INCAPACIDADES FÍSICAS DECORRENTES DA HANSENÍASE EM POPULAÇÕES INDÍGENAS DO ESTADO DO TOCANTINS, 2015 A 2025
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i11.31773Palavras-chave:
Hanseníase, População indígena, Deficiência física, Estudos de séries temporaisResumo
O estudo objetivou analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal das incapacidades físicas decorrentes da hanseníase em populações indígenas do Tocantins, no período de 2015 a 2025. Realizou-se um estudo ecológico e de série temporal utilizando dados do SINAN, avaliados por regressão de Joinpoint. Foram notificados 122 casos, com predominância de formas multibacilares (85,2%) e expressivo comprometimento neural já no diagnóstico (42,6%), achado compatível com detecção tardia. No período global, a taxa geral de detecção manteve-se estacionária (AAPC = 0,10%), apesar de apresentar inflexão decrescente entre 2017 e 2025 (APC = -24,78%), cenário compatível com a persistência da transmissão nas aldeias. Adicionalmente, verificaram-se fortes assimetrias espaciais na incidência acumulada do período, com destaque para a região de saúde do Médio Norte Araguaia (2.160,46 casos por 100 mil habitantes no período; média anual de 196,41/100 mil hab.). Embora tenha ocorrido redução estatisticamente significativa nos registros de incapacidades iniciais ao longo da série — o que pode refletir tanto captação mais precoce quanto variações operacionais na avaliação e notificação —, 24,6% dos pacientes concluíram o tratamento sem avaliação neurológica final, sugerindo importantes fragilidades operacionais no acompanhamento. Conclui-se que a elevada carga da doença persiste, sendo urgente qualificar o exame neurológico e reforçar as ações de busca ativa adaptadas aos desafios geográficos e socioculturais das comunidades indígenas.
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