EFICÁCIA DO CARDIODESFIBRILADOR IMPLANTÁVEL NA REDUÇÃO DA MORTE SÚBITA EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA NÃO ISQUÊMICA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.26851Palavras-chave:
Cardioversor-desfibrilador implantável. Insuficiência cardíaca. Cardiomiopatia não isquêmica. Morte súbita cardíaca. Prevenção primária.Resumo
Introdução: A insuficiência cardíaca não isquêmica está associada a elevada morbimortalidade, sendo a morte súbita cardíaca uma importante causa de óbito nessa população. O cardiodesfibrilador implantável (CDI) é utilizado como estratégia de prevenção primária em pacientes selecionados, embora seu benefício, especialmente sobre a mortalidade global, permaneça controverso. Objetivo: Avaliar a eficácia do cardiodesfibrilador implantável na prevenção da morte súbita cardíaca e seu impacto sobre a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca não isquêmica. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). A busca foi realizada em abril de 2026 nas bases PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), considerando estudos publicados entre janeiro de 2021 e março de 2026, nos idiomas português e inglês. Foram incluídos estudos clínicos randomizados, observacionais e de coorte que avaliaram pacientes adultos com insuficiência cardíaca ou cardiomiopatia não isquêmica submetidos ao uso de CDI em prevenção primária, com desfechos relacionados à morte súbita cardíaca, morte arrítmica ou mortalidade por todas as causas. A seleção dos estudos e a avaliação metodológica foram realizadas independentemente por dois avaliadores, sendo as divergências resolvidas por discussão e consenso. Resultados: Os estudos incluídos apresentaram resultados heterogêneos quanto aos desfechos avaliados. De modo geral, foram observadas evidências de benefício do CDI na prevenção da morte súbita cardíaca e de eventos arrítmicos fatais. Entretanto, os resultados referentes à mortalidade por todas as causas não foram uniformes, com estudos demonstrando benefício e outros não identificando redução estatisticamente significativa. A magnitude do benefício pareceu variar de acordo com características clínicas, como idade, presença de comorbidades, risco competitivo de morte não arrítmica e marcadores associados ao risco arrítmico. Conclusão: O cardiodesfibrilador implantável apresenta potencial benefício na prevenção da morte súbita cardíaca em pacientes com insuficiência cardíaca não isquêmica. Entretanto, a heterogeneidade dos resultados relacionados à mortalidade global não permite afirmar que o dispositivo produza redução uniforme da mortalidade por todas as causas. Os achados reforçam a importância da seleção individualizada dos pacientes e da adequada estratificação do risco arrítmico no contexto das terapias contemporâneas para insuficiência cardíaca.
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