológica — Técnicas (V)</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/960/0*-kDB4HPKu7VxoUPW.jpeg" /></figure><p>Essa é a continuação do resumo do segundo capitulo de <a href="https://amzn.to/3PZtviN"><strong><em>The Technological Society</em></strong></a><strong><em> </em></strong>de Jacques Ellul<strong><em>.</em></strong></p><p><a href="https://vepo.medium.com/a-sociedade-tecnol%C3%B3gica-t%C3%A9cnicas-iv-73b5af2425a9">A Sociedade Tecnológica — Técnicas (IV)</a></p><h3>Desenvolvimento Histórico</h3><h4>Cristianismo e Técnica</h4><p>As influências de uma religião sobre a Técnica podem ser controversas. De um lado temos as influências dos dogmas, da teologia e de outro o seu entendimento e sua aplicação prática. Tentar entender como as pessoas aplicam a técnica a luz da sua teologia é um empreendimento complicado, pois isso pode ser injusto com a própria teologia de um povo. Melhor é apenas observar como elas usam a técnica.</p><p>Ocidente e Oriente usavam a técnica de modos completamente diferentes, e nesse momento da história, o ocidente era cristão e o oriente uma mescla de islã e budismo. O ocidente era ativo, conquistador e transformava a natureza em lucro, enquanto o oriente era passivo, fatalista e desdenhava da vida e da ação.</p><p>O cristianismo na Rússia tinha conotações orientais, era desapegado da vida material, não direcionado pela técnica e não tinha interesse em exploração de recursos.</p><p>No ocidente, a Grécia, em seu declínio, iniciou um empreendimento técnico. Chegou a utilizar largamente técnicas de refino de ouro e prata, uso do vidro, construção naval, cerâmica e a desenvolver armas.</p><p>Na decadência do império romano, todas as áreas do império foram afetadas pelo crescimento do números de cristãos. Ruíram a sua organização interna, indústria e os transportes. Os cristãos eram culpados por essa ruína, tanto que Agostinho vai em defesa afirmando que os cristãos eram bons cidadãos. Eles podiam ser bons cidadãos, mas se o foco da vida não fosse a praticidade e o estado, podemos afirmar que sim, <strong>eles contribuíram para a ruína de Roma</strong>.</p><p>Mas a que os historiadores creditam essa apatia dos cristãos com a técnica? A visão de que a natureza era dom de Deus e que devia ser bem utilizada? Certamente não! A natureza do homem medieval era <em>acapitalista </em>e também <em>atécnica</em>.</p><p>A idade média, do ponto de vista organizacional, era uma anarquia (no sentido etimológico da palavra). Não havia organização social e política baseada na razão e com regras elaboradas. O empreendimento técnico era inexistente em todas as áreas, desde agricultura até a guerra. As batalhas era reduzida as técnicas mais elementares. E a arquitetura teve pouco avanço técnico.</p><p>A técnica na agricultura pouco avançou até o século XII quando um movimento técnico começou a ganhar corpo. Mas esse movimento vinha por influência do oriente através das cruzadas.</p><p>Existe o argumento que o cristianismo cria as bases de um movimento técnico. Ao suprimir a escravidão e libertar o homem, há a necessidade de tornar a vida do trabalhador melhor, abrindo espaço para a evolução da técnica. Em todos os locais, a escravidão era uma oposição ao avanço técnico. Outro impedimento do avanço técnico é o medo santo da natureza, “<em>como vamos tocar a terra dos antigos deuses?”</em> O cristianismo dessacraliza a natureza, a natureza é apenas a natureza.</p><p>Mas esses dois argumentos não acurácia. Vemos um grande avanço técnico em lugares que usaram largamente a escravidão como o Egito e Roma. Quando Roma liberta seus escravizados, não há nenhum avanço técnico considerável por quase sete séculos. O escravizado era propriedade do seu senhor e contado como patrimônio, assim como sua força de trabalho. Toda técnica que aumentasse o seu potencial, seria deseja pelo seu senhor. Ao contrário, se ninguém explora a a força de trabalho do homem livre, não há vantagem no aumento da sua produtividade.</p><p>O outro argumento também não é tão aplicável. Pois uma natureza repleta de deuses com suas vontades e poderes pode ajudar no empreendimento técnico. Essa é a essência da magia, onde as forças da natureza são usadas para o empreendimento técnico.</p><p>E qual era doutrina cristã para com a atividade prática? No plano moral, o cristianismo condenava a luxuria e o dinheiro. Tudo que representava as antigas cidades era consagrados a Satã, em oposição a cidade de Deus.</p><p>No plano teológico, havia um grande questionamento: <em>é correto? </em>Isso era um grande impeditivo ao avanço técnico. Toda e qualquer invenção deveria passar por esse crivo. <em>É correto usar moinhos de vento? </em>Também existia a ideia de que o mundo ia acabar logo, Jesus estava para voltar. <em>Porque avançarmos e acumular riquezas se tudo isso ia ter um fim?</em></p><p>A reforma deu um fim a maioria desses argumentos.</p><h4>O Século XIV</h4><p>No século XIV vemos uma escassez de invenções. Apesar de ser conhecido como um século de muito avanço, todo esse avanço se baseia em técnicas desenvolvidas no século anterior. O século XV foi rico em avanços armamentistas, na indústria náutica, a impressa e no sistema bancário. Tudo isso catapultou as mudanças que ocorreram no mundo durante o século seguinte. Mas o que causou essa falha na evolução técnica?</p><p>A primeira característica comum aos livros científicos do século XIV, são a sua falta de ordenação lógica. Praticamente todos os escritos não tinham um plano claro, mas eram apenas um escrita cheias de reflexões e experiências pessoais seguindo o gosto do autor.</p><p>A segunda característica é que os livros tentavam abordar os temas por todas as perspectivas possíveis. Não é raro encontrar no mesmo livro arqueologia, teologia, psicologia e história. Isso era um reflexo da expansão do humanismo, faltava especialização. Muitos se propunha a estudar todos os temas e continuavam ignorantes em todos os temas.</p><p>Qualquer autor tinha que ser universalista, e com isso eles não conseguiam seguir com uma investigação técnica. A aplicação do tema de estudo era menos importante do que a investigação de todos as causas relacionadas ao tema.</p><p>Outra característica era a ausência de ferramentas para leitura. Os livros escritos nessa era não eram feitos para serem consultados, mas para serem lidos por completo pacientemente. Era fruto da ideia de universalismo presente na época.</p><h4>A Revolução Industrial</h4><p>O termo revolução industrial é aplicado ao desenvolvimento das máquinas. Lewis Mumford descreve ela como a mudança nos modos de extração de energia, migrando da energia hidráulica para o carvão e a eletricidade. Mas sua tese não é válida porque não houveram só mudanças nas máquinas. Para Norbert Wiener, ela consistiu na substituição do músculo humano, preparando terreno para substituição do cérebro humano.</p><p>A revolução industrial é um estado que é consciente de si mesmo, com desenvolvimento da técnica administrativa, militares e da força policial. O principio de Descarte foi aplicado em todos os cantos da filosofia e da ciência, dando um grande avança a técnica na sociedade. Os antigos privilégios foram extintos por Napoleão, mudando o sistema judiciário da Europa e criando um novo espaço para a técnica.</p><p>O século XVIII criou um bom ambiente para o desenvolvimento da técnica, o medo do mau desapareceu e as pessoas começaram a ter uma consciência científica.</p><p>Mas foi no século XIX que a Europa passou por uma expansão nunca visto. A expansão da técnica foi um fenômeno exclusivamente europeu, que levou as pessoas a acreditarem que o progresso era continuo e iria levar o mundo (leia-se Europa) a um período de paz e prosperidade. Mas esse período foi baseado em cinco fenômenos:</p><ol><li>Um período de longa expansão da técnica.</li><li>Expansão populacional.</li><li>Ambiente econômico favorável (colonialismo).</li><li>Exploração social.</li><li>Claras intenções técnicas</li></ol><p>Depois da Revolução Francesa o estado despertou para o controle da técnica. O governo de Napoleão foi muito importante para o desenvolvimento de técnicas jurídicas e econômicas. Isso impulsionou o fortalecimento da burguesia que depois tomou o controle da técnica para desenvolvimento industrial. Mas a burguesia querendo o controle da técnica limitou as grandes escolas para si mesmo.</p><p><a href="https://vepo.medium.com/a-sociedade-tecnol%C3%B3gica-a-caracterologia-da-t%C3%A9cnica-i-ad540c5110c0">A Sociedade Tecnológica — A Caracterologia da Técnica (I)</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=5df9b2d3215e" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Como sobreviver nas redes sociais]]></title>
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            <category><![CDATA[tecnologia]]></category>
            <category><![CDATA[sociedade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 15 Jan 2022 18:31:09 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-01-15T19:06:30.265Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Eu não sei quando você nasceu. Eu nasci em 1983 e tinha 17 anos quando entramos no ano 2000. O mundo era radicalmente diferente.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*wk0uj-FEKDHTLf8IJSLAJw.jpeg" /><figcaption>Uma mesa com comida e vinho é a rede social mais antiga da humanidade.</figcaption></figure><p>A diferença no mundo não é estética. O mundo ainda é o mesmo quando falamos de arquitetura, carros, música ou arte. Se qualquer um desses artefatos entrarem numa máquina do tempo e saírem na virada dos anos 2000, ninguém vai estranhar. <em>Mas também não espere que as pessoas achem linda sua calça skinny</em>.</p><p>O que mudou foi a dinâmica das relações entre as pessoas e das pessoas com a sociedade. Sua vida seria muito diferente se você estivesse no ano 2000, pois naquela época os meios de comunicação era muito diferentes. Existia a internet, mas ela não era onipresente e os contatos entre pessoas eram feitos um a um sem o famoso algoritmo.</p><p>As mudanças que aconteceram foram boas e ruins. Na minha opinião, no geral, o mundo do ano 2022 é muito pior do que o ano de 2002, mas as redes sociais trouxeram também algum avanço. Elas são apenas instrumentos mau regulados, podem ser usado para o bem ou para o mal.</p><p>Uma sociedade sempre produz uma cultura, e essa cultura vai ditar como as pessoas interagem com alguns meios. O que estamos vivendo hoje é uma adaptação das placas tectônicas sociais para o novo mundo das redes sociais. Nós precisamos aprender a conviver com elas, precisamos aprender a como interagir e como <strong>não </strong>interagir.</p><p>Novas tecnologias surgem e mudam a sociedade, mas elas só podem ser combatidas por duas forças que existem na sociedade: regulamentação estatal e opinião pública. Como eu não posso produzir nenhuma regulamentação (e nem acho que teria efeito), vou fazer meu pequeno movimento para mudar a sua opinião sobre como interagir em redes sociais. Quero propor alguns pontos que você possa refletir. Esse é um debate e não uma imposição, caso você não concorde, entre em contato comigo.</p><h4>Redes de apoio versus redes de radicalização</h4><p>Redes sociais são mediadas por algoritmos. O ideal seria que toda rede social fosse aberta e não interferisse na ordem e visibilidade das mensagens e propagandas. Mas não é isso que acontece.</p><p>Quando você abre o Twitter, sua timeline não reflete a ordem cronológica das mensagens enviadas pelas pessoas que você segue. É bem comum você ver tweets que são colocados juntos, assuntos que aparecem na sua timeline ou mesmo indicações para seguir pessoas que você nunca imaginou existir.</p><p>É nesse ponto que podemos falar que você tem uma bolha. Ela é somente sua. Ninguém mais tem essa bolha, pois nenhuma timeline é igual a outra. Esse fato é radicalmente novo na história, passamos os últimos 100 anos acostumados com comunicação de massa e agora temos um meio de comunicação exclusivo. Isso pode ser bom ou ruim, depende de como é a sua bolha.</p><p>Bolhas são construidas a partir das pessoas que você segue e dos assuntos que você interagem. Você pode construir redes de apoio, que vão te tornar uma pessoa melhor. Essas redes eu caracterizaria como redes onde você pode se expor saudavelmente (cuidado ao se expor, privacidade ainda é importante) sem que ninguém lhe jogo pra baixo ou faça chacota de você.</p><p>Ou você pode construir redes de radicalização. Essas redes são caracterizadas por pessoas que vão conhecer suas frustrações e usar elas para interesses escusos.</p><p>Quer um exemplo? Imagine um cidadão branco de classe média que não cresceu na carreira o quanto imaginava. Ele tem duas opções: ou vai buscar ajuda para tentar se alinhar ao que o mercado de trabalho espera dele ou ele vai se radicalizar acreditando que foi a ascensão de um outro grupo social que retirou dele as oportunidades.</p><p>Eu sempre me coloquei nas redes sociais tentando evitar que a segunda situação aconteça. Nas minhas mentorias já conversei com inúmeras pessoas frustradas porque não crescem que não sabem como fazer isso. E a surpresa deles é enorme ao saber que alguns pequenos ajustes podem destravar esse crescimento.</p><p>Redes de apoio não devem incentivar o ódio ou explicações simples. Devem valorizar o crescimento pessoal, a interação entre diversos grupos sociais, o respeito mútuo e a ética ao dialogar. Redes de ódio capturam o indivíduo em uma espiral destrutiva em que ele só vai crescer dentro daquela rede, fora dele ele é pior do que era anteriormente.</p><h3>Isolamento cultural, ou a bolha</h3><p>Essas bolhas, sendo rede de apoio ou radicalização, também tem um outro efeito, o isolamento. É muito comum que uma bolha tem as mesmas influências culturais.</p><p>Na verdade o que acontece é o contrário. Quando o Facebook iniciou a usar sua famosa Graph API, era possível fazer o download de todas as informações de um usuário (não eram vazamentos, os dados eram dados pelos usuários em troca de um teste de personalidade). Uma empresa fez o cruzamento desses dados para conseguir identificar as bolhas. Assim nasceu o esquema criminoso chamado Cambridge Analytica. Eu não estou querendo falar das implicações políticas disso, mas de como essa bolha cultural se intensificou.</p><p>Não é raros sermos surpreendidos com o artista desconhecido mais tocado no Brasil. Isso acontece o tempo todo comigo. Se você não é da minha bolha cultural, tente assistir a entrevista do <strong>Fernando Anitelli</strong> ao <strong>PodCast de Música</strong> e se surpreenda como eles mesmo ainda são altamente influentes (talvez não na sua bolha). É uma entrevista maravilhosa que vai mostrar como existem algumas pessoas que andam marginalizados dentro das redes sociais e da mídia, mas mesmo assim tem um grande público. <em>Aliás, fui num show deles no Festival de Inverno de Pedro II em 2018 e ele sozinho com o violão hipnotizou um publico que foi assistir o Fagner.</em></p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FEh3yZ31j310%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DEh3yZ31j310&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FEh3yZ31j310%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/8ea77c38ec25219a18faee40c9e0402f/href">https://medium.com/media/8ea77c38ec25219a18faee40c9e0402f/href</a></iframe><p>Eu usei a música para ilustrar, mas esse isolamento acontece em vários outros pontos. E ele é nocivo quando falamos de influências literárias/filosóficas. Quando alguém quer te prender a bolha, a primeira coisa que ele vai fazer é te fechar na bolha. Vai tentar lhe indicar livros sobre o que as pessoas da sua bolha interpretam das ideias de fora da bolha.</p><p>Para que você sobreviva as bolhas, tente furar as bolhas. Tente consumir algo de fora, mas sempre sabendo que se a pessoa quer te aprisionar, você tem que ter muito cuidado.</p><h3>Ódio basal</h3><p>Redes sociais vivem de interações. Se todos parassem de mandar mensagens em uma determinada rede, é bem provável que ela entrasse em colapso em menos de uma semana. Mas como as redes mantém as pessoas interagindo? A resposta está no algoritmo.</p><p>Toda rede social modera as mensagens que vão para os usuários. Isso significa que a sua timeline não é uma linha do tempo como o nome sugere. Ela é a ordenação de mensagens que maximiza o seu tempo na rede social. Já existem alguns estudiosos chamando essa fase do capitalismo de Capitalismo de Atenção, ou <a href="https://amzn.to/3qEvjUR">Capitalismo de Vigilância</a>. Dois anos atrás eu escrevi sobre como o Facebook evoluiu e como o seu algoritmo foi desenhado, creio que a leitura ainda vale a pena.</p><p><a href="https://vepo.medium.com/a-rede-social-e-a-democracia-d7cb57439e56">A Rede Social e a Democracia</a></p><p>Se o algoritmo tenta manter você engajado, você sabe qual é o sentimento que mais engaja? O ódio! <em>Os mais velhos vão lembrar de quando o Facebook substituiu o Like por vários sentimentos.</em></p><p>Ódio gera iteração! Se você vê um post super interessante sobre uma coisa positiva, é bem capaz de esse post ter um impacto positivo em você, mas você não produza conteúdo. Mas se você ver um post que te causa repulsa, é bem provável que você vá comentar. Ódio é o que move as redes e você deve evitar eles.</p><p>Se você não gosta de um determinado conteúdo, simplesmente silencie o conteúdo. Se você não gosta de uma pessoa (ok, em 2022 é possível não suportar alguém), silencie ou bloqueie ela. Eu mesmo tenho uma lista de pessoas bloqueadas. São indivíduos que tentam manipular a sua bolha para que seus interesses políticos sejam alcançados. Ao não ver o conteúdo deles, eu mantenho a minha sanidade mental.</p><p>Se você quiser fazer uma apoplética das suas ideias, nunca faça no conteúdo direto da pessoa. Use um print, evite interagir ou mesmo comentar.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/722/1*UNzj_BaH96VL0I5lGxcxpQ.png" /></figure><p>Se você sente esse ódio, recomendo usar um tempo fora das redes. Tente sair da sua casa. Caminhar ouvindo música. Se precisar eu até criei uma playlist que foge completamente do mainstream. Espero que ela diminua seus níveis de ódio.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Fplaylist%2F3kDHz3cywrCwJS2x4ODsyO%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fplaylist%2F3kDHz3cywrCwJS2x4ODsyO&amp;image=https%3A%2F%2Fmosaic.scdn.co%2F300%2Fab67616d0000b2731f233750f90dbc066baae7a5ab67616d0000b2734d22c45999700b7f41dcb81fab67616d0000b273aec778e0566da99fd6f80470ab67616d0000b273f3f5054dc0a8c66288a98ab7&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="380" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/b356b022cd8c0ef30c46c9ed4d983eac/href">https://medium.com/media/b356b022cd8c0ef30c46c9ed4d983eac/href</a></iframe><h3>Interação com o mundo real</h3><p>A vida em bolhas é um constante eco. Opiniões divergentes são automaticamente excluída das bolhas, ou pelo algoritmo ou pela própria pressão social.</p><p>Quando se olha de fora de uma bolha pode parecer um absurdo as pessoas acreditarem em certas opiniões. Mas o que acontece é que essas pessoas estão cercadas de meios que confirma a sua própria realidade. As redes sociais distorcem a realidade através das bolhas.</p><p>Vamos supor um indivíduo que acredita em uma conspiração internacional que criou uma pandemia para instaurar um sistema social e econômico. Se você tem contato com qualquer pessoa que entende de relações internacionais ou epidemias, vai saber que é uma conspiração. Mas as pessoas que acreditam nessa conspiração já perderam o contato com qualquer meio externo ao circulo deles.</p><p>É preciso refletir sobre como isso aconteceu. Pessoas que só leem um jornal, só confiam em um canal de TV ou só consomem noticias através de grupos de aplicativos. Essas pessoas delegaram o contato com a realidade a um grupo coordenado, elas estão ativamente escolhendo não ter contato com a realidade.</p><p>Eu tento relativizar a culpa individual dessas pessoas e olhar para conspirações externas. Se você quiser entender melhor, recomendo o livro <strong>“Os engenheiros do caos”</strong>. Esse livro vai mostrar uma linha histórica de fatos e eventos que comprovam a teoria de que existe um grupo conspirando para transformar a realidade. Talvez você não consiga entender como eles colocam em prática sua ideia, por isso tenho que recomendar outro livro <strong>“Algoritmos de Destruição em Massa”</strong>.</p><ul><li><a href="https://amzn.to/34NJOgl">Os engenheiros do caos: Como as fake news, as teorias da conspiração e os algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições: 1</a></li><li><a href="https://amzn.to/3A0dT86">Algoritmos de Destruição em Massa</a></li></ul><p>Não que eu acredite que tudo na história dos últimos 20 anos possam ser resumidos a teorias da conspiração, mas existe um núcleo conspirando ele, felizmente, ele está perdendo espaço.</p><p>Então como podemos entrar em contato com a <em>realidade</em>? Primeiro precisamos definir o que é realidade! Realidade é quando os fatos fazem sentido, todos os fatos! Realidades alternativas não são realidades, são apenas visões parciais, manipuladas ou não, da verdade. Existe uma verdade, existe um mundo concreto fora da nossa cabeça, só nos resta alcança-lo.</p><h3>Diálogo</h3><p>Ficou uma pergunta no ar. Como ter contato com a realidade? Eu poderia responder essa pergunta com uma única resposta: diálogo.</p><p>Diálogo é uma habilidade perdida no tempo. Dizem que os antigos sabiam dialogar, eu tenho minhas dúvidas. Mas se comparar o hoje com o passado, podemos afirmar categoricamente que nossos antepassados dialogavam melhor.</p><p>Diálogo é construido na base do argumento e contra argumento. Um diálogo não pressupões que ambos os lados vão alinhar os pontos de vistas. Mas no fim de um diálogo ambos os lados podem chegar num denominador comum ou compreender um ao outro.</p><p>Se um dos lados tenta impor a sua verdade sem ouvir o outro lado, não há diálogo. E esse é o ponto que erramos na última década. É bem capaz de você pensar que vou apontar o dedo pro lado direito da política, certo? Errado! Eu falo desde 2008 que a esquerda tem jogado a direita para o colo do extremismo por não saber dialogar.</p><p>Não estou assumindo que um lado ou outro tem culpa, estou assumindo que não temos habilidade. Quero trazer outra perspectiva!</p><p>Quando entramos em um diálogo e não conseguimos entender o ponto de vista do outro, pode ser que ele seja extremamente irracional. Talvez ele esteja pensando com o pâncreas, como os Vogons em <strong>O Guia dos Mochileiros das Galáxias</strong>. Se você acha que eu estou viajando completamente, lhe recomendo ler o livro <a href="https://amzn.to/3A5KxFd">A Mente Moralista</a>, em uma série de estudos sobre ética e psicologia o autor traça como fazemos nossas escolhas e os estudos demonstram que não somos tão racionais assim, como o autor desejava.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/960/0*yOojRPLyPdjBntR8.jpg" /></figure><p>Nossas escolhas são feitas mais pelas nossas paixões que pelo nosso cérebro. É como um ginete controlando um elefante, enquanto o elefante estiver calmo, o ginete vai controlar, se o elefante perder o controle de si, ninguém o controla. Assim são nossas emoções e nossa razão.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/725/0*yqjrEx3wpL6EEhEA.jpg" /></figure><p>Então quando estamos dialogando, temos que entender alguns pontos sensíveis que tocam nas emoções do outro. O diálogo é sempre guiado pelo outro, é melhor ganhar o outro do que ganhar o debate. E é nesse ponto que volto ao debate político da última década. Um lado entendeu que a moralidade brasileira mudou e criou dicotomias que o outro lado abraçou irracionalmente. Aborto foi o tema das últimas 3 eleições, mesmo sendo um tema que o executivo tem nenhuma influência, mas é um tema que move as paixões e ajuda a criar uma linha que separa os bons do maus.</p><p>Nesse ano de 2022, teremos muito diálogos nas redes, por isso é preciso ter muito cuidado para não cair no bait.</p><h3>Excitação e cansaço</h3><p>E por fim chegamos ao nosso último tópico. As redes sociais tendem a nos manter continuamente excitados. Sempre há algo a se fazer, nunca devemos estar satisfeitos.</p><p>Algumas pessoas acreditam que isso é fruto da sociedade neoliberal, outros acreditam que não existe sociedade neoliberal. Eu não quero entrar nesse debate. Se você acredita ou não que existe essa discussão, só saiba que até esse debate tende a lhe deixar excitado.</p><p>Recomendo a leitura do pequeno livro <strong>Sociedade do Cansaço</strong>. Não creio que esse seja um grande livro, mas na sociedade de 2022 ele traz grandes revelações.</p><p><a href="https://amzn.to/3nuZUC6">Sociedade do cansaço</a></p><p>Esse livro vai parecer bobo para quem viveu a realidade de pequenas cidades onde a vida corre lentamente. Na verdade a vida das grandes cidades corre da mesma forma, mas estamos tão excitados que não conseguimos ver. Temos uma ansiedade que nos cobra constantemente por não estarmos onde as redes sociais nos dizem para estar.</p><p>Eu sou uma das pessoas que sempre oferecem uma perspectiva de crescimento. Podemos sim, em poucos anos, estar muito além do que estamos hoje, mas essa evolução tem que ser feita lentamente, passo a passo. Por isso sempre proponho um roteiro, uso no nome <a href="https://twitter.com/dev_roadmap">roadmap</a>. Não é fazendo um curso que você vai atingir o salário que você deseja.</p><p>O seu sucesso vai depender do planejamento e esforço de anos, mas na minha vida de viajante eu aprende que as viagens são mais interessantes quando desfocamos do nosso destino final e começamos a observar o caminho. Aproveite o seu dia a dia, são horas preciosas que nunca serão recuperadas. Só se vive uma vez.</p><h3>Conclusão</h3><p>Redes sociais são a maior inovação tecnológica dos últimos 50 anos. Elas permitiram que grupos minoritários pudesse se organizar e criar focos de resistência contra a violência de grupos majoritários. Mas precisamos ter algumas proteções ao lidar com elas.</p><p>Espero que você consiga se alguém melhor em 2022.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=16ebe6ee0928" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[O Espantalho]]></title>
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            <category><![CDATA[falácia-do-espantalho]]></category>
            <category><![CDATA[cristianismo]]></category>
            <category><![CDATA[falacias]]></category>
            <category><![CDATA[politica]]></category>
            <category><![CDATA[técnica]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 03 Jan 2022 14:26:31 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-01-03T14:26:31.157Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Eu gosto de estudar falácias. Elas são extremamente úteis se você quer ter um pensamento crítico e conseguir compreender como as pessoas manipulam o discurso para tentar impor a sua verdade. Elas tem me sido bastante úteis nos últimos 10 anos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*2TlneUBQpzmG-NlGxAa0Ew.jpeg" /></figure><p>Se você não conhece as falácias mais comuns, tem um jogo bem interessante que eu conheci por volta de 2009 chamado <a href="https://filosofianaescola.com/ensinar/jogo-das-falacias/">Jogo das Falácias</a>. A ideia é que estudantes tente criar e reconhecer argumentos falaciosos e usar cartas de baralhos. Como eu não sou estudante nunca joguei mas eu acho as cartas bem instrutivas.</p><p>E nesses dias tenho refletido como a falácia do espantalho tem sido usada de uma forma completamente nova. Talvez essa seja uma falácia conhecida, mas que eu nunca vi. Tudo começou com um Twitter irônico do <a href="https://twitter.com/direitasiqueira">@direitasiqueira</a>.</p><h3>CORONEL SIQUEIRA 🇱🇷🇮🇱🇧🇷🐂 on Twitter: &quot;MAIS UMA MISSA DESAGRADÁVEL HOJE!!! EU ADORO O NATAL, MAS REALMENTE NÃO SEI A NECESSIDADE DE LIGAR A DATA A JESUS!!! É UM SACO ESSE PAPO DE AMOR E CARIDADE!!! SERÁ QUE NÃO TEM JEITO DE FAZER UM CRISTIANISMO SEM CRISTO??? 😤 / Twitter&quot;</h3><p>MAIS UMA MISSA DESAGRADÁVEL HOJE!!! EU ADORO O NATAL, MAS REALMENTE NÃO SEI A NECESSIDADE DE LIGAR A DATA A JESUS!!! É UM SACO ESSE PAPO DE AMOR E CARIDADE!!! SERÁ QUE NÃO TEM JEITO DE FAZER UM CRISTIANISMO SEM CRISTO??? 😤</p><p>Esse tweet me deixou bem intrigado. Como nas últimas décadas o cristianismo se desvencilhou completamente da imagem do Cristo?</p><p>Caso você associe qualquer característica desse governo com o cristianismo, você precisa parar para ler um pequeno trecho do maior discurso do Cristo. Ele está no livro de Mateus começando no capítulo 5, aqui vou reproduzir apenas as conhecidas “bem-aventuranças”.</p><blockquote>Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.<br>Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.<br>Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança.<br>Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.<br>Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.<br>Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.<br>Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.<br>Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.<br>Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.<br>Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.</blockquote><blockquote><a href="https://www.bibliaonline.com.br/nvi/mt/5/3-12+">Mateus 5:3–12</a></blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*f8QRh4_wQe7Q4lSwqsyO0g.png" /></figure><p>Talvez você tenha uma imagem da religião cristã e das associações dela com governos… É sobre esse espantalho que quero falar. Desde Constantino, toda vez que o cristianismo é usado para defender um governo ele precisa se corromper primeiro e o primeiro passo é criar um espantalho. É preciso riscar da mente dos cristãos esse trecho acima e fazer uma lavagem cerebral para que eles aceitem figura nefastas no poder.</p><p>É como se usassem o espantalho em si mesmo. Criam um espantalho para que o povo aceite um falso cristianismo, um falso cristo. O cristo armamentista que foi intensamente compartilhado como foto natalina de políticos americanos é uma invenção moderna.</p><h3>Cristo, Paulo e o Antigo Testamento</h3><p>O primeiro passo para se criar esse Cristo é dizer “<em>Não olhe para Cristo</em>”. Mas como essa frase não pode ser dita de forma audível, ela tem que ser subjetivada. É preciso recriminar essa figura “rebelde” e “transgressora” que foi o Cristo e para isso tem que se apontar para outras figuras ou outros discursos. Para atingir esse objetivo esses pastores tem um grande aliado: o tempo.</p><p>Cristo viveu no primeiro século, aliás ele é a causa do primeiro século ser o primeiro. Todos os escritos que temos sobre ele foram escrito por pessoas que ou conviveram com ele ou conviveram as histórias dele vivam na memória do povo. Creio que não há ninguém vivo que tenha escutado o Sermão do Monte. Se você refletir nesse texto vai perceber que ele é extremamente inclusivo. Ele não descarta a ideia de pecado, mas ele defende a tese que somos todos pecadores por isso somos iguais então ao invés de dividir deveríamos nos unir. Não devemos julgar, mas amar.</p><p>Essa interpretação era viva no coração daqueles que recebiam as cartas de Paulo, por isso ele não as precisava repetir o tempo inteiro. Um carta escrita no primeiro século deveria ser econômica, cada palavra era contada como era na época do telegrama.</p><p>Já o Antigo Testamento tem uma dinâmica completamente diferente, ele foi escrito na antiguidade. Alguns textos são contemporâneos de textos mesopotâmicos, eles não pode ser lidos como lemos o jornal de hoje. Quem faz isso é mau caráter, principalmente aqueles que defendem um criacionismo mágico, como se Deus tivesse tirado o homem de uma cartola.</p><p>Outra forma de mentir usando a bíblia é apagar dos heróis do antigo testamento seus erros. Eles erravam e erravam muito. Todo mundo é passível de erro, quem não reconhece um erro desses heróis está se defendendo da possibilidade de emitir uma auto crítica. Eu não sou presbiteriano, nunca fui e provavelmente nunca serei, somente conheci a figura do Augustus Nicodemus recentemente e fico me pergunta: <em>qual a dificuldade de reconhecer o erro pelos erros da igreja sul africana onde ele estudou? Qual a dificuldade de reconhecer que não havia (e não há) ameaça comunista?</em></p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fe6aKhiSyQAo&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3De6aKhiSyQAo&amp;image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fe6aKhiSyQAo%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/35ce1cace86679f96d75fdc04679a1c0/href">https://medium.com/media/35ce1cace86679f96d75fdc04679a1c0/href</a></iframe><p>Não existe problema em assumir um erro do passado, isso é sinal de maturidade. Mas essa dificuldade só demonstra que esse apoio é ideológico. Eles conseguiram construir um Jesus que apoia ditaduras, divide um povo por cor de pele, odeia o pobre. Para isso eles precisam até apagar um dos feriados mais tradicionais do cristianismo. Ele chega ao cumulo de rasgar a páscoa da bíblia. Na minha igreja originária ela era comemorada como uma dupla libertação, a libertação da escravidão (Judeus foram libertos do Egito) e do pecado (sacrifício/ressurreição de Cristo). Eu não sei se minha antiga igreja descende das igrejas abolicionistas norte americana, mas sei que esse significado já diz que ela não está na linhagem histórica de Americana/SP (associada até hoje com os Confederados).</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FbXMcCelEVe4%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DbXMcCelEVe4&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FbXMcCelEVe4%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/bacfce7541bceaf7d0c7300174892158/href">https://medium.com/media/bacfce7541bceaf7d0c7300174892158/href</a></iframe><h3>A pseudo-ortodoxia</h3><p>Essas pessoas que apoiam o atual governo, ou que já pularam do barco para defender um novo governo que admira movimentos supremacistas da Ucrânia, declaram ser “ortodoxos”. Mas o que significa isso?</p><p>Na verdade a ortodoxia e o liberalismo teológico são mais dois espantalhos criados. Liberalismo teologizo foi um movimento teológico que existiu no século XIX, por causa dele alguns teólogos tiveram que defender a validade da bíblia como “documento sagrado”. <em>Eu não sou teólogo, sou engenheiro e estou aqui para analisar técnicas, logo seja benevolente com a minha descrição.</em></p><p>Mas no século XX o movimento de ortodoxia foi sendo transformado em fundamentalismo. É preciso frisar que os fundamentalistas não defendem a bíblia em momento algum, eles defendem a interpretação da bíblia conforme a tradição norte-americana. Existem alguns tons de cinza aqui, alguns vão aceitar o evolucionismo, mas vão defender um teologia de estado que só aceita o liberalismo econômico. Mas sempre existirá a necessidade de abafar o debate e impor uma versão única sempre alinhada com teólogos importados.</p><p>Essa visão fundamentalista é uma inovação recente na cristandade. No passado era comum serem feitos concílios em que haveria um grande debate de ideias e dele sairia uma carta de comunhão e não um processo de divisão. Essas cartas são hoje conhecidas como Credos. Você pode procurar o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Credo_Niceno">Credo Niceno</a> e outros tantos que existem. Eu não estou afirmando que não existiam divisões, não vou negar a história, mas existem mais credos que cisma.</p><p>Esses novos ortodoxos não estão preocupados com nenhuma ortodoxia, eles estão preocupados com o controle ideológico. Eles não aceitam teologias que discordam deles. Quando uma dessas surge o primeiro passo é criar um espantalho para depois poder bater. Foi o caso da Teologia da Missão Integral (TMI), quando um teólogo tentou criticar ela intelectualmente teve que usar o argumento de “não há nada de novo por isso pode ser descartada”. Ora, se como ele mesmo defendeu, a TMI era apenas uma retomada do pensamento da teologia antiga, porque descartar? Talvez porque era uma teologia voltada ao pobre, como é o sermão do monte.</p><h3>A mulher e a bíblia</h3><p>Talvez suas sinapses já associem a bíblia com a submissão da mulher ao homem. E de certa forma isso faz sentido, mas também é uma falácia.</p><p>A bíblia é um texto antigo e ela nunca pode ser lida ignorando o contexto que foi escrita. Eu falei muito da pessoa de Cristo e como ela é apagada pelos “ortodoxos”. Eu lhe convido a ler os quatro evangelhos vendo qual foi o papel que o Cristo deu a elas. Talvez você não veja nenhuma diferença com os dias atuais e é aí que vemos como esse texto é revolucionário. Ele foi escrito em uma época que um homem não poderia falar com uma mulher se não fosse o marido dela.</p><p>Em alguns momentos cartas são direcionadas a casais, mas o nome da mulher vem antes do nome do marido. Você com sua cultura moderna não entende, mas isso significa que ela era a chefe de família. Em outras cartas a mulher lia perante a comunidade, o que a coloca em uma posição de liderança.</p><p>Toda essa teologia machista que você conhece foi criada recentemente e há um excelente livro que será traduzido para o português em 2022 chamado Jesus and John Wayne, provavelmente teremos mais respostas nele. Este é um livro de história e não teologia.</p><p><a href="https://kristindumez.com/books/jesus-and-john-wayne/">Jesus and John Wayne: How White Evangelicals Corrupted a Faith and Fractured a Nation - Kristin Kobes Du Mez</a></p><h3>Dando nome aos bois</h3><p>Não quero me delongar porque esse não é um artigo sobre teologia. Isso é só um texto de blog que busca analisar a seguinte questão: <em>como a igreja cristã nega o próprio Cristo?</em></p><p>Para que isso seja feito é preciso algum esforço argumentativo e eles são:</p><ul><li>Focar no individualismo e negar qualquer virtude comunitária</li><li>Focar na santidade pessoal e sexual e esquecer os heróis também era pecadores e que existem outros pecados (usura por exemplo)</li><li>Focar demasiadamente em alguns textos e esquecer outros (ou mesmo ressignificar)</li><li>Ignorar o lugar do pobre e humilde de todo o texto bíblico (se você nunca leu, vai perceber que o pobre tem um lugar central em todo o texto)</li><li>Ignorar como a mulher tinha um papel na sociedade e propor que o papel dela hoje deve ser como era nas sociedades antigas (o qual a bíblia criticava)</li><li>Isolar culturalmente, ideologicamente e teologicamente toda comunidade</li><li>Demonizar o outro lado de debate</li></ul><p>Eu não consigo ver a cultura evangelical brasileira (e americana) como cristã. Eles estão mais perto de um povo bárbaro que usa a imagem do Cristo como escudo, mas adoram um espantalho sinistro.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=cd645fb135ab" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[A Filosofia do Design de Código]]></title>
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            <category><![CDATA[código]]></category>
            <category><![CDATA[desenvolvimento-software]]></category>
            <category><![CDATA[complexidade]]></category>
            <category><![CDATA[linguagem-de-programação]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 21 Jul 2021 22:14:30 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-07-21T22:19:03.856Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Muitos engenheiros desconhecem as ciências humanas. Acreditam que é perca de tempo esse tipo de estudo. Porque vou estudar o modo com pensamos? Porque vamos estudar o modo como a sociedade é organizada? Ou o modo como os fenômenos sociais acontecem? Ou quem sabe como a língua evolui? Bom, cada área dessa tem muito a ajudar, talvez um engenheiro não saiba disso por puro desconhecimento.</p><p>Desconhecimento só se resolve com conhecimento, e por isso que levanto o seguinte questionamento: <em>como a filosofia pode ajudar no desenvolvimento de software?</em></p><h3>O que é filosofia?</h3><p>Antes de tudo, precisamos antes entender ao que a filosofia se propõe. Temos no nosso imaginário a ideia do filósofo como alguém depressivo que vive pensando na vida, alguém solitário. Esse estereótipo não é verdadeiro. Para quem lembra do desenho Peanuts (ou Turma do Charlie Brown ou Snoopy), o Charlie Brown é só um cara meio depressivo e inteligente.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/720/0*wyFzv1YWO5UuetV0.jpg" /><figcaption>Isso foi meu papel de parede por muito tempo. 😉</figcaption></figure><p>Então o que é filosofia? Se você quiser realmente uma resposta correta, você precisa procurar literatura! Antes de escrever esse post eu pesquisei um curso no <a href="https://www.coursera.org/learn/philosophy/home/welcome">Coursera </a>e estou fazendo ele, na primeira aula existe um link sobre <a href="https://iep.utm.edu/con-meta/">Metafilosofia</a>, a resposta está aí. Mas segundo a própria definição do professor do curso, Dave Ward da Universidade de Edinburgh, filosofia é a atividade de dar um passo atrás, de pensarmos sobre os nossos próprios pressupostos que baseiam as nossas atividades.</p><p>Vamos aplicar isso? Imagina um físico. Ele tenta provar fenômenos físicos usando dados. Uma filosofia da física seria pensar o que são dados? O que são fenômenos? O que é provar? Ou poderíamos ir mais além, por exemplo, durante muitos anos se acreditou que a velocidade de um corpo era em relação a terra… Até que alguém parou e percebeu que a terra se move também. Se os dois corpos se movem, existe uma velocidade real? 🤯 Assim surgiu um novo campo da física.</p><p>Mas voltando a filosofia, eu diria que o filosofo é apenas uma criança de 4 anos perguntando os “porquês” de coisas básicas. E quando as pessoas começam a explicar eles começa a fazer outras perguntas até desconstruir argumentos e construir novos argumentos. Por isso que a filosofia é vista como um grande dialogo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*CqV98DuCAt1BLPLhxZpyTA.jpeg" /><figcaption>Essa imagem é o resumo da filosofia clássica.</figcaption></figure><p>Mas nós não estamos aqui para falar de filosofia, mas da filosofia do design de código…</p><h3>O que é Design de Código?</h3><p>Estamos tentando pensar o que é Design de Código, para isso vamos iniciar com uma sugestão:</p><blockquote>Design de Código são Técnicas que diminuem a complexidade do código.</blockquote><p>Na verdade dessa afirmação é verdadeira, mas ela é vaga. Primeiro porque não sabemos exatamente o que é uma técnica. Depois não sabemos definir exatamente o que é complexidade. E por fim, sabemos o real objetivo de se escrever código?</p><h4>O que é uma Técnica?</h4><p>A definição de Técnica é bem complexa. Na realidade, é um assunto que tenho bastante interesse e por isso, se te interessar, recomendo a leitura o livro “<em>The Technological Society</em>” do Jacques Ellul. Eu estou relendo esse livro e fazendo os resumos da minha leitura.</p><p><a href="https://vepo.medium.com/a-sociedade-tecnol%C3%B3gica-t%C3%A9cnica-i-f7d3234b126e">A Sociedade Tecnológica — Técnicas (I)</a></p><p>Se eu precisar resumir o que é Técnica, eu partiria da definição do Ellul de Operação Técnica no primeiro capitulo do seu livro.</p><blockquote>Técnica pode ser definida como qualquer operação, ou conjunto de operações, executada com um determinado <strong>método </strong>com o <strong>objetivo </strong>a ser atingido.</blockquote><p>Baseado nessa definição podemos concluir que o Design de Código é um método e tem um objetivo claro.</p><p>O método não é tão fácil de deduzir, mas quem já estudou engenharia é capaz pensar em um método. Vamos propor um bem simples? Primeiro temos que ter estatísticas, fazer algumas mudanças e verificar o que aconteceu com essas estatísticas. Isso é o que chamamos de iteração, a cada iteração nosso código deve estar mais próximo do seu objetivo que é <strong>não ser complexo</strong>. Quem quiser pensar mais nas estatísticas, recomendo o post do Alberto Souza <a href="https://www.zup.com.br/blog/design-de-codigo-seu-papel-ate-hoje">Design de código: seu papel até hoje</a>.</p><p>O objetivo do Design de Código já está na definição diminuir a complexidade. Mas o que é complexidade? Porque ela acontece? Que tipos de complexidade existem?</p><h4>Porque existe complexidade?</h4><p>Quando falamos de complexidade de software, muitos desenvolvedores tem em mente bibliotecas e linguagens altamente complexas. Isso acontece porque muitos já nasceram em um mundo onde é possível declarar um objeto e dar ordens ao objeto. Mas isso é muito alto nível. Na verdade isso é extremamente abstrato, computadores não sabem o que são objetos e não sabem o que são ordens. Então vamos nos perguntar o que os computadores entendem?</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1022/1*iYUmLLZ-K8aAMxjSPA2yaw.png" /><figcaption>Olha o código da <a href="https://github.com/chrislgarry/Apollo-11/blob/master/Luminary099/BURN_BABY_BURN--MASTER_IGNITION_ROUTINE.agc#L45">ignição</a> da Apolo 11! 😲</figcaption></figure><p>Todo computador vai compreender bits, um conjunto de instruções básicas e alguns periféricos como monitor, teclado, placa de rede. Isso é um computador, uma máquina burra que apenas pega a próxima instrução da memória e executa ela alterando valores no barramento ou registradores.</p><p><strong><em>— Conseguiu entender?</em></strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*Bll0xPCogMSl-LV5nUmoQA.png" /><figcaption>Operação básica que faz nada. Se o processador encontra 01… Faz nada…</figcaption></figure><p>É óbvio que não! Para escrever código era preciso muita compreensão, muita atenção, além de saber decorado que valores estavam nos registradores e todos os comandos que o processador aceita. Era uma atividade extremamente complexa. Quando estudei linguagem de montagens, o professor nos encorajava a construir fluxogramas detalhados sobre a execução do programa. Era preciso antes de colocar o primeiro <em>opcode </em>(entenda como um número para cada operação e alguns parâmetros) ter o desenho completo do que iria acontecer e onde cada informação seria armazenada.</p><p>Percebeu que eu não falei variável? Sim, nem esse conceito existia. O que existia era informação na memória: código de execução, sistema operacional, variáveis, constantes, etc… Quem bom que não precisamos mais disso! Só quem trabalha com IoT e drivers.</p><p>Mas porque eu fiz esse passeio histórico? <strong>Para dizer que linguagens de programação existem para diminuir a complexidade.</strong> Complexidade já existe em software porque máquinas são complicadas e burras ao mesmo tempo. Reza a lenda que Dennis Ritchie desenvolveu a linguagem C porque queria desenvolver um jogo… Bom era isso que falavam na época que eu estava na faculdade.</p><p>A complexidade é acidental em software. Ela sempre vai existir. Sem uma boa linguagem de programação, muito que temos hoje não existiria. Testes de Software não seriam possível de automatizar. Bibliotecas são muito complexas de serem criadas. A compreensão do código é praticamente impossível, leia o código da <a href="https://github.com/chrislgarry/Apollo-11">Apollo 11</a> e observe que há mais comentários do que código. Sem uma boa linguagem de programação a afirmação do Uncle Bob dizendo que comentários são desnecessários é ridícula.</p><h3>Próximos passos</h3><p>Nesse post eu tratei de tudo aquilo que não vou falar mais. O que é filosofia. De onde vem a complexidade. O que é técnica.</p><p>Nos próximos passos vou tentar definir o que é Complexidade.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ffb137cef9c2" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Tecnodicea (ii) — A Tecnologia e a Privacidade]]></title>
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            <category><![CDATA[tecnologia]]></category>
            <category><![CDATA[filosofia]]></category>
            <category><![CDATA[jacques-ellul]]></category>
            <category><![CDATA[técnica]]></category>
            <category><![CDATA[sociedade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 02 Jun 2021 02:11:47 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-06-02T14:41:32.889Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Tecnodicea (iii) — A Tecnologia e a Privacidade</h3><p><em>Nós vivemos em uma era sem deuses, uma era sem magia, com isso a tecnologia se tornou o centro da vida humana. Já temos uma definição do que é tecnologia, sabemos que nem sempre a tecnologia é boa. Mas quais foram os impactos na nossa privacidade? Esse é o terceiro texto de uma série que vai abordar a tecnologia filosoficamente e/ou sociologicamente a partir da visão de um engenheiro.</em></p><p>Ainda em revisão…</p><p>No livro <strong>Os Irmãos Karamazovi</strong>, Fiódor Dostoiévski cria uma história sobre as consequência da falta de moralidade em uma sociedade. É uma obra obrigatória. Você deve ler em algum momento da sua vida, por isso quero ler ela antes de completar 40 anos. Infelizmente na primeira vez que tentei ler, parei um pouco antes da citação máxima do livro, que alias se repete 3 vezes, e não a marquei. O personagem principal, que é um ser repugnante, discorre sobre as consequências da ausência de Deus e de um imortalidade, provavelmente com um conhaque a mão, ele diz que se Deus não existe, não há imortalidade e não há maneira correta de viver.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*Ytv7Jz-VZn6geZXL" /><figcaption>Já viu o filme Sin City?</figcaption></figure><p>Eu não sei o que você pensa sobre Deus, moralidade e alma, mas se lembre que esse livro foi escrito na época da Inglaterra Vitoriana, Czares Russos e eu não tenho a mínima ideia de como estava a França onde o autor morou. Talvez você já tenha associado moralidade com sexualidade, eu não vou falar de sexualidade, moralidade e privacidade vão muito além do que a mera conjunção carnal ou a exposição de um corpo nu.</p><p>Se você nunca parou para pensar sobre o que é moralidade, talvez seja essa um bom momento. Quem tem um código de ética moral, provavelmente sabe dizer o que é privado e o que é publico. Com quase toda a certeza a empresa que você trabalha tem esse código e lá diz que alguns documentos são confidenciais, ou seja, privados.</p><p>Privacidade é a característica que defini algo como intimo ou não. Ela normalmente é uma escala. Cada empresas vai ter documentos estritamente privados, documentos que podem ser compartilhados com alguns clientes e documentos públicos.</p><p>Mas o conceito de privacidade mudou radicalmente nos últimos 20 anos.</p><h3>A Sociedade do Espetáculo</h3><p>No livro <strong>A sociedade do espetáculo</strong>, Guy Debord faz algumas provocações que poderiam parecer alucinações em 1967, mas hoje parecem óbvias.</p><blockquote>“Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo que era vivido diretamente tornou-se uma representação.”</blockquote><p>Algo na essência da sociedade mudou entre 1945 e 1967 e Debord conseguiu descobrir e revelar em seu livro. Mas esse fenômeno também é descrito por Byung-Chul Han em seu livro <strong>Sociedade do Cansaço</strong>. Enquanto a cultura do inicio do século XX incentivava o cidadão a ter ordem e disciplina, a cultura do século XXI incentiva ao desempenho e a excitação.</p><p>Ser bem sucedido não significa mais ter um lar estável, uma esposa/marido e três filhos. Mas conhecer inúmeros países, ter publicações, fazer sucesso nas redes sociais. Somos incentivados a todo momento a ter visibilidade. Temos que mostrar, não importando se pouco vivemos ou aproveitamos aquilo que estamos mostrando.</p><h4>O Espetáculo como modelo de negócios</h4><p>Essa cultura do espetáculo já existia na virada do milênio, mas os ventos do século XXI trouxeram um fator diferente. O que antes fazíamos apenas localmente e em situações especificas, começou a ser globalmente e a todo instante.</p><p>Para e pensa, se antes você queria se mostra um cara descolado e rico, você comprava uma passagem pra Europa e uma máquina fotográfica, tirava umas férias de no mínimo 15 dias para poder ter as experiências para registrar. Depois você tinha que convidar amigos seus para sua casa e durante um churrasco exibir os artefatos produzidos na viagem. Hoje você compra a passagem e o celular, tira as mesmas férias de 15 dias e passa todo o tempo se exibindo e interagindo virtualmente com seus amigos. Muito provavelmente você não irá aproveitar a viagem como antigamente porque não consegue se desligar da outra realidade. No fim não há churrasco, não há eventos, tudo é virtual. Uma eterna competição.</p><p>O caso relatado acima é extremo, mas é o desejo das suas redes sociais. Faça o experimento, abra o Twitter e haverá uma pergunta <em>“O que está acontecendo?”. </em>As redes sociais precisam de sua informação para manter as outras entretidas, você tem que colaborar, não importa como, pois esse é o modelo de negócios delas. Quanto mais tempo você ficar online, será exposto a mais propagandas Quanto mais coisas você compartilhar, maior será o conhecimento que a rede tem sobre você, mais assertivas serão as propagandas.</p><p>Agora, vamos voltar um pouco. Lembra que eu falei que somos uma sociedade excitada? Somos uma sociedade excitada e que se expõe muito na internet. Quando mais exposta for a sociedade e a intimidade de todos, mais favorecerá os modelos de negocios de algumas empresas.</p><h3>Resgatando a privacidade</h3><p>As redes sociais não vão mudar. Mas a sociedade pode mudar. O que aconteceu nos últimos 20 anos, foi que uma rede social procurou mudar radicalmente o que é privacidade. O primeiro passo se deu quando a lógica da comunicação foi invertida, antes Alice mandava mensagens para Bob, mas Carlos só veria se procurasse pelo perfil de Alice ou de Bob. Em um momento especifico, uma rede social inverteu a lógica. Ao Alice mandar uma mensagem para Bob, Bob seria alertado sobre a mensagem, mas Carlos, Daniela, Eduardo, Flávia, etc.. Todos os amigos de Alice e Carlos veriam a mensagem. Até certo ponto, trocas de mensagens, mesmo pública eram protegidas, agora não. Todas as trocas de mensagem são expostas.</p><p>Esse foi o pontapé inicial para que a exposição iniciasse. Com isso tudo aquilo que era privado se tornou público… Você sabe o que isso significa? Você sabe o que é ter prazer em tornar público aquilo que deveria ser privado?</p><p>Bom… Vamos recorrer a outro filósofo. Nesse caso Dany-Robert Dufour em <strong>A Cidade Perversa</strong>. Eu peço que você leia com calma a citação abaixo, sem tomar conclusões.</p><blockquote>Vamos então examinar o que quer dizer “pornográfico”? Em “pornográfico” existe o grego <em>pornê</em>, “prostituta”, e <em>graphe</em>, “escrito”. E “prostituir” vem do latim <em>prostituere</em>, “expor em público”, por sua vez composto de pro, “adiante”, e <em>statuere</em>, “colocar”. A porno-grafia é portanto escrever, ou pôr adiante, ou encenar o que geralmente não é exposto em público. Mas seria tudo?</blockquote><p>Ora, o que ele queria dizer? Ele não está defendendo a pornografia, muito pelo contrário. Ele está dizendo que ela é sintoma de algo muito maior. Nossa sociedade padece de uma falta de valores que se revela na exposição daquilo que devia ser combatido. Quando Karl Marx escreveu O Capital, ele combateu um dos males que eram vergonhosos pra sociedade da época, a exploração do trabalhador. É inocente quem crê que Marx expôs algo novo, a mesma denuncia já estava até no Novo Testamento. Mas qual a diferença? Enquanto Marx escreve, a burguesia perdia a vergonha de ser rica. O que antes era combatido e de certa forma escondido (<em>sim, a luxuria era um pecado pela igreja católica</em>), começava a ser visto com bons olhos. Esse é o conceito de pornografia. É a mesma coisa de sexo. O que antes era mantido em sigilo começou a ser exposto e quem expõe tem mais prazer em expor do que em desfrutar.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/304/0*CXtmqclEJApML3t0.jpg" /><figcaption>Já viu o filme <em>Scarface</em>?</figcaption></figure><p>Esse livro destrincha a mudança de valores que aconteceu no mundo nos últimos… creia… 400 anos! Essa mudança foi gradual. Lenta e gradual. O que hoje temos como nudes e influencers, começou com Pascal e sua relação conflituosa com sua libido.</p><p>Aqui retorno um conceito que já levantei. Devemos ser “otimista tecnológicos” e “conservadores ontológicos”. As tecnologias podem ser muito boas, mas se mantivermos alguns valores, entre eles destaco a privacidade. Mas… no mundo de hoje (<em>se você não está no ano de 2021, espero que esse conceito seja claro pra você</em>) a privacidade precisa ser resgatada. Muitos dos nascido pós 2000, não conseguem entender como ela nos afetam, por isso vamos detalhar um pouco.</p><h3>A Internet</h3><p>Quem teve a sua infância nos anos 1990, teve que assistir muito filme policial dos EUA dos anos 1980. Em muitos desses filmes tinha a declaração de direitos: “tudo que você disser pode ser usado contra você”. Entenda isso como uma máxima! Não existe lei do esquecimento na internet. Por mais que um país legisle sobre isso, isso não existe. As pessoas podem ler e tirar prints. Você pode até falar que estou defendendo quem faz <em>bulling </em>(tem outro termo?). Mas não! Isso é um conselho! Quando estamos somente na frente da tela, não conseguimos pensar quem está do outro lado, por isso limitamos o nosso superego. Damos total liberdade para agirmos, sem pensar nas consequências.</p><p>Mas mesmo que ninguém veja, a internet é uma memória de longo prazo e nós mudamos a médio prazo. O que você crê hoje, pode mudar radicalmente em cinco anos. Se manter conservador ao decidir o que compartilhar não é se opor a liberdade, mas é se precaver.</p><p>A internet consegue exacerbar tudo aquilo que já era pornográfico antes dela. Na música <em>Do the Evolution</em>, do Pearl Jam, isso já era denunciado, muito antes das redes sociais. É a “evolução” da sociedade…</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FaDaOgu2CQtI%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DaDaOgu2CQtI&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FaDaOgu2CQtI%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/e435d673f39814a2639fb2f4b633f1c6/href">https://medium.com/media/e435d673f39814a2639fb2f4b633f1c6/href</a></iframe><p>A falta de reflexão sobre o que é privacidade reflete na valorização de um conflito eterno. Se você se dedica a mostrar mais do que é, o outro também, isso é um ciclo.</p><h3>Conclusão</h3><p>Esse debate pode parecer uma discussão moralista, e de certa forma é, mas devemos voltar ao Fyodor Pavlovich Karamazov. Pavlov era um homem que não nutria nenhum valor absoluto, por isso era controlado pelos seus instintos mais primitivos. Dostoiévski o classifica como o sensual, ou seja, tudo para ele é material, nenhum valor absoluto. E é assim o mundo contemporâneo, a tecnologia tem mudado muitos dos valores que eram intrínseco da humanidade. E mesmo que você não creia em valores intrínseco, você vai crer em valores construidos, vale a pena destruir eles?</p><p>Jacques Ellul tem uma máxima, que a técnica transforma tudo que toca em máquina. O que vemos não são apenas tecnologias, são técnicas sendo aplicadas através de tecnologias. Por detrás de tudo isso existe a ideia da performance… Mas performance de que?</p><p>É por isso que Ellul trabalha em “<em>The Tecnological Society</em>” o conceito da técnica balanceado. A Técnica por si só é uma forma que vai tentar deformar a sociedade em busca de performance. Quem pode combater a técnica? O poder econômico? Mas ele irá agir juntamente com a técnica. As crenças individuais? Elas não tem forças. Só quando uma crença se torna coletiva, é que ela deixa de ser individual e se torna a opinião publica, com isso a técnica é combatida. Uma técnica só pode ser combatida se uma crença individual se tornar opinião pública.</p><ul><li><a href="https://vepo.medium.com/o-que-%C3%A9-tecnologia-e7fb205e08f6">Tecnodicea (i): O que é Tecnologia?</a></li><li><a href="https://vepo.medium.com/tecnodicea-ii-a-tecnologia-%C3%A9-boa-48cf79e2848c">Tecnodicea (ii) — A tecnologia é boa?</a></li><li><a href="https://vepo.medium.com/tecnodicea-ii-a-tecnologia-e-a-privacidade-f099f69d5bc9">Tecnodicea (ii) — A Tecnologia e a Privacidade</a></li></ul><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f099f69d5bc9" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Tecnodicea (ii) — A tecnologia é boa?]]></title>
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            <category><![CDATA[técnica]]></category>
            <category><![CDATA[egbert-schuurman]]></category>
            <category><![CDATA[tecnologia]]></category>
            <category><![CDATA[filosofia]]></category>
            <category><![CDATA[tecnicismos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Osório]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 28 May 2021 11:27:23 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-06-02T02:13:58.915Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Tecnodicea (ii) — A tecnologia é boa?</h3><p><em>Nós vivemos em uma era sem deuses, uma era sem magia, com isso a tecnologia se tornou o centro da vida humana. Já temos uma definição do que é tecnologia. Mas seria a tecnologia boa? Esse é o segundo texto de uma série que vai abordar a tecnologia filosoficamente e/ou sociologicamente a partir da visão de um engenheiro.</em></p><p>Uma das coisas que eu me dediquei a estudar quando tinha 20 e poucos anos foi Blues. Blues é um estilo musical originalmente africano, surgido na África subsaariana, mais precisamente em países que você nunca ouviria falar como a Burkina Faso. E hoje está representando a humanidade fora do sistema solar através da voz de Blind Willie Johnson.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fdzd9Wa3WoTw%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Ddzd9Wa3WoTw&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fdzd9Wa3WoTw%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/0088865f1007c7b7fc9758dd1dfd4602/href">https://medium.com/media/0088865f1007c7b7fc9758dd1dfd4602/href</a></iframe><p>Se você quiser catalogar os estilos musicais dentro do Blues, verá que temos muito poucos hoje. Todas as músicas são bem parecidas, apenas variações do mesmo tema. Mas se você procurar por um termo específico, o Delta Blues, verá que se tem uma variedade de estilos muito grande.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ks7UmThTi7-h5PFXLBgzfA.jpeg" /><figcaption>Mississippi John Hurt e Skip James. Dois gigantes do blues que influenciaram a geração dos anos 60/70 do rock e você nunca ouvi falar deles.</figcaption></figure><p>Delta Blues é a especificação do blues do delta do Mississippi feito até a segunda guerra mundial. Depois tivemos o Chicago Blues, que se refere ao blues feito na cidade de Chicago, depois que houve uma grande migração. Eram os filhos e sobrinhos dos cantores de blues migrando atrás de emprego. Hoje tudo descende do Chicago Blues, uma variante um tanto mais pobre, mas que está muito mais registrada. Se você quiser conhecer essa história magnifica, procure o documentário <a href="https://www.pbs.org/theblues/">The Blues</a> do Martin Scorsese.</p><p>Mas porque eu contei essa história sobre um estilo musical afro-americano? Porque essa história tem elementos muito bons para categorizar o impacto da tecnologia sobre nossas vidas.</p><h3>A Tecnologia pode ser boa</h3><p>Eu gostaria muito de ter contado a mesma história sobre o Baião, mas infelizmente nosso congresso não tinha um funcionário audaz que resolveu registrar todos os estilos musicais do pais com um dinheiro que aparentemente estava sobrando.</p><p>Os EUA devem eterna gratidão ao senhor Alan Lomax, principalmente porque o dinheiro já havia sido cortado. Se não fosse por ele, nós só conheceríamos a cultura erudita que está registrada nos papeis. E se não fossem os papéis e mais as técnicas de registro de música, também não conheceríamos nem a erudita.</p><p>Em outras palavras, se não fosse a tecnologia, estaríamos consumindo apenas músicas os nossos vizinhos, em celebrações locais ou bares imundos. Nossa música passaria por uma seleção simples, feita por pessoas que conhecemos.</p><p>Mas é através da tecnologia que podemos conhecer o mundo sem precisar se aventurar e viagens longínquas. Pierre Lévy em seu livro <strong>O que é o Virtual?</strong>, explica que algumas tecnologias podem mudar as fronteiras da realidade, trazendo o que antes era distante para perto ou fazendo o que é perto distante. Hoje é provável que um adolescente no Brasil esteja ouvindo uma música composta ontem no Japão.</p><p>Esse mesmo efeito aconteceu quando Gutenberg criou sua prensa de tipos móveis em 1439, livros que antes estavam restritos a poucas bibliotecas, começaram a ser divulgados. O conhecimento é democratizado através da tecnologia. Se você nascesse em 1938, era bem capaz de você morrer sem nunca ter aprendido a ler, sem nunca ter ouvido uma música de fora da sua aldeia e sem ter viajado para fora de um raio de 30km do seu local de nascimento.</p><h3>O outro lado da moeda</h3><p>Mas a mesma tecnologia que faz com que o conhecimento seja compartilhado, pode fazer com que ele passe por uma processo de curadoria que nem sempre é bom. Como já disse, antes existiam muitos estilos musicais, mas agora como o jovem de um lugar remoto pode ouvir música de outras regiões, ele será definitivamente influenciado por outras regiões. Assim é bem provável que jovens estejam produzindo música no Brasil, com os mesmo padrões estéticos da Coreia do Sul.</p><p>Esse efeito pode ser apenas um dos efeitos negativos da super exposição de artefatos culturais de várias regiões. Culturais locais estão sendo exterminadas pela cultura de massa de nações ricas.</p><h4>Bumba meu boi no Piauí</h4><p>Quando eu era criança, existia no Piauí a celebração do Bumba meu boi, eu ainda guardo na lembrança a sensação de ter visto, apesar de não saber se foi na televisão ou na rua. Hoje essa celebração é oficializada como a celebração de uma lenda única, mas em 2010, ao participar da Feira do Livro de Teresina, tive o prazer de conversar com Assis Brasil. Foi ma conversa despretensiosa, eu era penas uma alma cansada no calor de 40ºC e ele um idoso, logo procurei uma sombra pra me sentar, com um livro dele em mãos. Ficamos horas conversando, descobri que ele morou na cidade que eu moro, e teve uma hora que ele me relatou que a lenda do Bumba meu boi era única por cidade e que em cada cidade a estética e cerimônia da festa eram completamente únicos. Com a crescente mídia de massa, a festa foi morrendo no Piauí, ficando apenas em algumas regiões do Maranhão, onde o governo se encarregou de preservar.</p><p>Na cultura, esse efeito é conhecido como massificação. É ótimo para os modelos de negócios das gravadoras e grandes empresas, elas deixam de tratar com centenas de artistas. Mas é péssimo para a cultura de modo geral, países perdem sua cultura e a diversidade cultural é reduzida drasticamente.</p><h3>Análise</h3><p>Lembra qual era a nossa pergunta? Se a tecnologia é boa, ruim ou neutra? Não há resposta pronta. Cada tecnologia e cada técnica tem que ser avaliada individualmente, mas precisamos ter em mente alguns fatores muito importante: o tecnicismo e a ideia de controle técnico-científico.</p><p>Antes de parar para escrever esse texto, eu estava lendo um texto sobre <strong>Anders Günther</strong> e sua ideia de tecnologia, nesse texto 2 termos chamaram minha atenção: “Otimismo Utópico” e “Conservadorismo Ontológico”. Outro autor que tenta falar sobre o mesmo assunto é <strong>Egbert Schuurman</strong> em seu livro <strong>Fé, Esperança e Tecnologia</strong>. Schuurman tenta não ser crítico a tecnologia, não coloca sua opinião, ao contrário do Ellul, mas ele crê que temos uma fé cega que ele chama de Tecnicismo.</p><p>O Tecnicismo acontece quando o homem vira prisioneiro da tecnologia, prisioneiro do avanço tecnológico. Um homem só crê naquilo que a técnica toca.</p><p>Quer um exemplo claro?</p><p>As análises econômicas frias e calculistas que vemos todos os dias na televisão. A ideia de um controle da economia através de um método, ou escola, sem se preocupar com os danos humanos. São análises superficiais que não pensam no todo, tratam a economia como uma máquina e não como algo que toca a vida de milhões de pessoas.</p><p>O tecnicismo se baseia na falsa ideia do controle técnico científico. Essa ideia é comum na nossa sociedade. Essa ideia é muito simples e quando eu explicar você vai levar um susto. É a ideia de que podemos controlar tudo através da técnica e da ciência.</p><p>Na verdade a sociedade já deu um passo atrás nessa ideia, mas não percebeu. Se você valoriza produtos orgânicos, você de certa forma já não crê no controle técnico-científico. Mas, infelizmente, nossos burocratas, políticos e a grande maioria creem.</p><h4>A infertilidade masculina e agrotóxicos</h4><p>Não sei se você reparou, mas há um grande número de casais sem filhos nos dias de hoje. No meu grupo de amigos mais próximos, alguns demoraram muito para ter filhos. Eu demorei quase 3 anos. Quando estava com 2 anos de tentativa, resolvi consultar um urologista e entre exames e consultar vem o veredito: sua fertilidade está baixa. Sim, bate aquela depressão. Será que não vou conseguir ter filhos? Quando eu perguntei o que causa isso, a resposta me fez rir, ele simplesmente disse que se soubesse ganhava um Nobel. Na verdade, esse é um problema bem recente que não está bem documentado por dois fatores, o primeiro deles é que homens não procuram médicos e o segundo é porque ninguém sabe o que realmente está acontecendo. Mas entre as recomendações veio: só consuma produtos orgânicos. Poucos meses depois a menstruação da minha esposa atrasa por 9 meses.</p><p>O que essa história pessoal sobre infertilidade temporária pode dizer. Nada, por enquanto. A existência de uma correlação não quer dizer causalidade, porém há uma correlação que precisa ser investigada. O crescimento do famoso <em>AgroBusiness </em>veio acompanhado da diminuição massiva da fertilidade masculina no mundo.</p><p>Com isso eu retomo as duas palavras que lancei, o “otimismo utópico” tem que ser acompanhado de um “conservadorismo ontológico”, nós temos que ter um otimismo em relação a tecnologia, mas devemos ser conservadores em adotar a tecnologia. Devemos investigar todos os efeitos dela em todas as áreas da nossa vida.</p><h3>Voltando ao Blues</h3><p>O movimento Ludista veio como uma resposta a industrialização. Eles queriam quebrar todas as máquinas para que tivesse seus empregos de volta. Antes da industrialização, todos eram artesãos, hoje artesãos são uma minoria mas que ainda existem apesar da industrialização.</p><p>Mas houve um inverno da manufatura com produtos sempre produzidos em larga escala, com os mesmos moldes e nem sempre boa qualidade. A música está nesse inverno, creio que a noite mais longa já tenha passado, mas é muito comum vermos o mesmo molde sendo repetido exaustivamente.</p><p>Quando será que teremos de volta os contextos locais? Será preciso governos decretarem que as rádios devam ter grande parte da sua programação regionalizada? Isso com certeza vai criar muitos empregos! Imagina se todo dinheiro que você envia para cantores famosos norte-americanos, ou coreanos, fosse pra um rapaz de 18 anos extremamente criativo que está a duas ruas de você?</p><p>Esse é uma série feita por um engenheiro, se tiver alguma inconsistência, for favor, entre em contato comigo. Não sou o dono da verdade.</p><ul><li><a href="https://vepo.medium.com/o-que-%C3%A9-tecnologia-e7fb205e08f6">Tecnodicea (i): O que é Tecnologia?</a></li><li><a href="https://vepo.medium.com/tecnodicea-ii-a-tecnologia-%C3%A9-boa-48cf79e2848c">Tecnodicea (ii) — A tecnologia é boa?</a></li><li><a href="https://vepo.medium.com/tecnodicea-ii-a-tecnologia-e-a-privacidade-f099f69d5bc9">Tecnodicea (ii) — A Tecnologia e a Privacidade</a></li></ul><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=48cf79e2848c" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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