Reflexões sobre O que é e Para que servem os “frameworks”

Frameworks são corrimãos, e corrimãos não foram feitos para quem quer voar.

Eu sou fã de frameworks e playbooks. Nos últimos anos, tenho construído diversos, como, por exemplo, na edição mais recente da DealflowBR, falei bastante sobre o meu Playbook de Product-Market Fit ou, nos links recomendados, compartilhei o Playbook do Claude para PMF. No dia a dia, uso frameworks para avaliar oportunidades, mapear mercados, estruturar processos. São ferramentas que escalam o conselho e reduzem o custo de reaprender o que outros já aprenderam.

Mas, sendo honesto, eu mudei minha percepção sobre o uso de frameworks quando o objetivo é algo realmente grande.

Para explicar o que é um framework e sua utilidade no dia a dia, a melhor analogia que conheço é a do corrimão de uma escada. Segurar o corrimão reduz o risco de cair. Você segue um caminho testado, mais seguro, evitando os desníveis, para chegar do outro lado sem problema. Frameworks funcionam assim, sintetizando longas experiências e testes em uma estrutura que você pode usar, sem passar anos aprendendo. Reduzem o custo cognitivo. E, para quem desenvolve, escalam a transmissão de um conselho ou treinamento.

Mas o corrimão te protege do risco, isso é bom para não cair, mas se quiser tentar fazer algo mais arriscado ou mais veloz, como em um Parkour, você não deve usar o corrimão como recomendado.

Em 2016, Kenneth Stanley e Joel Lehman escreveram Why Greatness Cannot Be Planned, um livro que me provocou bastante, e que compartilhei na edição de livros de 2025. O argumento central é direto e confrontou com minha visão até então de frameworks e playbooks no early-stage. Seguir objetivos fixos é um péssimo método para chegar a lugares realmente novos. O progresso em inovação acontece saltando de uma ideia interessante para outra, colecionando stepping stones que, isolados, não se parecem com nada grandioso, mas que juntos levam a algo que ninguém havia imaginado.

O exemplo mais claro é a NVIDIA. Nos anos 90, o objetivo era fazer jogos de tiro parecerem mais realistas. Ninguém estava tentando construir a infraestrutura para inteligência artificial. Mas a matemática necessária para renderizar gráficos 3D, multiplicação de matrizes em paralelo, acabou sendo exatamente a matemática necessária para treinar redes neurais profundas. Não havia playbook para isso. Havia curiosidade, e um mercado estranho que ainda não fazia sentido.

No ambiente de VC, onde devemos buscar retornos assimétricos e oportunidades que serão outliers em dez anos, olhando para trás. Queremos encontrar a oportunidade perfeita, mas o que mais tem são anomalias, imperfeições e arbitragens. Às vezes é difícil encontrar uma explicação, e é preciso estimular o desacordo.

O confronto com a ambiguidade, não a orientação para o planejamento, é um grande ativo no early-stage.

Frameworks são ótimas ferramentas para reduzir risco e complexidade em processos conhecidos. Se você quer descer a escada sem cair, segure o corrimão. Mas quando o prêmio está em território desconhecido, o corrimão te prende ao caminho que outros já percorreram. E caminho já percorrido, por definição, não leva a lugar nenhum novo.

Se você quer construir algo realmente diferente, uma empresa com posicionamento único, um processo que gera vantagem competitiva genuína, um produto que não existia antes, você não pode depender de playbooks ou frameworks como bússola principal. Eles vão te levar a algum lugar. Só não será um lugar novo.

A distinção que tenho tentado praticar é usar playbooks para o que já foi descoberto ou para ganhar contexto rapidamente. Mas é preciso usar a sua curiosidade, intuição e autenticidade para buscar o que ainda não tem nome. O Playbook de PMF que compartilhei não é um destino. É uma linguagem compartilhada para um ponto de partida. As unfair advantages estão em playbooks proprietários, com os ingredientes do seu contexto, do seu mercado, da sua intuição acumulada.

Monthly Recap de Abril/26 | Conversas abertas / notas de campo

Esse texto foi inicialmente enviado na edição Monthly Recap – Abril/26 da newsletter da DealflowBR.

Essas são notas que tirei de conversas com founders ao longo do mês. São conselhos que repeti ou consolidei em calls ou mensagens, e que vale consolidar aqui. Não são teses fechadas, são padrões que tenho observado. Tome com a moderação de sempre.

Sobre envios de updates para investidores

O hábito de mandar investor update regularmente é uma discussão interessante. No geral, eu gosto de quem manda, principalmente quando é intencional e tem algo relevante para dizer. Tenho buscado evitar dizer apenas “mande updates recorrentemente”.

Enviar todo mês updates pode parecer ruído se não tem um intuito. O que eu tenho sugerido:

  • O problema mais comum de enviar periodicamente é quando você para de enviar. Geralmente, porque não foi um mês bom, ou são tantas questões estratégicas que não faz sentido apenas compartilhar aquelas métricas que já não mostram a direção estratégica, ou o template de update não captura essas questões, entre outras questões. Depois de uma consistência de update, sumir por meses alguns vira um sinal no mínimo estranho.
  • A função real do update é menos transparência e mais consistência narrativa. O founder usa o update para revisar em tempo real a história que está sendo construída, e não a história que vai ser fabricada na próxima rodada. Muito investidores olham os updates como forma de diligência de como foram as coisas quando você não está vendendo. Os updates devem contar a narrativa e execução de forma honesta.
  • Penso que duas ou três linhas diretas e personalizadas (baseada na relação e catchups de assuntos), com métricas relevantes, com um ask(se necessário) ou objerivo claro daquele update. Não precisa ser elaborado, mas autentico já é o suficiente.

Invertendo o processo de warm intros

Essa ideia me fez até atualizar o meu texto sobre introduções para investidores. É um ponto sutil dentro do assunto, mas que me trouxe bastante clareza.

Warm intro ainda é uma boa forma de chegar aos investidores, mas existe uma forma de arquitetar para se tornar mais natural e escalável.

O melhor caminho, que tenho recomendado, é inverter a lógica. Em vez de pedir intro para VCs diretamente, peça para alguns dos seus contatos, outros founders e gente do mercado de VC com boa rede, falar de você para investidores específicos. Algo como: “Você conhece o “nome do founder”? Ele está construindo algo interessante pra “mercado/setor”, e deve captar em breve.” Isso de uma forma autêntica, natural e com bom entusiasmo.

Quando seu parceiro fala de você, ele está entregando ao investidor exatamente o que investidor mais quer, acesso e conexão a um deal antes da maioria. Ou, se mais pessoas falarem dessa, você vira o ativo, não um suplicante. Isso pode mudar o tom da primeira conversa por completo.

É preciso fazer com coordenação e em volume, e deixe o efeito e a psicologia de rede sociais fazer o resto.

Asking money vs asking advice

Tenho conversado com alguns founders sobre os dois formatos de approach para uma primeira reunião com VCs, e como cada um abre a porta e direciona a atenção de uma maneira diferente.

O primeiro é asking money – o tradicional “estamos fundraising, vamos conversar?”. Para alguns funciona, mas eu apostaria que não para a maioria. Você chega vendendo a empresa e a oportunidade de uma forma mais direta, e o objetivo é passar pelo filtro convencional de primeira reunião avaliativa do VC. Nesse caso, algumas coisas que ele vai questionar são as de sempre (ajustadas pela filosofia de investimento de cada um), como por exemplo:

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O objetivo é passar do primeiro filtro e gerar interesse (excitação) para a próxima conversa. Funciona quando você tem momentum e tese fortes: números crescendo, narrativa clara, urgência real. Pedir dinheiro de cara é possível e às vezes é o caminho mais limpo.

O segundo é asking advice. Aqui o filtro é mais a ‘vibe’ da pessoa e da troca, e não a oportunidade diretamente. Essa ‘vibe’ que o investidor está medindo tem a ver com curiosidade, honestidade intelectual, coachability, learning agility, likeability. A pergunta dele é: “Essa é uma pessoa com quem eu quero passar mais tempo?”.

É preciso ser autêntico e se abrir para a relação. Quando o founder sai do pitch mode para pedir conselho ou escutar de verdade, ele abre o kimono. Vejo que vários investidores gostam disso. Quando conseguem enxergar a verdade do negócio, eles se engajam mais e se sentem mais seguros com aquela relação.

Existe aquela máxima de “peça dinheiro e vai ter conselho, peça conselho e vai ter dinheiro” é real, mas é mais complexo que isso. Na prática, dá para planejar de uma forma estratégica para construir as relações e desenvolver tratos de founders fundraiser: como se conectar e nutrir a relação de forma humana, e ao longo do processo o founder entregar momentum, senso de urgência e tese para fechar pelo lado de captação. Os dois modos têm seus benefícios e juntos são mais poderosos.

Acho que o objetivo do founder é que, seja qual for o approach, (e para o investidor é encontrar alguém que) passe pelos dois filtros.

Monthly Recap de Março/26 | Conversas abertas / notas de campo

1) Perguntei a um GP, de um dos principais fundos Seed do Brasil, dado o cenário mundial de concentração dos VCs, “como vencer sendo um fundo do Brasil, investindo somente na região, ante fundos maiores e globais, com grandes marcas e grandes cheques?”.

A resposta trouxe uma visão interessante, que corrobora com o que tenho visto. Os dois pontos que ele colocou foram:

  1. A proximidade humana e cultural com o founder é uma vantagem que esses grandes fundos não conseguem replicar aqui. Na era de AI, o investimento muitas vezes é para formalizar o relacionamento, não porque o founder precisa do dinheiro, mas porque você tem convicção nele. Vai ser necessário investir na obsessão dele e em sua capacidade de entregar.
  2. Entendimento e profundidade cultural e de mercado é uma barreira real. Fundos early-stage de fora, sem um sênior latino no time localmente, têm um “missão bem crua”. Ele precisa sinalizar a aposta local e construir reputação e acesso, geralmente, se apoiando em outros gestores daqui.

Meus comentários:

O ponto 1 é algo que tem ficado na minha cabeça. O momento de oportunidades de IA tem criado muito ruído e confusão. Toda oportunidade tem um deck bem polido, um produto novo de IA e toda a narrativa de uma nova era em transformação. É confuso, mas no momento em que a oportunidade fica clara, já é tarde demais. O que os melhores founders mais buscam do investidor é a convicção. Então, como investidor, é preciso ter convicção mais cedo e investir quando a incerteza é alta. E para ter essa convicção cedo, o foco da análise precisa migrar do “O quê” o founder está construindo para o “Por quê” ele está construindo. O produto pode ser replicado, o deck gerado pela IA, mas a obsessão do founder pelo problema, a sua motivação real, não pode. Isso é cada vez mais o sinal que separa os deals que importam.

2) O clima de valuation no Brasil:

Tenho visto dois padrões para precificação de rodadas anjo/pre-seed, bem dispares no mercado.

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https://carta.com/data/state-of-pre-seed-2025-full-report/

Usando como referência de métricas de valuations de rodadas de SAFE Pre-seed do relatório da Carta, alguns founders estão conseguindo levantar rodadas em montantes e valuation próximos ou acima das medianas globais. Do outro lado, vejo founders com dificuldade de fechar a rodada esperada, ou fechando com valuations próximos ou abaixo do lower quartile.

Alguns padrões:

Para as empresas acima da mediana, alguns fatores que tenho discutido e notado para essas oportunidades:

  • São founders e founding team com teses de IA e com a IA na cultura e na operação (desenvolvimento, velocidade e foco).
  • A velocidade e o momentum são chave aqui. Adoção de clientes, lançamento de produtos e features e crescimento de métricas que representam o PMF.
  • Os investidores desse tipo de rodada geralmente têm alta convicção, principalmente no time e na tese, e, a partir disso, um fator importante é ter clareza sobre a probabilidade desse time levantar uma rodada subsequente. Geralmente, esses founders, além de velocidade, têm bom network e acesso a bons recursos (VC, talentos e redes de conexão), seja porque já construíram a rede no passado como founders, ou como (co-)investidor de VCs.

Em resumo, velocidade para gerar momentum, bom networking com VC e uma boa tese criam um sistema de FOMO que retroalimenta a demanda e valor pela oportunidade.

Para as empresas abaixo da mediana, eu vejo que:

  • Geralmente são empresas boas, mas que estão em teses menos quentes, ou menos requisitadas pelos VCs.
  • Quando a tese não ressoa ‘quente’, gera a incerteza ao investidor em relação ao potencial de mercado e potencial de expansão de múltiplo. A conversa de fundraising fica travada ou entra em uma discussão de valuation.
  • A velocidade de crescimento não acompanha a expectativa que o mercado está vendo em IA. O caminho natural acaba sendo rodadas menores para gerar tração e provar a tese antes de buscar um round maior.

Meus comentários:

No fim, o preço é dado pelo mercado. A minha visão é que, nesses dois mundos, não há necessariamente uma empresa melhor que a outra, mas sim perfis de risco diferentes. O estágio anjo/pre-seed é o de maior upside e de maior incerteza. Como mencionei no ponto anterior acima, é preciso ter convicção para entrar cedo nos investimentos que se tornarão mais quentes.

O fato (ou a crença) de existir um “cap” (ou teto) de ganho para alguns tipos de oportunidades no Brasil faz com que cada oportunidade tenha seu preço.

Os Melhores Livros que Li em 2025

Esse ano eu li completos 12 livros, se não estou perdendo as contas, e outras dezenas que comecei e descontinuei.

Agora, nesse fim de ano, refletindo nos livros, quero compartilhar e comentar dois que as ideias mais me marcaram, e acredito que os leitores aqui vão gostar também.

Foram eles:

The 15 Commitments of Conscious Leadership (Link Amazon)

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Por que eu gostei?

É um dos melhores livros que já li sobre liderança, pois traz bastante do lado mais introspectivo da liderança, de estar presente (mindfulness). O livro traz em 15 compromissos como se tornar um líder mais consciente e intencional. O próprio autor confirma que nenhum dos compromissos foi desenvolvido por eles. Ele apenas consolidou, clarificou e aplicou esses conceitos de outros estudiosos e autores, fazendo sentido para aplicação no dia a dia de um líder.

Alguns dos capítulos e compromissos que mais me fizeram pensar e internalizar para aplicar no dia a dia são:

  • 2) Aprendendo através da curiosidade (vs. Querer estar certo): Neste compromisso, os autores explicam que a raiz de todo drama na liderança é a necessidade biológica e egóica de ‘ter razão’, uma postura defensiva que o cérebro confunde com sobrevivência. O ponto central é que a verdadeira evolução acontece quando substituímos essa rigidez pela curiosidade genuína, permitindo-nos escutar e nos conectar de forma mais vulnerável. Essa postura é extremamente relevante no ambiente de constante aprendizados e testagem como de VC e Startups. Vejo interações com founders que, ao receberem uma indagação ou contraponto, reagem instintivamente tentando provar o ponto que estão certos, às vezes até com rispidez, em vez de buscarem na curiosidade se conectar melhor e entender a nova perspectiva. Apesar do nosso usual contexto de se apresentar (pitch) e se vender, ir do ‘provar’ para o ‘aprender’, eliminaríamos o combate desnecessário e ganhariam insights valiosos que nos bloqueiam.
  • 4) Franqueza Radical (Speaking Candidly (vs. Segurar a verdade). Ser radicalmente honesto as vezes desafia a noção comum de que ser um bom parceiro é evitar o desconforto. Nesse capítulo, os autores apresentam que ser cândido reside na interseção entre verdade, abertura e autoconsciência, comunicando o que é ‘incontestável’ (pensamentos, sentimentos e sensações) sem projetar julgamentos no outro. Para mim, em VC, isso é o que define realmente o conceito de ser Founder Friendly: não é sobre dizer o que o founder quer ouvir para manter a harmonia, mas ter a coragem de ter as conversas difíceis e necessárias, seja sobre a necessidade de um reset de valuation, a necessidade de venda ou o fechamento da empresa. A verdade tem mais valor no longo prazo que o conforto. A aplicação prática não é estremecer ou abalar, mas sim ‘dizer a verdade da forma mais amorosa possível’. 
  • 8) Atuando na Zona de Genialidade (vs. Zona de Competência/Excelência). O conceito de ‘Zona de Genialidade’ propõe que os líderes devem migrar das atividades em que são excelentes (que executam bem, mas que consomem energia) para aquelas em que possuem um dom único e o tempo parece desaparecer. Essa distinção, aprofundada no ótimo livro The Big Leap de Gay Hendricks, é vital para a sustentabilidade da liderança, pois permanecer na ‘Zona de Excelência’ é uma armadilha que leva ao burnout. Tenho meditado no tema nesse último ano, buscando arquitetar minha vida para priorizar onde mais gosto e sou melhor. É como Naval Ravikant diz, encontrar “o que parece divertido para você, mas que para os outros parece trabalho”. Com isso, se torna muito mais fácil entrar em estado de Flow, não só o bem-estar aumenta, mas a qualidade e o impacto das minhas entregas se tornam exponencialmente maiores do que quando estou apenas ‘me esforçando’.

Why Greatness Cannot Be Planned – The Myth of the Objetive (de Kenneth Stanley e Joel Lehman) – (Link da Amazon)

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Por que eu gostei?

Esse é um livro sobre inovação, de 2016, que provoca que, se formos levados pelos nossos interesses e ideias que consideramos interessante, sem seguir um objetivo estabelecido, é a forma fazer algo novo e grande de fato. Isso pode parecer meio bullshit de coach inspiracional, mas acho que tem uma mensagem importante e profunda de buscar a autenticidade e o “interessância” (Interestingness) como guia que nós temos.

Infelizmente, a cultura empresarial exige o contrário desses conceitos. Mas tive alguns poucos líderes com esse mindset, e consigo relacionar essa ideia com alguns projetos na minha carreira. Sempre que seguimos a zona de genialidade(como mencionada no livro anterior) e interesse dos membros da equipe, e a curiosidade, sem um objetivo claro do início, consigo recordar pontos de chegada muito interessantes e relevantes para esses projetos. 

O autor coloca que o progresso em inovação é geralmente feito saltando de uma ideia interessante para outra. É preciso colecionar esses degraus (stepping stones, como o autor coloca) para encontrar o grande tesouro. Esses degraus que levam a uma inovação ou algo grande, não se parecem com a invenção final. Existem milhares de exemplos claros, como, mais atual, a própria NVIDIA, que não tinha interesse em criar cérebros artificiais poderosos com GPU, o objetivo nos anos 90 era fazer jogos de tiro e fantasia parecerem mais realistas, com a demanda de gráficos melhor para jogar Doom, Quake ou Call of Duty. Na década passada, pesquisadores de IA descobriram, quase por acaso, que a matemática necessária para renderizar gráficos 3D (multiplicação de matrizes) é exatamente a mesma matemática necessária para treinar Redes Neurais Profundas (Deep Learning).

É uma boa provocação porque a cultura empresarial, e até mesmo o financiamento científico e o currículo escolar, exige o contrário.

Algumas lições e reflexões para o dia a dia de VC e Startups:

  • No ambiente de VC, onde devemos buscar retornos assimétricos e oportunidades que serão outliers em dez anos, olhando para trás. Queremos encontrar a oportunidade perfeita, mas o que mais tem são anomalias, imperfeições e arbitragens. Está fora do consenso e, portanto, às vezes é difícil encontrar uma explicação, quando não parecemos um idiota ou maluco. Então é preciso estimular o desacordo, e nos comprometermos (disagree and commit). O confronto com a ambiguidade, não a orientação para o planejamento, é um grande ativo no early-stage.
  • Em um mundo de criação cada vez mais voltada para as medianas e conteúdos sintéticos, o que nos faz estranhos, esquisitos e únicos é nosso diferencial competitivo.
  • Para trabalhos criativos e novos, não é sobre planejar o destino, mas planejar como será a exploração. Confiar na curiosidade e no nosso gosto para nos guiar até lá.

FOMO e benchmarks de valuations

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Esse gráfico da Carta ajuda a orientar como olhar para os próprios gráficos da Carta. Ele mostra que 2/3 dos investimentos com top 10% de valuation nos EUA estão sendo feitos em San Francisco e NY. Se olharmos para o meio do gráfico, próximo da mediana de valuation (50th pct), essas duas regiões representam apenas 20%. Como referência, Bay Area e NY contam por cerca de 40% dos deals nos EUA. O Peter Walker, Head de Insights e autor da análise, compartilhou alguns pontos de vista sobre essa leitura, na visão dele.

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Mas isso me trouxe outra reflexão sobre valuation, na ótica de um investidor da região, para quando e como olhar para esses reports da Carta:

  • Vendo que os deals que representam os 10% maiores valuations nos EUA estão, em sua grande maioria, nessas duas cidades. Junto a isso, entendo que o valuation de uma empresa, dado pelo mercado, deve refletir seu potencial de saída. Isso é importante ter em mente quando olhamos para esses dados. Nesta semana, no evento da EVCF, gostei muito da fala do Shu Nyatta (founder da Bicycle Capital) quando, perguntado sobre valuation, disse algo mais ou menos assim: existem empresas em que o valuation, em early-stage ou growth-stage, importa — e outras em que não. Por exemplo, Google nos anos 2000, Facebook no começo da década de 2010 e, para muitos, OpenAI nos últimos anos, não importava. Nubank e Meli, na nossa região, são exemplos em que não importava tanto. Essas empresas estão em categorias e mercados gigantes, com efeito de rede muito grande.
  • Isso para dizer que o potencial de retorno está muito baseado no TAM — como bem colocado na Investment Letter da Spectra em 2024. Empresas de SF, principalmente, nascem no berço das principais e mais bem-sucedidas empresas de tecnologia, jogam um jogo global, com capital dos principais fundos e talentos. Então, talvez o valuation de muitas delas não importe.
  • Agora, em empresas com uma oferta ou categoria com segmento específico, que limita o potencial, o valuation importa. Para essas em que importa, o patamar deve estar mais próximo das medianas, ou até abaixo, para fazer sentido para o investidor ou para a oportunidade de investimento. E está tudo bem. Ainda é possível criarmos grandes empresas, mas é preciso reconhecer limites e vieses.

É sempre bom ter essas referências, como as da Carta, mas precisamos questionar a dinâmica e olhar os dados com profundidade. Primeiro, se estamos buscando a Lei de Potência, o playbook ou benchmark de valuation não vejo funcionar, pois, como coloquei, “não importa” tanto. O Brasil é capaz de criar Nubank, Meli e outras que estão tomando forma, mas tem um volume menor de oportunidades e uma dinâmica de mercado local, própria. No corpo da curva de distribuição de retornos, se fizéssemos o recorte global dessa análise da Carta para Brasil ou LatAm, as medianas de deals do Brasil ainda deveriam ser bem diferentes desses números.

Inflexão é quando o Crescimento alcança a Narrativa

Como investidores estamos sempre buscando oportunidade de Inflexão, que é quando a Execução alcança a Narrativa.

Esse é um post inicialmente escrito na minha newsletter de edição DFBR #51 com notas de um texto que li sobre narrativas para empreendedores. Nesse texto destilo aqui minhas reflexões e insights sobre o assunto:

Acredito que já é convenção que é papel do CEOs transmitir o progresso e as promessas de uma startup. Não só para investidores, mas para todo mundo, e essa amplificação da narrativa tem cada vez mais importância no ambiente de Venture Capital hoje em dia.

Mas, começando sobre o processo de captação de investimento, o autor segrega como existindo três tipos de narrativa de pitch em um processo de fundraising, e o que elas comunicam:

  1. Narrativa: o que a inflexão poderá ser
  2. Inflexão: sobre os segredos descobertos
  3. Tração: sobre o passado e capacidade de execução, mas que ainda falta alguma história sobre o futuro.
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É cada vez mais claro que a narrativa tem um papel extremamente relevante no processo de construção de empresa. Em mercados incertos como de Venture Capital, a narrativa tem mais relevância e sentido. É difícil comprar a narrativa em mercados extremamente tradicionais ou ultrapassados.

O autor coloca de uma forma bem interessante a relação da narrativa com os múltiplos de valuation. Empresas com a mesma receita tem múltiplos valuation sobre receita tão diferentes. Trata-se, muitas vezes, da narrativa do que aquilo poderá se transformar no futuro, geralmente em termos de performance.

Essas novas narrativas geralmente giram em torno de aspectos como: a 1) ampla dinâmica do potencial de resultados do produto, 2) o potencial de LTV futuro, 3) novas avenidas de crescimento e 4) “plataformização” e efeitos de rede, e outros ‘loops’ de dominação de mercados. A narrativa que vejo que mais funcionam estão conectadas com visão de mercado e estratégia de produto.

Ainda nessa linha de múltiplos e valuation, o autor sugere uma comparação bem interessante da alavancagem da narrativa como relação de Preço/Lucro(Price/Earning ou P/E) de uma empresa. Então, nessa perspectiva, investidor avalia o valuation(preço) da empresa em relação ao seu lucro. Uma empresa com um múltiplo de P/E maior quer dizer que a empresa terá um crescimento e lucro maior no longo prazo para encontrar a atual expectativa lá na frente ou então que, a partir da entrega do esperado, renove narrativa e mantenha o múltiplo alto. Para isso, ela precisará demonstrar um bom ROIC, ou seja, que está alocando o capital de forma que esteja trazendo bons retornos.

No longo prazo a expansão de múltiplo se torna menos relevante para a jornada de geração de valor de um negócio. A narrativa no primeiro momento é capaz de gerar valor para o negócio ao expandir os múltiplos de valuation. Ela atua como forma de vender o sonho ou a opção do investimento que terá retorno no longo prazo. Porém, para o médio e longo é preciso demonstrar crescimento e margens acima da média. (Your Growth Strategy Depends on Your Starting Point – BCG)

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Tesla e Nubank, para mim, são empresas de narrativas excepcionais nas suas épocas, acompanhada de uma execução que atende muito bem essa alta expectativa, com forte crescimento que alcançam essas expectativas, por isso seus múltiplos seguem altos e renovados. Com isso, também, ao longo do caminho a confiança na execução e no time é algo que cresce exponencialmente. Do outro lado extremo e contrário, empresas que tiveram grandes fraudes e corrupção, se torna muito difícil reverter a percepção, o que é apresentada nos múltiplos.

Sobre execução, eu gosto muito da definição que o Eric Santos, CEO e Cofundador da RD, cita que não significa você apenas fazer, mas sim comunicar que o padrão de entrega e de execução para garantir o que foi prometido. E, se todos entenderam, poderão esperar por aquilo.

Essa relação da narrativa em relação à expectativa é bem interessante, não só apenas para múltiplos de mercado, mas também para recrutar talentos, aproximação de clientes e coordenação interna.

Capital é um recurso para reduzir o risco das empresas e criar uma vantagem competitiva. Quando há grande liquidez e oferta de recursos de Venture Capital, esse tipo de recurso se torna menos escasso que outros. Por exemplo, talentos e desenvolvedores brilhantes, ou adquiri clientes, tem sido algo mais difícil, e maiores bloqueadores do sucesso das empresas, que captar investimentos.

Então, a narrativa hoje deve ser aplicada, e talvez focada, para outras atividades que envolvem alto risco para cumprir as expectativas. É um recurso de extrema importância para reduzir o risco de uma empresa, e não apenas um artefato para múltiplo de valuation.

Lembrando, narrativa é o papel o CEO, e ele tem que usar a seu favor, de forma holística deve utilizá-la como alavanca de reduzir os riscos da empresa seja pessoas, marca, vendas, capital etc…

Esse texto é cheio de insights sobre o assunto. Link do artigo.

Para aprofundar, recomendo ler:

Estratégias de produto em IA: desafios, PMF e o poder das plataformas

Nesta semana, eu escrevi um novo post na Astella sobre as estratégias de produto em IA e o cenários de batalhas nesse ambiente. Combinei algumas ideias do que tenho estudado e conversado com founders, além do report sobre os impactos da IA.

No texto, falo sobre estratégia de produto, diferenciação e a ameaça que vem da infraestrutura e das plataformas.
Sobre a ameaça das plataformas (LLMs), li recentemente este texto de um ex-funcionário da OpenAI, que mostra como funciona a empresa por dentro. Apesar da percepção de flop do GPT-5, a OpenAI está desenvolvendo muitas coisas ao mesmo tempo, com recursos abundantes. Isso reflete muito da cultura e da forma como essas empresas operam — liderando o ciclo de IA no Vale do Silício.

Lendo o relato, fica clara a velocidade e a inovação, com um viés para executar e construir, com diversos squads e teses desenvolvidas em paralelo, às vezes até competindo entre si. Parece haver milhares de startups pre-seed dentro da OpenAI, aguardando um comitê de investimento do round seed.
O texto traz muitas referências e informações interessantes, como o CODEX (feature para desenvolvedores da OpenAI), criado em apenas 7 semanas. Além disso, mostra o stack de tecnologia usado pela empresa.

Embora hoje seja mais fácil para todos desenvolver código ou aplicações, esse ciclo mostra como será difícil competir. Mas conto alguns caminhos no meu post na Astella.

Discussões interessantes sobre PMF em IA

A Bessemer lançou um report sobre o Estado das Empresas de IA, estabelecendo um novo benchmark para o arquétipo de crescimento das empresas no ciclo da IA, com as “Supernovas” e as “Shooting Stars”.

Esse slide mostra alguns dados dessas empresas:

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“Se o T2D3 (triplica, triplica, dobra, dobra, dobra) definiu a era do SaaS, então o Q2T3 (quadruple, quadruple, triple, triple, triple) reflete melhor a trajetória de cinco anos que estamos observando nas AI Shooting Stars atuais. Essas startups crescem significativamente mais rápido do que o SaaS tradicional, mas ainda operam mais próximas dos benchmarks de SaaS do que das explosivas AI Supernovas.”

artigo é bem completo e traz informações relevantes de direcionamento estratégico para founders nesta nova era. Recomendo reservar um tempo para leitura.

Ainda não consigo identificar uma empresa que seja uma Supernova em nossa região. Essas empresas geralmente são globais, oferecem infraestruturas/plataformas (como Anthropic e OpenAI) e possuem GTM bottom-up, voltado para desenvolvedores e perfis tech-savvy que já usam IA no dia a dia. Porém, acredito bastante que podemos ver Shooting Stars em áreas como Vertical SaaS e Enterprise SaaS saindo do Brasil.

Hoje, a realidade do early-stage no Brasil se assemelha mais ao cenário descrito neste post do CEO/Cofounder da ChartMogul. Isso condiz muito bem com o que temos observado: quando o PMF acontece, ele tende a ser cada vez mais explosivo. Já vi empresas irem de 0 a R$ 100k em poucos meses, mas ainda é um desafio enorme para a maioria.

Como mostra o gráfico abaixo, nos últimos anos a proporção de outliers que atingem US$ 0–1M de ARR em até seis meses vem aumentando. Porém, dentro de dois anos, menos empresas conseguem atravessar as barreiras de US$ 100k ou US$ 500k de ARR.

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Também em modelo de negócios, a dinâmica da unidade de crescimento muda. A margem bruta foi um tema bastante comentado no universo de IA e VC nas últimas semanas.

Vi investidores destacarem isso sobre soluções de agentes de IA: “Pela primeira vez na história do SaaS, o custo marginal de adicionar um novo usuário não é quase zero.” Esse é um desafio do Business Model Product-fit. A captura de valor deve superar o custo de entrega e, de preferência, ganhar escala ao longo do crescimento da base de clientes. O relatório da Bessemer que mencionei acima também ressalta esse ponto, mostrando como algumas empresas que estão crescendo muito rápido apresentam margem bruta negativa.

Com forte adoção dos usuários, os modelos de receita têm se mostrado insustentáveis para algumas soluções. Este texto explica o desafio da Cursor com precificação e margem. Isso pode fazer parte de uma estratégia da empresa para dominar o ponto de controle dos desenvolvedores e depois expandir para outras plataformas. Porém, esse se tornou um cenário competitivo, com soluções de LLMs como Claude Code e CODEX da OpenAI oferecendo alternativas similares. Abordei um pouco desse desafio no ambiente competitivo atual no post mencionado acima.

Indo mais a fundo na cadeia de valor da IA, este tweet mostra, de forma sarcástica, os desafios dessa indústria, que ainda está em fase de investimentos e queima de caixa, financiada por Venture Capital. Enquanto isso, os avanços e custos de processamento precisam chegar a patamares sustentáveis para viabilizar os modelos de negócios dessas empresas. O autor do tweet sugere alguns caminhos.

“The Sure Thing” e o Predador de Oportunidades

Este artigo do Malcolm Gladwell — autor de livros como Blink e The Tipping Point —, publicado na New Yorker em 2010, é uma leitura valiosa. Gladwell descreve padrões compartilhados por empreendedores de sucesso extremo. O texto me fez refletir sobre a importância da capacidade única de cada founder e investidor — o que alguns chamam de earned secret — sobretudo na alocação de capital em oportunidades com grande assimetria de retorno e na exploração de janelas de arbitrariedade.

“He moves decisively. He repeats the good deal over and over again, until the opportunity closes, and—most crucially—his focus throughout that sequence is on hedging his bets and minimizing his chances of failure. “

Aqui tem um ponto importante e o mais interessante sobre a visão do autor: Não é sobre tomar mais risco, mas sim sobre ter uma posição financeira acumulada e uma perspectiva única do jogo que está jogando. São como predadores, que não querem correr risco enquanto estão caçando.

Ele descreve mostra que, em determinado momento, esses empreendedores realizaram uma transação que lhes proporcionou enorme acúmulo de capital e, consequentemente, uma posição estrutural privilegiada para acessar novas oportunidades. A partir daí, buscam negócios em que percebem divergências de valoração: identificam quando o vendedor subvaloriza o deal ou supervaloriza o que lhes está sendo vendido. Munidos dessa visão única e contrária — e, da sua posição, sem assumir riscos — avançam decididamente para fechar novos negócios.

Essa dinâmica está diretamente ligada a ineficiências de mercado e janelas de arbitrariedade: à medida que mais players percebem a oportunidade, o retorno tende a diminuir.

O paralelo com Venture Capital é claro, também. Ter sucesso exige conhecimento profundo sobre uma arbitragem específica e disciplina e convicção para explorá-la até o ciclo se encerrar — para então partir para a próxima janela. Por isso, é fundamental manter abertura e agilidade para observar diferentes tecnologias, mercados e modelos de negócio e, assim, surfar as melhores ondas.

Me traz essa reflexão: Qual é o seu earned secret, e qual janela você está observando agora?

Padrões e sinais em VC

Ótimas análises da Blume Ventures, gestora de VC na Índia, no seu report Omega Files. A seção que traz Signals and Patterns é especialmente interessante, destacando padrões dos investimentos que tiveram os maiores retornos (MOIC) em seus fundos.

Alguns insights relevantes da apresentação:

  • Empresas que atacaram mercados com baixa competição tiveram os melhores retornos, seguidas por aquelas que competiram contra grandes players consolidados. Já mercados altamente fragmentados geraram os menores retornos.⁣Image
  • Empresas que pivotaram e passaram por uma “near death experience” tiveram retornos superiores.Image
  • Para alcançar retornos maiores, é preciso mirar um TAM maior do que o nicho inicial.
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  • Mas antes, as empresas de maior sucesso começaram atacando um nicho antes de expandirem para um TAM maiorImage
  • Por fim, talvez o mais difícil de acertar: o “timing”. First Mover Advantage vs. On-Time Arrival. Chegar um pouco depois, mas na hora certa, pode multiplicar o retornoImage

O relatório completo traz muitos outros dados interessantes para quem gosta de estudar padrões (como eu). Vale a leitura.

Notas sobre uma análise do volume de funding nos setores do Brasil nos últimos cinco anos

Analisando volume de funding nos diversos setores do Brasil entre 2019 e 2024, fiz uma divisão entre rodadas menores que US$ 10 milhões e maiores que US$ 10 milhões. Essa separação traz insights relevantes sobre o ranking de cada perfil de investimento no país e a progressão dos diferentes setores para o late-stage.

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  • Principais insights:
    • Fintech domina o investimento no Brasil, com cerca de 40% do total do funding, tanto no early stage quanto no late stage, com ampla vantagem sobre os demais setores.
    • Healthtech é o segundo setor com maior volume de funding em rodadas menores que US$ 10 milhões, mas cai para a oitava posição em rodadas maiores.
    • Agritech e Edtech têm forte apelo devido ao potencial do Brasil e às oportunidades evidentes, mas ainda não consolidaram uma tese que justifique uma maior concentração de capital.
    • Proptech, Energia e Logtech são os setores que mais ganham relevância quando se trata de concentração de capital em rodadas maiores ou late-stage. Diria que são setores característicos do Brasil, com problemas estruturais significativos e forte correlação com o PIB.
    • Deep tech e IA já têm um papel relevante em rodadas maiores.
      • Se considerarmos apenas 2024, Deep Tech já aparece entre os quatro setores mais relevantes em rodadas menores que US$ 10 milhões.
  • Notas finais:
    • Isso não é uma recomendação de investimento, mas uma análise para refletirmos sobre oportunidades em cada setor. Vale lembrar que ser contrarian (e estar certo) é onde estão os maiores ganhos.
    • Por fim, um ponto importante: o ideal seria analisar esses dados por coortes anuais ou bienais, para entender a evolução da maturação do funding de um estágio para outro e como os setores progridem ao longo desses ciclos.