Adoro quando acontece dessas: ver um dos meus filmes favoritos no meu cineminha favorito da cidade.
Asfixiante e exaustivo, Cassavetes é implacável: tem pouco tempo para relaxar nas mais de duas horas e meia de Uma Mulher Sob Influência. Sempre me...

Adoro quando acontece dessas: ver um dos meus filmes favoritos no meu cineminha favorito da cidade.

Asfixiante e exaustivo, Cassavetes é implacável: tem pouco tempo para relaxar nas mais de duas horas e meia de Uma Mulher Sob Influência. Sempre me surpreende o quanto eu esqueço desse filme, mas eu acho que a culpa é da Gena Rowlands. Não que ela roube toda a atenção do filme, mas porque ela está trabalhando em tantos níveis aqui que, mesmo que Cassavetes esteja dirigindo à altura, a gente se perde no rosto dela. Na forma como o olhar dela foge e busca por alguma ajuda, algum conforto.

Ao mesmo tempo, filmes de ator assim têm o risco gigante de parecerem uma jaula, em que uma grande atuação está presa em uma direção contida, comportada, que não quer chamar tanta atenção para não roubar o brilho da atuação central. Não aqui: Cassavetes faz a gente enxergar o colosso que é o trabalho de Rowlands, e faz sua ausência ser sentida em todo o momento. É um retrato poderoso daquilo que é mais amedrontador na humanidade: tudo aquilo que não conseguimos compreender um ao outro plenamente, por mais que a gente tente desesperadamente se expressar. Mabel precisa de ajuda, mas todos ao redor são incapazes de perceber de que ajuda, e de que carinho, ela precisa e procura. Ao mesmo tempo, ninguém está disposto a ver que Nick, também, precisa de ajuda — ou sequer que há algo de errado em como ele está reagindo a como ele esfarela a vida das pessoas ao seu redor.

Que filme colossal. Muitos outros filmes depois desse tentam traduzir a incapacidade de um casal de se comunicar na totalidade que a gente gostaria em um relacionamento. Muitos outros tentam explorar a figura misteriosa de uma mulher enjaulada na vida alienante do subúrbio. Nenhum deles alcança a profundidade de Rowlands pedindo ao pai para apoiá-la, em um jogo de palavras tão bonito, e tão desesperador em como não é compreendido. Uma atuação tão cheia de grandes gestos e dos menores suspiros.

Tá aí um bom objetivo de relacionamento: confiar no seu parceiro tanto quanto Cassavetes e Rowlands confiaram um ao outro pra se expor num trabalho tão visceral, e acreditar que o outro vai estar lá para ajudar — ou simplesmente prestar atenção, e enxergar com cuidado.

perfectquote

“Find meaning. Distinguish melancholy from sadness. Go out for a walk. It doesn’t have to be a romantic walk in the park, spring at its most spectacular moment, flowers and smells and outstanding poetical imagery smoothly transferring you into another world. It doesn’t have to be a walk during which you’ll have multiple life epiphanies and discover meanings no other brain ever managed to encounter. Do not be afraid of spending quality time by yourself. Find meaning or don’t find meaning but “steal” some time and give it freely and exclusively to your own self. Opt for privacy and solitude. That doesn’t make you antisocial or cause you to reject the rest of the world. But you need to breathe. And you need to be.”

Albert Camus, from Notebooks, 1951-1959

Passei a madrugada sem dormir (longa história), então resolvi voltar pro Tumblr, dar um tapa no visual do blog e voltar a linkar meu domínio aqui. Querendo ou não, o Tumblr me inspira a escrever. A dashboard é cheia de bobagens, mas cheia de coisas lindas também. Como eu não ando escrevendo muito (outra longa história), qualquer faísca de criatividade é bem vinda, e dessas a dash do Tumblr tá cheia.

Que dia de derrotas foi hoje.

É estranho. O dia em si foi legal. Minha casa tá muito bem organizada, o que me deixa feliz, e meus pais vieram e me visitaram e minha mãe fez um monte de marmita pra mim, o que foi legal.

Mas primeiro, que eu tô sem internet desde ontem à noite. A provedora veio aqui, disse que o problema era na rua, e ficou por isso mesmo. Estou até agora esperando uma solução. Provavelmente vou ter que trabalhar usando o meu plano de dados móveis amanhã também. Eu sequer consegui ver o Nintendo Direct! Tive que ler sobre depois (muitíssimo empolgado pro “renascer” de Ocarina of Time, estranhíssimo não termos um Mario no primeiro ano do Switch 2, mais sobre isso essa semana).

Segundo, que meus Joy-Con estavam sem bateria, então consegui fazer só uns 10 minutos de exercício no Ring Fit Adventure – eu não pude sair pra caminhar porque tava esperando o técnico depois do trabalho, nem fazer HIIT porque não tinha internet pra fazer as aulas. Eu lembrei de como eu gosto do jogo, então acho que amanhã, depois da caminhada com o Tobias ao meio-dia, vou fazer um ou dois exercícios. Eu também quero caminhar mais amanhã, pra compensar a falta de exercícios hoje.

Terceiro, a comida. Eu não peço nada há uns dias já, mas eu ando fissurado em fazer um tablete daquele espaguete miojo com duas salsichas. Eu sinto que eu engordo muito a cada dia por causa daquilo, mas não consigo evitar. Ou um ou outro. Eu não me pesei hoje, mas amanhã vou me pesar cedinho, antes de sair com o Tobias.

Tomara que amanhã seja um dia melhor. Pelo menos a noite vai ser: vou ver o novo filme do Steven Spielberg.

Tenham um fim de semana aconchegante

O tempo tá bem incerto nesse fim de semana por aqui. Não tem um raio de sol no céu, e as vezes parece que vai chover. Até cai uns pingos, mas a chuva não desce de vez. Parece bem um dia de inverno, mesmo que ele não tenha chegado ainda.

Meu fim de semana passado foi muito agitado. Eu me atrapalhei com alguns conflitos no calendário e acabei combinando com vários amigos compromissos que se atropelaram. Mas deu tudo certo, todo mundo foi contemplado, mesmo que tenha sido um pouco corrido. No domingo, quando a última visita foi embora, eu simplesmente desmaiei na cama e acordei atrasado no dia seguinte.

Nesse fim de semana eu vou dar uma descansada. Vou fazer uma janta pra um amigo, mas fora isso eu evitei de marcar qualquer coisa. Minhas pernas ainda estão um pouco cansadas do tanto que eu caminhei durante a semana (foram mais de 50km!), então tá sendo um bom dia pra me perder um pouco em Hyrule (eu estou jogando Tears of the Kingdom de novo) e tentar terminar Metroid Prime 4. Eu finalmente consegui configurar o HDR do Nintendo Switch 2 direito, quase um ano depois.

Espero que o fim de semana seja aconchegante como o meu. Aí vão alguns dos links que colecionei essa semana.

  • Wiki File Explorer: uma forma de navegar na Wikipédia como se ela fosse um diretório no seu Windows XP. Provavelmente vai ser meu link favorito do ano.
  • In Good Hands: um textinho breve sobre quando a gente confia em alguém pra mudar um pouco o nosso modo de ver as coisas. É tão bom quando nos cercamos de pessoas que nos deixam exatamente assim — curiosas.
  • How Writing Lead to Thinking (and Not the Other Way Around): eu tinha essa suspeita e esse artigo basicamente confirma que escrever ajuda a gente a pensar. Eu ando escrevendo muito pouco, e tava dando uma olhada no quanto eu escrevia (e pensava) pro Pão, e sinto falta disso. Acho que vou retomar esse tipo de blog no futuro. Pensando como.

Por hoje é isso, muito obrigado por ler.

Três coisas sobre dados

Russel Davies escreveu um texto bem interessante sobre a “soberania dos dados” que parece ser a ruína de muitas empresas (undermanager). Alguns destaques da leitura.

Na introdução ele já elenca o paradoxo que é coletar dados para descobrir o motivo dos negócios não irem bem, e’quando os dados não respondem a pergunta você acaba coletando mais dados, o que te afastam ainda mais de procurar a resposta no lugar certo:

a. Data is a risk. Every bit of data has to be managed/looked after/cared for. That costs time and money. And most of it is useless.

b. Data is distracting. Most of it is just noise. You’re gathering it because you can, just in case, because it seems valuable. Then you spend ages trying to work out what to do with it. When you should be paying attention to just a couple of bits of it and actually doing something about it.

c. It becomes a job. Get enough data and you need data scientists. Then you’re stuck in a self-perpetuating structure that requires more data to feed the data scientists.

E, sobre a distância dos dados reais das pessoas que precisam deles:

The more it gets abstracted away to other teams and other softwares the more dangerous and misleading it gets.

Tem várias vezes na semana que eu me pego pensando que eu sou um incompetente no trabalho porque eu recebo dados do negócio fornecidos por outras pessoas que acham que teria alguma relevância pro meu trabalho, e eu não ver serventia nenhuma naquela informação. É muito frustrante receber informações que te dão ideia de um detalhe muito específico de uma parte da audiência e perder a visão do todo. Eu não desenvolvo pra um setor específico das pessoas que vão visitar um site. Eu desenvolvo pra todas as pessoas que possam visitar um site.