Sexta Feira 13 – Novo Testamento

Está tudo bem? não!

Deveriam ter perguntado anos atrás. 

Quando fugi.

Rejeitada antes mesmo de ter um nome

Tendo uma alma por décadas sendo adoecida.

O corpo não mais suporta o peso da mente.

Nunca tive o direito de ser fraca.

As palavras horríveis que ouvi.

Sozinha desde sempre, agora para todo sempre.

Chorei a ponto de ferir meu rosto.

Agora não choro mais.

Ainda me chamam de egoísta.

Se eu sobrevivi, foi porque eu me escolhi.

Suicidaram me, mas irei renascer mesmo que por teimosia

Finalmente meu primeiro aniversário distante de quem sempre me odiou, antes mesmo do meu nascimento. 

Que o inferno a tenha.

Chorei lágrimas de sangue. 

Podem me intitular como uma bruxa, o que quiserem. 

Não poderão mais me fazer sangrar mais do que anos e anos em silêncio.

Não guardo mágoas,  mas a cultivo.

Mais de três décadas de feridas abertas.

Só a justiça divina poderá intervir.

Bruxa! Era o que aquele olhar dizia.
Que me cercou por três décadas.
Meu primeiro aniversário distante de quem sempre me odiou.
Nunca de fato comemorei minha existência.
Não era suficientemente encorajada a estar viva.
Se eu sobrevivi, foi porque eu me escolhi.
Hoje celebro.
Aprendi na dor a desenvolver meu próprio amor.

SALMO 333

Ignoram minha presença,existência até não me terem mais.
Sou força e autenticidade, não aturo abuso e não abaixo minha cabeça.
Que fiquem mudos aqueles que maldarem o meu nome.
Aos olhares tortos, a cegueira, não merecem apreciar minha rara existência.
Meu brilho será para quem valoriza a luz e brilhará junto comigo.
Terá meu respeito quem me respeitar.
Minha presença, quem souber valoriza-la.
Minha escuta quem souber ouvir minha voz.
A temporada acabou, quem me conhecia, não conhece mais.
Sou como uma poesia quente, ardente em chamas, que luta para sobreviver contra a austeridade.
Irei queimar e deixar marcas em quem se atrever a me parar ou podar.
Eu sou livre, e é com essa liberdade que vou lutar.
Fadada ao inferno na terra, continuarei indo contra as expectativas.
Honro meu nome com gratidão, energia e bênção.

DIVORCIO I

Esse ano eu me decepcionei de uma maneira avassaladora e cruel, descobri que tive meus direitos corrompidos, mais um deles nesse mundo que rejeita mulheres como eu. Fui descredibilizada e insultada, mesmo seguindo o script do que dizia ser o certo. Não sei se foi porque tomei consciência ou a carga de muitos anos pesou sobre meus ombros e me fez enxergar.

Pessoas que admirava e tinha respeito, vi nelas a covardia humana, a cumplicidade com o que é errado e apenas discursos vazios. Covardes. Em outro âmbito, e desde o ano passado, minha terapeuta já havia me alertado sobre tal amizade, mas eu ignorei e insisti. Fui quebrada novamente até que finalmente CHEGA! Eu disse chega. Mesmo que internamente tudo vá ocorrendo ou corroendo aos poucos. A culpa é minha, eu fui conivente, pois não me afastei no primeiro sinal de alguém que não gostava de mim e sim de uma ideia projetada pelas suas inseguranças, uma hipótese.

Talvez eu não estivesse mais aqui se eu não encontrasse um pouco de esperança nas cartas do baralho cigano e na astrologia. Já fui julgada, e até ofendida por agora colocar para fora aquilo que me guiou a mais de dez anos, quando percebi que a religião é uma falácia. Somente esse ano eu me dei conta, que mesmo distante de qualquer religião estava manifestando minha espiritualidade, independente de quaisquer centro.Ser racializado te faz sentir raiva todo dia, agora sinto por ser espiritualizada e enxergar coisas que vão muito além no convívio terreno.  Coisas que as religiões escondem. Você é do seu próprio DEUS. Um ser livre sem amarras. Apenas com o compromisso de fazer o bem, nada mais.

Ainda não fui curada da doutrinação religiosa, mas me protejo dela. Foi tão decepcionante, que não confio em amizades, empregadores, parentes,  talvez apenas três ou quatro pessoas eu deposito confiança. Não aceito presentes como desculpa. Talvez eu nem aceite as desculpas.  Simplesmente eu suma.

Para que não reste dúvidas,  a espiritualidade sempre fez parte de mim. Eu busco a liberdade de poder me isolar daqueles que não me fazem o bem. Apenas o silêncio como companhia. Eu não vou dar explicação a desconhecidos. Eu não tenho que perdoar ou pedir perdão ao nada, ao ausente.

Como faz para mudar o DNA? Não faz sentido em minha cabeça e coração carregar um laço eterno com quem me despreza. Será que é o suficiente estar ligando somente pela conexão de alma com aqueles que me amam de verdade? O que faz sentido em uma vida de dúvidas e sofrimentos?

O verdadeiro retrato do Rio não tem uma bela vista da praia

Eu sou mulher, eu sou jovem, eu sou preta, eu sou pobre, quem me assalta são os empresários e os políticos.

Me mudei para o Rio de Janeiro a dez anos atrás, ouvi, “-você vai morrer!” quando dei a notícia. Essa é a impressão que todos de fora tem. Uma cidade altamente violenta, mas ela não entra nem na lista das dez mais perigosas do Brasil, mas não é isso que quero reforçar.

O Rio de Janeiro, capital e baixada são realmente perigosas, mas de onde vem esse perigo? Nem Governador esse estado possui de verdade, a capital tem um prefeito festeiro, mas não é dele a função de segurança, ele mesmo com sua carioquice recheada de palavrões vai ao twitter lembrar sempre disso. Onde quero chegar? Por qual motivo venho falar disso agora?

Ontem, dia 19 de outubro de 2025, o Flamengo enfrentou o Palmeiras pelo topo da tabela. Estava em um péssimo final de semana, adivinha o motivo!? Dois episódios nacionais de racismo (Taís Araújo e Érica Bispo USP). Para salvar esse final de semana, acendi uma vela, e orei pela vitória do meu clube. Vitória conquistada, para mim a única nesse fim de semana. Achei que tudo iria melhorar, mas não. Logo soube da tentativa de assalto ao meu jogador favorito que estava junto de sua esposa grávida. Quatro homens e dois fuzis, foi o que sei até agora.

Lamentável, mas as pessoas agem de forma diferente por tentarem assaltar o principal jogador do Flamengo e continente. Isso é fato, e está explícito nas redes.

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Minhas tristezas foram duas, uma por ver Giorgian passar por isso com sua família, e outra foi uma das frases da Camila. Ela está certa, mas não me contive em comentar algo. Aqui segue os dizeres;

Camila Bastiani desabafou.

Infelizmente, nós, cidadãos do Rio de Janeiro, tentamos “nos manter vivos” quando saímos de nossas casas e digo isso porque dia a dia saímos à rua, mas com medo. Porque a vida aqui não vale nada, porque há mais armas do que pessoas, porque você encontra um fuzil a cada esquina e porque se te matam, você é só mais um.

Infelizmente, hoje tentaram nos assaltar ao sair do Maracanã, apontaram para nosso carro com duas armas, o que nos salvou foi que nosso carro é blindado e que tentamos manter a calma. Apesar de termos passado por um momento de merda, damos graças a Deus que foi só um susto e chegamos bem em nosso lar.

O que me chamou atenção foi a segunda frase: “Porque a vida aqui não vale nada, porque há mais armas do que pessoas, porque você encontra um fuzil a cada esquina e porque se te matam, você é só mais um.

Então, não consegui me segurar, pedi mil desculpas. Felizmente ainda não viram, espero que não veja no puerpério, não é mentira quando digo que lhes amo. Segue minha resposta;

Quero pontuar uma coisa após ver este post de. A 2°  frase me pegou, o Rio vale muito pra quem já chega rico, e o fuzil que vê em cada esquina provavelmente pertence aos seus vizinhos milicianos. Lamento o acontecimento e espero que recupere logo seu emocional. Camila ( que carrega nosso lindo sobrinho e Giorgian, meu jogador favorito) e querida torcida do Flamengo. Eu compreendo por completo o acontecimento, mas não quero deixar de passar essa mensagem. Ressalto que somente a segunda frase me pareceu equivocada. Não quero que se acostumem com isso ou vejam como normalidade, até pq tbm não sou daqui, mas vivo de um jeito bem diferente.

Desculpa,  mas meu SER politizada não me deixa abandonar minhas visões e opiniões por amor, pois é o que eu sinto por vcs.  (texto levemente corrigido pelos erros de portugues que acontecem online).

Então, agora vou complementar minha opinião, ao invés de só responder um post. Quando cheguei ao Rio, umas das impressões que tinha, acho que hoje ainda tenho, e que normalizam a barbárie. Eu amo essa cidade, que tem lá seus muitos defeitos, mas me ensinou muito em vários âmbitos. Me mudar para qualquer lugar era uma necessidade, vir ao Rio foi uma escolha, que não me arrependo.

Acho que nos resta ser mais profundos, núcleo da terra para se resolver esse problema do Rio. Vamos questionar;

  • De onde vem esses fuzis, que até onde sei é exclusividade do exército?
  • Por qual motivo a população é viciada em votar errado?  
  • Por qual motivo os ricos/apresentadores/empresários só se manifestam quando acontece algo com eles ou do interesse deles? Sempre temos pautas a serem discutidas?

Tenho/temos muitas perguntas mas quero finalizar repetindo que destaquei o início;

Eu sou mulher, eu sou jovem, eu sou preta, eu sou pobre, quem me assalta são os empresários e os políticos. Eu nasci rejeitada por essa sociedade em que vivo, quem aponta o fuzil para mim é um homem fardado. Quem rouba meu dinheiro é um herdeiro, que se intitulou empresário e não paga meu FGTS e parcela do décimo terceiro em dez vezes, sendo que eu ganho de bruto por mês é menos de um salário mínimo. O Rio é o paraíso para quem é RICO.

Que pena

Imagine um pássaro jovem, que tem suas penugens leves, como dentes-de-leão quando se soltam e voam ao vento lentamente. Ele caminha na condução do ar, seja para qual lado for, mas algum momento para, ou é parado. A sua leve peninha vai aos poucos caindo, e enquanto está no ar, apenas admiramos e muitas vezes não nos damos conta de sua fragilidade.

Você parece sempre certa
Mas me consome com sua falta de compreensão
A balança está desequilibrada
Não posso ceder eternamente
Quando eu for, talvez nunca volte
Na memória sempre viverá
No meu coração desocuparei de mágoas
Sua rigidez me feriu como aço
Seu aconchego ficou desconfortável
Acho que acabou
Não queria aceitar esse fim
Da mesma maneira que não aceita estar errada
Nada vem do nada
Como tijolo que aos poucos se constroi moradia
Como tijolos, também se pode construir um muro
Divide
De praxe, diferenças inconciliáveis
Será mesmo!?
Ou apenas eu estou a tentar
Desgastante!
Meu corpo, minha alma, minha consciência rejeita teu ser em prol de mim mesma
Não posso me matar por você
Talvez o Adeus esteja próximo.
Se a amizade permanecer, daqui para frente é uma garantia que não será a mesma.