A Liberdade de Poder

Sentindo na pele a importância do empoderamento negro e sua manifestação no meu dia a dia


    Ao longo do meu processo de autoconhecimento pessoal e também como mulher negra, venho me aprofundando meus conhecimentos com tudo que venho vendo. Vou empoderando meus pensamento e minhas criticas e avaliando toda e qualquer manifestação que seja de maneira opressora em relação minha negritude.

Estou conhecendo o que e ser empomderada na “pele”

  Aos poucos fui valorizando meus cabelos crespos e após colocar minhas tão desejadas tranças percebi uma pressão por manter meu cabelo sempre muito arrumado e impecável, não que estivesse realmente desarrumado, mas por aparentar ser legitimamente negro.   Foi aí que vi de perto a importância do empoderamento, que se empoderar e dar poder e ter esse poder de não ter medo de ser livre e expressar a realidade de quem realmente é.

”Eu digo o que a liberdade significa para mim; não ter medo”

Nina Simone

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”Foto de 2016.Adoro ela. A raiz dos meus cabelos está a mostra, assim como alguns cabelos brancos.
Eu gosto de mostrar o que para muitas é feio ou desleixo.Existe uma pressão para refazer as tranças assim que os primeiros cabelos teimam em ficar visíveis, só seguindo a natureza do fluxo. Eu não cedo.Não sou uma boneca ou plástica e tampouco me envergonho dos meus cabelos crespos.Essa foto era para uma revista e fui refazer  as tranças.Quando me perguntam se eu vou refazer por conta da raiz, eu respondo: qual o problema em aparecer? São só meus cabelos.”💓

Empoderamento e ter consciência de sua ação e saber quando você age mudam coisas que estão no âmbito coletivo”

Nataly Neri

 Pode parecer que não, mas essas pequenas opressões fazem algumas diferenças em nossas vidas e atitudes de modo negativo .Meu posicionamento foi de questionar e não acatar as pressões para ter um visual que agradasse  e assim pude enxergar a manipulação que as vezes vem em forma sutil como um elogio, mas acaba nos deslocando de nossa verdade, fazendo que rejeitemos aquilo que nos pertence. Vamos então entender que empoderamento e feito dia-dia saindo de um indivíduo e influenciando quem está a sua volta. Então temos um coletivo empoderado que permite a cada um ter a sua liberdade.

Marchando para o poder

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Grupo Agbara Obinrin

Domingo foi o dia da Marcha do OrgulhoCrespo, cheguei logo cedo para a concentração e ainda não havia começado as movimentações, mas encontrei um grupo de meninas composto por Adriana Rolin, Luiza Loroza, Tatiane Henrique, Lilian Tavares, Glauce Pimenta Rosa e Luana Vitor, ensaiando uma apresentação antes da saída da marcha chamado Agbara Obinrin ( que em yorubá significa “força mulher”), as meninas encenaram uma apresentação chamada,  “Ei,Mulher” , que é o mesmo nome de uma poesia composta por Adriana Rolin, que tem relação com sua vida pessoal.

 A apresentação foi linda e emocionante, antes da saída da marcha todos pararam para ver e ouvir os dizeres daquela poesia, que o próprio nome já se entende que, é um chamado para o emponderamento da mulher.Ao final um gesto simbólico e emocionante que todas as integrantes fizeram foi tirar seus turbantes e balançar seus blacks mostrando seu orgulho crespo a todos, diante disso era cativante ver a emoção de Adriana Rolin ao final da apresentação, que não conseguiu segurar as lágrimas.

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As Negras se apresentando

Logo após podemos ouvir um rap cantado por três das integrantes do grupo “As Negras” que fizeram uma ótima rima, dando uma pegada de atitude e empoderamento a marcha, tive a oportunidade de entrevistar Jucylene Martins, e ela nos falou um pouco da importância da Marcha do Orgulho Crespo, ela diz que; “o significado para mim e muito grande e muito gratificante estar aqui eu luto contra o racismo, o racismo está muito grande, isso me orgulha muito,isso me motiva a fazer musica[…]Porque se a gente não pode falar eu posso cantar através da musica eu posso me expressar meu sentimento, expressar minha cor, expressar minha melanina, e uma coisa que eu tento lutar, a coisa não está preta o mercado não e negro, mercado de preto não e preto, o racismo reverso e uma coisa que muitos brancos usam para nos atingir a gente dessa forma, a gente quer conquistar nosso lugar tanto com a musica e palestra, a gente tem que trazer a informação, não deixar esse elo quebrar.Somos negras somos fortes para qualquer coisa eu tento transparecer isso na musica.  

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Após estas apresentações a marcha se inicia e  todos nós seguimos rumo a Praça Mauá onde se encontra a Feira Preta, e juntos carregamos a faixa do orgulho crespo e também uma faixa em homenagem aos meninos de Costa Basto, vitimas de uma chacina, foi uma caminhada cantante e dançante onde pessoas que passavam se integravam-se a marcha e então fomos todos a praça nos empoderando de nossos blacks e africanidades mostrando a todos que estamos a luta e vamos continuar resistindo para combater o racismo.

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Do Preto o que é do Preto para o Preto

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Sábado foi um dia e tanto para o Rio de Janeiro que recebeu pela primeira vez um grande evento que é a Feira Preta, e nosso Black não poderiam ficar de fora então fomos ver o que tem de mais interessante do afro-empreendedorismo, que tem foco no empreendedor negro e em seu produto, além de ser voltada para nós o público negro, que podemos encontrar um mercado pensado para nós.
      Perguntamos a organizadora do evento Adriana Barbosa sobre a importância da Feira Preta para o empreendedorismo negro e sua primeira exposição no rio. Ela diz que “aqui no Rio tem uma efervescência cultural negra muito forte e um contexto com o empreendedorismo também muito forte por conta de muitas redes de afro-empreendedores, então estar aqui na Praça Mauá um território do samba um território que é de preto com a Feira Preta e muito simbólico e especial e como se eu voltasse há 15 anos e começasse na Praça Benedito Calixto em São Paulo”. E ela finaliza dizendo “redescobrimos um novo espaço”.

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Chad e seus produtos

Comecei pelo Alquimista de Chad, que nos traz produtos naturais voltados para a estética negra, tem xampu/sabão, óleo de coco entre outros muitos produtos desenvolvidos pelo próprio Chad. 

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Meninas da Anjus cabelereira

E conhecemos também a simpaticíssima Elcy Machado da Anjus Cabeleireiros e me encantei com os ouriçadores incríveis que não consegui resistir e levei um comigo.  

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Odara

Na exposição de Odara, conheci o empreendedorismo familiar, uma exposição que se iniciou há apenas oito meses, traz consigo um trabalho personalizado e detalhado das peças, brincos da marca Odara traz uma nova pegada na moda afro.

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koky Alimentos

Quem gosta de doce? Eu amo! Brigadeiro então nem se fala. Agora um doce com gosto de doce, gostoso como doce, e que não te engorda!!!Acho que e difícil resistir, e toda essa doçura que falo eu encontrei na exposição do KOKY Alimentos, eles fazem brigadeiros de uma forma mais saudável, são doces criativos e funcionais, eu experimentei e realmente são uma delícia.

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Negafulò

Não posso me esquecer da exposição de bonecas feitas artesanalmente pela Negafulô, trocamos figurinhas de como fazer o que se ama é satisfatório, ela com suas bonecas e eu com meu Black.

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Dryca

E a simpática Dryca que me mostrou sua exposição de brincos afros e me indicou brincos que combinavam comigo, não resisti e tanto aconchegos e levei dois brincos.

Também tem a interessantíssima exposição de IBEJÚ que nos traz produtos de limpeza artesanais e orgânicos, onde encontramos vários produtos de limpeza para o  seu lar e que não agride a natureza e nem sua saúde.

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Ibejù

Ai que fofura que são as crianças do  Crespinhos SA, que fazem parte de um projeto de emponderamento infantil, e fizeram uma bela apresentação no evento. Colaborar e trabalhar desde a infância o emponderamento negro em crianças e um dos mais importantes ferramentas para lutar pelo fim da desigualdade racial.

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Crespinhos S.A

Eu não nasci Negra

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Vamos falar de Consciência Negra, esse dia que politicamente é marcado pelo sentimento de dever e moralidade do governo Brasileiro para com a população negra, mas esse não é o ponto mais importante, a Consciência Negra vai além disso, vem para fazer com que o negro possa ser negro em uma sociedade baseada em padrões europeus.
Vou contar minha história para vocês entenderem melhor.
Eu sou negra, minha pele é negra, meu cabelo é crespo e meu nariz é largo, mas eu não cresci negra!!!!
Isso foi algo que acabo de descobrir porque minha infância e adolescência eu não tive influências negras e não bastava ser afastada da cultura negra, era a mim imposta a padronização europeia que persiste até hoje na sociedade brasileira.
Logo nos meus primeiros anos de escola um fato marcou essa desvalorização do negro, minha pele negra “não era cor de pele”, pois existia um lápis de cor cujo o nome era “cor de pele”, essa cor era de “pele clara” os desenhos de todos da classe eram do mesmo tom. DETALHE ISTO ERA VISTO COMO NORMAL.
E antes mesmo da adolescência eu era submetida a procedimentos de alisamento de cabelo porque o padrão obvio era cabelo liso, isso acabou com meu cabelo que natural era muito lindo, mas eu não enxergava isso porque quanto mais negro mais feio então isso prejudicou ele. Sozinha escondida cortei meu cabelo, como não sabia cuidar dele decidi escova-lo para e não embaraçar e mantê-lo preso em um coque e os fios da frente eu fazia uma trançanagô (que é meu xodó e uso até hoje) para que pudesse crescer pois não achava bonito e nem sabia fazer penteados. Era a maneira que encontrei de protege-lo até que ficasse grande porque era meu sonho ter um cabelo comprido e crespo.
  A minha consciência negra veio aos poucos quando cheguei ao Rio, onde estou sendo eu mesma, NEGRA, foi aos poucos com toques das pessoas, dicas de como me arrumar, me impulsionaram a soltar o cabelo e usar um Black, coisa que nunca tinha feito na vida e essas atitudes me trouxeram algo que estava congelado, minha autoestima.
Então quando falamos em Consciência Negra, não apenas comemoramos um dia para pensar no negro e sim uma data especial para a expressão da cultura africana em cada um de nós, respeitar nossas características sem criar estereótipos. E outra, dizer que na verdade precisamos de um dia de consciência humana é mais uma maneira de ignorar a luta dos movimentos negros que buscam a igualdade racial que hoje ainda não foi alcançada.
Eu sou um desses exemplos, que somente aos 20 anos comecei a me ver como negra, e depois de analisar a real importância deste dia entendi que não e fácil lutar por algo que persiste por mais de 500 anos que é o racismo incorporado no pensamento crítico.

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Oi, eu sou a Lu!

Olá, meu nome é Luciene de Mello, mas pode me chamar de Lu. Criei este site com o intuito de divulgar um pouco do meu lado estudantil e profissional agora já graduada, além disso me mostrar através de crônicas e poesias. 

Sou nascida e criada no estado de Minas Gerais, e me mudei para a capital do Rio de Janeiro em meados de 2015. Com muitos sonhos em mente, vim em busca de trabalho e estudo, e em 2024 concluí meus estudos e sou Jornalista. 

Antes mesmo de ingressar no ensino superior, passei pela experiência de criar meu primeiro blog pessoal, chamado Black Prensante. Nele eu abordo muitas descobertas da minha identidade negra e consegui identificar habilidades instintivas como jornalista em meio ao processo.

Ao longo dos anos, fui conhecendo novas áreas e me interessando, trabalhei como redatora freelancer no universo dos esportes, em sua maior parte sobre futebol. Apesar de gostar e assistir futebol desde a adolescência não me imaginava trabalhando na área, até ter a oportunidade é realmente um novo prazer na área do jornalismo. 

Me enriqueci muito nesses anos tanto pessoalmente como profissionalmente, agora parto para outra jornada, que todos poderão acompanhar pelo meu site. Obrigada a todos pelo carinho.

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