terça-feira, 25 de novembro de 2025

O Som ao Redor (2012)

 

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Como tantos outros, assisti esse filme com a minha mãe, e é sempre muito interessante que um vai notando coisas que o outro não nota, e ao meu ver, isso engrandece a experiência do filme.

"O Som ao Redor" tem como personagem principal um bairro de classe média alta no Recife, e vai desenvolvendo a trama com os moradores e funcionários do lugar. Duas família desse bairro recebem mais atenção, a família "rica" do Francisco, que é dono da maioria dos imóveis da rua, e usa isso pra ganhar respeito. A outra família é a família de Bia, que tem 2 filhos e um marido que mal aparece no filme. Todas as casas do bairro tem empregadas, e sempre que elas aparecem tem um papel importante. Como a empregada de João que conta que é empregada da família a mais de 30 anos, como se fosse algo normal, e a empregada de Bia que leva um esculacho porque queimou um aparelho sem querer. No final das contas é uma grande crítica ao capitalismo, mas principalmente à classe média. 

O som que mais incomoda Bia é o som do cachorro da vizinha, que late o tempo todo gerando desconforto na família, por isso, ela fica o tempo todo tentando solucionar esse problema. O som que incomoda a família do Francisco é o som daqueles que vem de fora, que não são de família rica e não tem poder, e é notável que sempre que o filme mostra a casa dos mais ricos, não tem nenhum tipo de som, porque a classe social deles não os prejudica.

Além disso tudo, tem os seguranças da rua, que chegam para controlar a criminalidade no bairro, já que é um lugar com muitos prédios e casas, mas pra isso precisam falar com Francisco, já que ele é considerado dono da rua, por conta de seu poder aquisitivo.

No final das contas o Francisco é um rosto muito familiar para os seguranças, mas pra Francisco são apenas funcionários, como quaisquer outros. Como a empregada, o Reginaldo e o Antônio.

Retratos Fantasmas (2023)

 

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O documentário já me ganhou no primeiro segundo, quando começa a tocar "Happy End" do Tom Zé, bom demais! 

Esse me parece ser um projeto que serve como carta de amor ao Recife, as memórias e aos cinemas. Em todos os filmes do Kleber Mendonça Filho ele traz coisas dessa cidade, e sempre de uma maneira muito legal. É interessante também notar as referências que ele traz. Recentemente assisti ao "O Agente Secreto" filme do mesmo diretor, e lá tem o personagem do Seu Alexandre, que trabalha no cinema São Luiz. Pra mim esse documentário engrandece o Kleber, porque não é fácil se arriscar em algo tão diferente do habitual no mundo do cinema, mas esse cara acertou demais.

Eu gosto dessas obras que trazem tanto a identidade do diretor, e essa aqui mais do que as outras faz isso, principalmente porque o personagem principal dessa história é a memória do Kleber, que me parece ter um peso maior do que a cidade na trama.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Propriedade (2022)

 

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Um filme que aborda um tema atemporal que é o direito da terra. Trabalhadores que estão na propriedade a 30 anos cuidando para que tudo funcione da maneira que deve funcionar, e simplesmente de um dia pro outro, a moradia e a vida desses trabalhadores é ameaçada.


A trama gira em torno disso, e até onde esses trabalhadores conseguem ir para ter o direito daquela terra, porém, a trama vai rolando e vai te cativando cada vez mais, é um baita thriller. O filme funciona como crítica e como um experimento do gênero, esse suspense e tensão que é construído.


Minha experiência foi de pura tensão, fiquei tenso com o que ia acontecer com a protagonista, apesar de não ter ficado com dó do dono da fazenda. O diretor constrói bem essas cenas de tensão, envolvendo bem o espectador. Me lembrou muito os filmes do Kleber Mendonça Filho, inclusive Daniel Bandeira já trabalhou com ele, então com certeza ele bebe um pouco do suco das obras de Kleber.


Gostei de como a obra se inicia e como se encerra.

domingo, 23 de novembro de 2025

Falsa Loura (2007)

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"Sou um contratado avulso, assim como a senhora"

Silmara é operária, trabalha incansavelmente para se sustentar e sustentar seu pai, porém ela sonha com o luxo, riqueza e sucesso, algo que ela nunca conseguiu conquistar. Em dois momentos do filme ela acha que alcançou seu objetivo, mas a realidade sempre bate na porta.

Esse filme é diferente de qualquer outro que eu já assisti. As breguices e as caricaturas funcionam aqui de um jeito legal. Ótimo trabalho do diretor em contar essa história com até mesmo citações de Sócrates.

A cena final de Silmara entrando na fábrica com os cabelos ao vento simbolizam a fragilidade daquela mulher durona e forte.

Crítica curtinha mas acho que valia a pena vir pra cá

 

O Pagador de Promessas (1962)

 

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É a igreja contra a fé. Um homem simples do interior que fez uma promessa pra Santa Bárbara para salvar seu burro da morte. Chegando lá ele é barrado de entrar na igreja pelo padre, porque a promessa foi feita para Iansã. Mas o Zé do Burro tinha um objetivo, entrar naquela igreja de um jeito ou de outro.

O Deus que Zé acredita é compreensivo, está presente na umbanda e no catolicismo, porque afinal Deus é Deus. A igreja não vê as coisas desse jeito, tem preconceitos enraizados há anos. A igreja não vê Deus da maneira que é contada na própria Bíblia. Isso é presente na sociedade até hoje.

Em 2025 ainda existe essa contradição da igreja, e me parece que as coisas não vão mudar.

Zé consegue entrar na igreja, morto em cima de uma cruz, carregado pelo povo. Ao meu ver a história de Zé é uma analogia a história de um outro cara ai que deu a vida pela galera.

Se Jesus voltasse hoje ele seria morto e chamado de comunista, assim como o protagonista da história do filme

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Trabalhar Cansa (2011)


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O capitalismo é o maior mal da humanidade. É notável como esse sistema abala a Helena e o Otávio, um sem emprego e a outra com um mercado que só dá prejuízo. Só que o interessante aqui é a diferença de classe social da Helena e da Paula, que está trabalhando como diarista na casa, recebendo um salário mínimo e tendo que morar no serviço, algo que infelizmente é comum.


A mãe de Helena comenta

“Adoro serviço doméstico, me relaxa” 

mas implica com Paula porque o prato não estava bem lavado, e que ela tinha que lavar de novo. Apesar de aparecer pouco, a personagem da mãe de Helena representa a classe média capitalista, que se sente no topo do mundo e não tem consciência de classe.


Dona Helena, como é chamada pelos seus funcionários, está desesperada pelo lucro, já que o provedor da família perdeu o emprego, porém, ela não consegue lidar com a situação de gerenciar um negócio. Quando a umidade aparece na parede, Helena ignora. Além disso, acusa um funcionário de ter roubado mercadoria, sem ao menos ter provas. Pra piorar, ela revista a bolsa da sua funcionária para que ela possa ir pra casa.


O filme passa uma sensação de desconforto, porque é notável que está tudo fora dos eixos. Helena trata mal os funcionários e está completamente abalada com tudo, e como que a Helena vai pagar toda essa galera?.


“Trabalhar Cansa” é uma obra anticapitalista que mostra a luta de classes de maneira sublime. Um mundo onde devemos liberar nosso macaco interior para sobreviver a “selva” do mercado de trabalho.

Os Fuzis (1964)

 

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"Viemos manter a ordem"

"Um monte de gente passando fome e vocês vindo falar que está tudo em ordem?"

O primeiro filme do cinema novo que eu assisto, e é um dos clássicos. Uma cidade pobre e miserável, onde não chove e consequentemente, não tem comida. 

"Tem fome, tem fé, mas falta milagre"

Um lugar tão pobre que um pai acha aceitável vender a filha, e outro pai tem que enterrar a própria criança porque morreu de fome. Tudo muito cru e cruel, mas o diretor sempre deixa claro que a cidade está sempre rezando, em todos os momentos.

No início do filme tem um diálogo que mostra muito sobre o que tudo aquilo significa

"Se tivesse serviço, a gente continuava aqui"

"O único serviço que tem aqui é orar"

Além de tudo tem todo o enredo dos soldados, que foram pra lá fardados, com seus fuzis, se alimentando todos os dias, vindo pra trazer a ordem, enquanto todos ali passam fome. E um soldado mata um homem, querendo acertar um cabrito

"Cada macaco no seu galho, não pode entregar uma arma dessa pra qualquer um"

Talvez a frase mais contraditória do filme.



O Som ao Redor (2012)

  Como tantos outros, assisti esse filme com a minha mãe, e é sempre muito interessante que um vai notando coisas que o outro não nota, e ao...